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Netflix registra o maior 1º semestre da sua história: 97 bilhões de horas e 53% de audiência em idiomas não ingleses

Quatro jovens sentados no sofá assistindo TV com expressão surpresa e tigela de pipoca na mesa de centro.

A Netflix fechou o maior primeiro semestre da sua história, somando 97 bilhões de horas assistidas. E um dado chama ainda mais atenção: conteúdos produzidos fora do eixo de língua inglesa já respondem por 53% da audiência.

Netflix bate recorde no 1º semestre

Segundo o mais recente Relatório de Engajamento, entre janeiro e junho os usuários consumiram 97 bilhões de horas no serviço - o maior volume já registrado pela empresa na primeira metade de um ano. O levantamento também confirma a mudança de hábito: produções em idiomas não ingleses passaram a representar mais da metade do que é visto na plataforma.

Esse movimento não é mais pontual, e sim uma transformação já consolidada. Narrativas produzidas na Coreia do Sul, Espanha, Índia, Japão ou Brasil deixaram de ser apenas sucessos regionais e passaram a atrair milhões de espectadores no mundo todo, ampliando seu peso dentro do catálogo da Netflix.

Séries mais vistas e força das estreias

A estratégia global também aparece com clareza nas estreias do período. Entre as dez séries mais assistidas do semestre, cinco foram lançadas neste ano. No topo ficou "Ele & Ela", com 104 milhões de visualizações. Na sequência aparecem "Eu vou encontrar-te" (64 milhões), "Não fujas mais" (50 milhões) e a sul-coreana "Vais aprender a lição", que chegou a 48 milhões de visualizações em menos de um mês no ar. Já "Némesis", com 33 milhões de visualizações, garantiu renovação para a segunda temporada.

Sem fronteiras

A Coreia do Sul segue se firmando como um dos mercados mais robustos para a Netflix. O relatório aponta destaques como "Pode este amor ser traduzido?", "A arte de Sarah", "My Royal Nemesis" e a segunda temporada de "Bloodhounds". O Japão mantém presença estável, com séries como "Straight to Hell" e "Os pecados de Kujo". A Espanha também volta a se sobressair com "Firebreak", "The marked woman", "Oasis" e "Berlim e a dama com arminho", criada pela equipe por trás de "La casa de papel".

A Índia, por sua vez, teve seu melhor primeiro semestre até aqui, puxada por "Dhurandhar", que aparece como o filme em idioma não inglês mais assistido do relatório. A África do Sul ganhou visibilidade internacional com "180" e "O polígamo". O documento ainda ressalta títulos vindos da Polônia, Brasil, México, Noruega, Tailândia, Itália e Dinamarca.

A volta da quarta temporada de "Bridgerton" quase triplicou a audiência das temporadas anteriores e de "Rainha Charlotte: uma história Bridgerton", fazendo o universo da franquia chegar a 180 milhões de visualizações. O mesmo tipo de efeito foi observado em "One piece", "O agente noturno", "Virgin river" e "O poder e a lei".

No segmento de filmes, "War machine" liderou com 147 milhões de visualizações, à frente de "The rip", "Apex" e "Thrash". No conjunto, os dados reforçam que histórias criadas em Seul, Madri ou Mumbai podem encontrar público em qualquer lugar - e que, no streaming, o idioma deixou de ser um obstáculo.

Marco Bassetti: "Os grandes sucessos globais nascem de histórias locais"

Em um cenário no qual Netflix, YouTube e TikTok competem diretamente pelo tempo do público, Marco Bassetti defende que o futuro do entretenimento depende de valorizar identidades locais. O CEO da Banijay Entertainment - grupo por trás de formatos como "Masterchef", "Big Brother" e "The traitors" - afirma que os maiores fenômenos internacionais não surgiram com a ambição de "conquistar o mundo", mas sim de histórias capazes de traduzir a cultura de seus países.

Em entrevista à Reuters, ele cita "La casa de papel", "Dark" e "Squid game" como exemplos de produções pensadas para públicos específicos que, depois, ultrapassaram fronteiras e viraram hits globais. Para Bassetti, a virada está na adaptação: formatos como "Masterchef" ou "Survivor" só ganham força quando cada mercado injeta sua própria identidade. "A minha cultura é diferente da outra", resume, ao argumentar que as plataformas precisam investir em mais conteúdos locais para alcançar audiências internacionais. A diversidade cultural, segundo ele, continua sendo um dos principais trunfos da indústria do entretenimento.

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