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Dez franceses participam do estudo BRAHMS do MEDES para o CNES

Paciente masculino deitado em leito hospitalar enquanto enfermeira verifica seus sinais vitais em monitor.

Imobilizados na cama e submetidos a uma dieta extremamente rigorosa.

No mês passado, dez franceses entre 20 e 40 anos passaram por uma experiência fora do comum - e o motivo é simples: eles participaram de uma pesquisa científica que simula a ausência de peso, conduzida pelo Instituto de Medicina e Fisiologia Espaciais (MEDES), de Toulouse, a pedido do CNES. Depois de uma campanha de busca por voluntários em fevereiro, o estudo BRAHMS (Bed Rest and HypoMetabolisme Study) aconteceu em junho, no CHU de Toulouse Rangueil.

Durante cerca de vinte dias, 10 homens aceitaram se envolver na pesquisa para contribuir com o avanço científico. Embora tenham podido “experimentar” um pouco do cotidiano de astronautas, a vivência esteve longe de ser agradável: eles passaram vários dias em repouso no leito e seguiram uma alimentação muito restrita, limitada a 250 kcal por dia.

Protocolo do estudo BRAHMS: repouso no leito e restrição calórica

A clínica espacial de Toulouse avalia os efeitos da combinação entre uma restrição calórica severa e a simulação de microgravidade por meio do repouso no leito. A proposta foi reproduzir o mais fielmente possível condições que podem ocorrer em missões espaciais, já que astronautas podem enfrentar períodos prolongados de jejum caso uma tentativa de reabastecimento falhe. Assim, o estudo BRAHMS busca ajudar a preparar futuros voos espaciais e a antecipar situações inesperadas no espaço.

Como um astronauta…

Os 10 homens selecionados viveram 21 dias muito particulares. Com o acompanhamento de 12 equipes científicas francesas, eles passaram primeiro por 5 dias de exames para estabelecer parâmetros de referência. Em seguida veio o núcleo da pesquisa: 10 dias de repouso absoluto, com autorização para consumir apenas 250 kcal diárias - o equivalente a 10% da ingestão diária recomendada.

Na prática, o “cardápio” diário se resumiu a uma única colher de mel, um suco de fruta e um caldo, enquanto os participantes permaneciam deitados com a cabeça abaixo do nível do corpo, em inclinação de -6 graus (simulação de microgravidade). Esse posicionamento permite reproduzir efeitos típicos da microgravidade, como a redistribuição de fluidos corporais, a perda de massa muscular e óssea e também alterações cardiovasculares e cognitivas.

Naturalmente, após esses 10 dias extenuantes, os voluntários não voltaram para casa imediatamente. O MEDES manteve o grupo por mais 5 dias para recuperação sob supervisão médica.

Recrutamento, compensação e acompanhamento médico

Com o encerramento da etapa principal, os voluntários ainda terão um acompanhamento médico dentro de três meses, para confirmar que está tudo bem. Apesar de ser um único estudo, ele equivale ao que seria a realização simultânea de cerca de uma dúzia de estudos clínicos.

Embora o MEDES precisasse de apenas 10 homens em perfeita saúde, entre 20 e 40 anos, o Instituto recebeu mais de 7500 candidaturas. Para incentivar a participação nessa experiência restritiva, os participantes receberam uma indenização de 200 euros.

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