O que é o EMADS e por que o Exército está olhando para ele?
Com a necessidade de garantir proteção em grandes deslocamentos e operações de maior envergadura - e diante do aumento de ameaças aéreas, especialmente por sistemas aéreos não tripulados - o Exército Brasileiro está nas etapas finais para definir a compra de um novo sistema de defesa antiaérea. A negociação, conduzida atualmente com o governo da Itália, prevê a incorporação do Enhanced Modular Air Defense Solutions (EMADS), desenvolvido pela MBDA em parceria com a Leonardo, o que permitiria à Força Terrestre introduzir uma tecnologia inédita na América Latina para interceptar drones e mísseis de cruzeiro inimigos.
O EMADS é descrito como um sistema de defesa aérea de ponto e de área, com capacidade de empregar os mísseis CAMM e CAMM-ER, capazes de atingir alvos a distâncias de até 45 km, em velocidade supersônica e sob quaisquer condições climáticas. Por ser modular, pode ser reposicionado e reabastecido com facilidade, destacando-se também pela interoperabilidade com outros sistemas de detecção, o que o torna uma solução flexível e avançada para os cenários atuais.
Atualmente, a defesa antiaérea do Exército do Brasil se apoia sobretudo em meios de artilharia de tubo, incluindo os sistemas antiaéreos autopropulsados Gepard, peças Oerlikon GDF e canhões Bofors L/60 e L/70. No campo de mísseis antiaéreos, as únicas capacidades disponíveis são os sistemas portáteis 9K38 Igla, de origem russa, e os RBS-70 suecos, limitados em alcance e altitude de interceptação. Com a eventual chegada do EMADS, a Força pretende superar uma de suas principais restrições operacionais: a ausência de um sistema de mísseis superfície-ar de médio alcance capaz de enfrentar ameaças mais complexas e modernas.
De acordo com reportagens da CNN Brasil, o chefe do Estado-Maior do Exército, general Francisco Humberto Montenegro, teria assinado recentemente um documento interno que define as diretrizes para a obtenção do sistema. Essas especificações técnicas e estratégicas deixaram de fora as propostas das empresas indianas Bharat Dynamics Limited (BDL) e Bharat Electronics (BEL), que ofereciam o sistema Akash, considerado de uma geração anterior e com tecnologia menos avançada.
O entendimento com a Itália seria fechado no modelo governo a governo, garantindo maior controle sobre as condições contratuais e sobre as compensações industriais (offsets). Nesse contexto, está prevista uma transferência de tecnologia para que a Embraer Defesa e Segurança adquira a capacidade de produzir radares de nova geração, um componente central na arquitetura do EMADS. O movimento também reforçaria a base industrial de defesa brasileira, ampliando a autonomia tecnológica do país em um setor estratégico.
Segundo as projeções atuais, o Exército pretende desdobrar três grupos de artilharia antiaérea equipados com o novo sistema, cada um com cerca de 96 mísseis. As duas primeiras unidades seriam instaladas no 12º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Jundiaí (São Paulo), e no 11º Grupo, em Brasília (Distrito Federal), enquanto uma terceira seria destinada à região Norte, em um local ainda não definido. A escolha desses pontos busca proteger os principais polos econômicos e administrativos do país, além de ampliar a cobertura diante de eventuais ameaças aéreas.
Créditos de imagem de portada: MBDA.-
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