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Saúde e Bem-estar

Diabetes gestacional: alimentação equilibrada e controle da glicemia na gravidez

Mulher grávida sorrindo enquanto prepara salada saudável na cozinha iluminada.
Neste artigo
  1. Diagnóstico do diabetes gestacional
  2. Alimentos que ajudam no controle da glicemia
  3. Proteínas e gorduras boas na alimentação
  4. Controle da doença reduz riscos para mãe e bebê

O diabetes gestacional é definido pela elevação da glicose no sangue durante a gravidez e, na maioria das vezes, é reconhecido a partir do segundo trimestre. Isso acontece porque, ao longo da gestação, mudanças hormonais podem diminuir a eficácia da insulina no organismo, dificultando o controle da glicemia. Mesmo exigindo cuidado e acompanhamento médico, costuma ser uma condição manejável com hábitos adequados - especialmente com uma alimentação equilibrada.

“Apesar do diagnóstico frequentemente causar preocupação, o tratamento vai muito além da simples exclusão de alimentos ou da ideia equivocada de ‘fazer dieta’ durante a gestação. Como a gravidez não é um momento para dietas hipocalóricas ou restritivas, porque isso pode comprometer o crescimento e o desenvolvimento do feto, o foco deve estar na qualidade da alimentação”, explica a nutróloga Dra. Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

A alimentação equilibrada está entre as principais estratégias para manter o diabetes gestacional sob controle. “No diabetes gestacional, a dieta deve priorizar alimentos com baixo índice glicêmico, fracionar carboidratos ao longo do dia, evitar picos glicêmicos e manter o ganho de peso adequado. A terapia nutricional é a primeira linha de tratamento”, explica o ginecologista e obstetra Dr. Nélio Veiga Junior, mestre e doutor em Tocoginecologia pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM/UNICAMP).

Diagnóstico do diabetes gestacional

Pelos critérios atuais, a confirmação do diabetes gestacional ocorre por meio do teste oral de tolerância à glicose, indicado entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. Para fechar o diagnóstico, já bastam valores de glicemia em jejum iguais ou superiores a 92 mg/dL, glicemia após 1 hora acima de 180 mg/dL ou após 2 horas acima de 153 mg/dL.

O Dr. Nélio Veiga Junior chama atenção para a relação direta entre obesidade e Diabetes Mellitus Gestacional (DMG). “Mulheres obesas têm risco duas a quatro vezes maior de desenvolver DMG. Isso se deve à resistência insulínica pré-existente, exacerbada pelas alterações hormonais da gravidez”, comenta.

Alimentos que ajudam no controle da glicemia

De acordo com a Dra. Marcella Garcez, manter uma alimentação equilibrada, diversificada e com alimentos o mais naturais possível ajuda a minimizar picos glicêmicos e favorece a resposta do corpo à insulina - um hormônio que passa por mudanças fisiológicas ao longo da gestação.

“O que orientamos é organizar melhor o prato, fracionar as refeições ao longo do dia e reduzir o consumo de ultraprocessados, açúcares simples e farinhas refinadas, sem que isso signifique comer menos, mas comer melhor”, reforça a nutróloga.

Ela aponta que um dos primeiros cuidados é aumentar a presença de fibras no dia a dia. “As fibras retardam a absorção da glicose e ajudam a manter a glicemia mais estável ao longo do dia”, explica. Segundo a médica, vale incluir com frequência:

  • Verduras e legumes variados: brócolis, abobrinha, cenoura, folhas verdes;
  • Leguminosas: feijão, lentilha, grão-de-bico, soja, ervilha;
  • Sementes: aveia, cevada, chia e linhaça;
  • Frutas inteiras, com casca quando possível: maçã, pera, ameixa e frutas vermelhas.

“É fundamental pontuar que, além das fibras, as frutas oferecem uma série de fitoquímicos (compostos bioativos naturais responsáveis por cores, aromas e sabores), que exercem efeitos metabólicos relevantes, especialmente no controle da glicemia, algo fundamental no diabetes gestacional”, afirma a médica.

Ainda conforme a Dra. Marcella Garcez, compostos bioativos como flavonoides, antocianinas e catequinas podem ajudar a desacelerar a digestão e a absorção de carboidratos no intestino. Com isso, colaboram para controlar a glicose no sangue após as refeições e reduzir a chance de picos glicêmicos.

“Além disso, os fitoquímicos presentes nas frutas têm ação antioxidante e anti-inflamatória, o que contribui para melhorar a sensibilidade à insulina, especialmente em um contexto de resistência insulínica induzida pelos hormônios da gravidez”, explica.

Por isso, dizer que a fruta é vilã é um mito. “Quando consumidas inteiras, com fibras e fitoquímicos preservados, as frutas têm um comportamento metabólico muito diferente dos açúcares isolados ou de sucos. O conjunto de fibras e fitoquímicos ajuda a modular a resposta glicêmica, especialmente quando a fruta é combinada com proteínas ou gorduras”, destaca.

Proteínas e gorduras boas na alimentação

Além das fibras, a proteína tem papel importante na redução de picos glicêmicos. “Ela reduz a velocidade de digestão dos carboidratos e aumenta a saciedade, sem impacto negativo para o feto, desde que sejam consumidas sem exagero. Ovos, carnes magras, frango e peixes bem cozidos, além de leite, iogurte natural e queijos podem ajudar”, explica a Dra. Marcella Garcez.

As gorduras saudáveis também entram como aliadas no diabetes gestacional. “Já as boas fontes de gordura, como azeite de oliva, abacate, oleaginosas (castanhas, nozes e amêndoas) e sementes (chia, linhaça e gergelim), retardam o esvaziamento gástrico e contribuem para uma resposta glicêmica mais estável”, completa.

Controle da doença reduz riscos para mãe e bebê

Na perspectiva obstétrica, controlar adequadamente o diabetes gestacional e a obesidade é decisivo para reduzir o risco de complicações como macrossomia fetal, parto prematuro, sofrimento fetal e aumento da probabilidade de cesárea.

“A exposição intrauterina a um ambiente obesogênico também está relacionada ao aumento do risco de obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica na vida adulta da criança, caracterizando o que se chama de ‘programação fetal’”, alerta o Dr. Nélio Veiga Junior, que acrescenta: “Uma alimentação bem orientada não só contribui para uma gravidez mais segura, como também impacta diretamente a saúde do bebê a curto e longo prazo”.

Por Maria Paula Amoroso

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Mariana Figueiredo Nascimento

Engenheira eletricista e especialista em transição energética, com atuação em projetos de geração solar e eólica, armazenamento e integração à rede no Brasil. No newenergybrasil.com, acompanha tendências, políticas públicas e inovação em energias renováveis, com foco em eficiência, descarbonização e oportunidades para o mercado brasileiro.

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