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Horta do Parque José Avides Moreira no Hospital de Conde Ferreira, com 232 talhões, pode ser suspensa em outubro no Porto pela Lipor

Mulher lendo placa em horta comunitária com hortaliças e outras pessoas ao fundo.

Com 232 talhões, a horta do Parque José Avides Moreira, no Hospital de Conde Ferreira, integra a rede de hortas urbanas da Lipor no município do Porto, sendo este espaço administrado pela Misericórdia. Quem cultiva no local foi surpreendido com a informação de que o projeto será suspenso a partir de outubro e reclama da falta de esclarecimentos por parte das entidades envolvidas.

Horta do Parque José Avides Moreira: usuários pegos de surpresa com a suspensão

Mirene Campos é uma das pessoas que transformaram esse canto em um lugar de produção e de autossustento. "Cuidar da terra é uma ótima terapia. A minha alimentação melhorou, passei a consumir mais produtos da época e com mais qualidade que os do supermercado. Dá muito gosto ver os legumes e frutas a crescer e depois poder partilhá-los com amigos e vizinhos", afirmou.

A confirmação chegou em meados de junho, por meio de uma carta, reforçando o que já circulava entre os talhões desde o início do mês: "Disseram-nos, por escrito, que a horta vai fechar a 31 de outubro, mas não nos deram motivos".

Reunião marcada e críticas pela falta de respostas

A comunicação causou indignação entre os usuários, que por semanas tentaram agendar reuniões para entender o que estava acontecendo. A Lipor marcou um encontro para esta sexta-feira, às 17.30 horas, que deve contar com a presença do vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia, Jorge Dias, além de representantes da empresa.

Mesmo com a incerteza, Mirene afirma avaliar alternativas para continuar cultivando, ainda que isso signifique voltar para a lista de espera - hoje com mais de três mil pessoas aguardando talhões. "Já não sei viver sem a horta. É como se uma parte de mim ficasse vazia. É um bocado de nós que morre", declarou.

Obras no Conde Ferreira e promessa de retomada do projeto

A horta é um projeto conjunto da Lipor e da Misericórdia do Porto, detentora do Conde Ferreira. Questionada pelo JN, a empresa direcionou a resposta para a instituição. Já a Santa Casa justificou o encerramento com a necessidade de obras: "O Centro Hospitalar Conde de Ferreira entra agora numa nova fase da sua evolução, que implica a realização de intervenções profundas de requalificação das suas infraestruturas. A área atualmente ocupada pelas hortas integra precisamente uma das zonas".

A Misericórdia ressaltou que a suspensão será temporária e que "pretende reativar o projeto das hortas, preservando, reforçando e priorizando a sua reconhecida dimensão pedagógica e terapêutica para os doentes do próprio Centro Hospitalar".

Lipor tem mais de três mil pessoas em lista de espera

O projeto "Horta à Porta" foi criado em 2003 com o propósito de desenvolver "espaços verdes dinâmicos e úteis, promovendo a biodiversidade e boas práticas agrícolas", conforme o site da Lipor.

De acordo com dados de maio, existem 61 hortas urbanas (mais de 2100 talhões), somando 15,7 hectares distribuídos pelos oito municípios associados da Lipor: Espinho, Gondomar, Maia, Matosinhos, Porto, Póvoa de Varzim, Valongo e Vila do Conde. Só no Porto, há 14 hortas, organizadas em 512 talhões e atribuídas a 471 pessoas. Na lista de espera, estão mais de três mil pessoas - quase o dobro de quem já possui talhões.


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