Bu! Vergonha, Toyota! Abaixo esse tipo de coisa e tal.
Vamos lá: você achou mesmo que a divisão Gazoo Racing da Toyota ia simplesmente enfiar um câmbio automático molengão no seu hatch esportivo queridinho e encerrar o assunto? Pode confiar: eles estão muito mais comprometidos em subir o nível de desempenho do GR Corolla do que qualquer um de nós que só assiste de fora. E as mudanças do carro para 2025 seguem exatamente essa linha - lapidar um pacote que já vinha vencendo. Nessa conta entra o novo câmbio automático de oito marchas, pensado para performance desde o primeiro esboço. Já deixamos claro: ele troca marcha melhor do que você.
Ai. Mas eu dirijo bem pra caramba e essas coisas!
Sem dúvida. E a Toyota disse que considerou todo o seu “talento” ao volante para criar uma transmissão capaz de deixar você ainda mais rápido. O nome é GR-DAT (Gazoo Racing Direct Automatic Transmission): um automático de oito marchas feito para reduções muito rápidas, trabalhando junto de um software que tenta adivinhar qual será o seu próximo movimento.
A partir do jeito como você freia e acelera, o programa - desenvolvido com base em muitos testes de pista e rali - chega a trocar quase antes de você terminar a ação, para o carro já estar na marcha ideal no momento certo. No fim das contas, ele permite que nós, meros mortais, troquemos tão rápido quanto os profissionais e, em algumas situações, talvez até mais rápido do que eles.
Interessante. E quanto a outras melhorias?
O GR Corolla ganhou uma série de ajustes pequenos em várias áreas para deixar o conjunto mais redondo e divertido. Para começar, o 1.6 de três cilindros turbo de 300hp que o move agora entrega mais torque: subiu de 273lb ft para 295 lb ft - número que, no lançamento, era exclusivo da edição especial Morizo. O arrefecimento também evoluiu: as versões automáticas contam com canais específicos para resfriar melhor o fluido do câmbio. E houve bastante trabalho na suspensão, chegando ao nível de usar parafusos mais grossos em alguns pontos.
Na parte de software, a seleção de modos da tração integral foi reorganizada para lidar melhor com condições variadas. Antes, você escolhia entre uma configuração com tendência à dianteira, outra com tendência à traseira, ou um 50:50 voltado para pista. Agora funciona assim: o modo Normal mantém a divisão 60:40 com mais carga na frente, mas a distribuição 50:50 ficou reservada para o modo Gravel, por causa do tempo que o GR passou sendo testado na terra. Já o modo Track usa uma divisão variável conforme a situação - ele alterna de 60:40 até 30:70 quando entende que você precisa de uma coisa ou de outra.
Tá, mas… e se eu ainda quiser o GR Corolla manual?
Fique tranquilo: o GR Corolla manual não vai sair de cena. Tudo o que foi atualizado e não é específico do automático também aparece na versão de câmbio mecânico. Aliás, o manual também recebeu carinho. A Toyota afirma que a embreagem agora retorna de forma mais “seca” e rápida, trazendo uma sensação mais imediata nas trocas.
A marca diz que ambos ainda fazem 0-60mph em 4.9 seconds e chegam a 143 mph, então continuar fiel ao manual não significa ficar com a parte curta do… câmbio.
Ufa. E lado a lado, como eles ficam?
Surpreendentemente diferentes. Em muitos carros, mudar de AT para MT não altera tanto assim: é basicamente “o mesmo modelo com outro câmbio”, e a experiência muda só naquilo que você ama ou detesta na transmissão. Com o GR Corolla, não foi bem assim - e isso nos pegou um pouco de surpresa.
Vamos ao “elefante” de oito marchas: como é o automático? Bom. Muito bom, na verdade. Depois de tanto teste e acerto, o câmbio ficou robusto o suficiente para aguentar o que você conseguir impor em pista - a ponto de permitir uma sequência de launch control. Deixando o sistema agir sozinho, é difícil se ver numa situação em que a transmissão não esteja te colocando numa posição favorável; para torcer o nariz para as escolhas dela, você teria de ser intencionalmente implicante.
Com essa carga mental fora do caminho, sobra foco para fazer o que importa: apontar o GR Corolla para onde você quer e ir para lá o mais rápido possível. Com força indo para as quatro rodas, o hatch gruda no asfalto com carinho, mesmo com o controle de tração desligado e, às vezes, com a distribuição favorecendo a traseira. Ele consegue “girar” na entrada? Consegue, especialmente freando. Mas quando o assunto é velocidade e eficiência, o novo automático do GR é excelente para despejar voltas suaves, rápidas e consistentes.
E se você quiser participar mais, as borboletas estão ali para assumir manualmente - e isso muda bastante a dinâmica. O automático continua fazendo o trabalho pesado, mas o raciocínio vira seu, para o bem ou para o mal. As borboletas chegam perigosamente perto de te deixar tentar “quebrar” o sistema. Se você insistir em manter uma marcha baixa, o câmbio realmente deixa o motor encostar no corte de giro. Se você mergulhar numa curva e reduzir mais do que seria necessário, é bem provável que a transmissão aceite. Dito isso, agora é mais simples entrar nas marchas “de escorregar”, porque há menos degraus na sequência: frear, dar a puxada, apontar, acelerar, sorrir.
Falando em sorriso, o GR Corolla manual ainda é o mais gostoso de brincar. O automático pode ser ótimo para tempos de volta e o uso tolerante das borboletas impede que o AT vire algo completamente sério e burocrático, mas a versão MT parece mais “bobona” em comparação. A Toyota comentou sobre melhorias na embreagem, mas temos certeza de que houve mais coisas, porque o novo câmbio manual passa uma sensação mais incisiva e mais sólido do que lembrávamos.
Além das diferenças de funcionamento entre as transmissões, o GR Corolla com câmbio manual pareceu muito mais leve do que o hatch automático, que é firme e bem assentado no chão. “Qual é a diferença de peso entre eles?”, você pergunta. 45 pounds. Um prato, na linguagem de academia. Não é quase nada e, ainda assim, nas curvas o GR Corolla MT parecia levantar um tiquinho mais a carroceria ao contornar a dobra. Estranho, mas isso só reforçou a personalidade mais brincalhona dessa configuração.
Irado. E quanto custa?
Para ter os recursos do automático, você vai pagar um pouco mais. Entre as três versões, a Core GR Corolla de entrada sai por $40,860 com AT, contra $38,860 como preço inicial da MT. O valor sobe na configuração Premium, que adiciona som JBL, sensores de estacionamento e algumas comodidades internas, além de detalhes externos brilhantes.
No topo, a Premium Plus chega a $47,515: nela você leva o novo automático, teto de carbon fibre e um calombo no teto para combinar com o da sua, bem… carteira.
Então qual é a conclusão final?
É bom ver que a Toyota não se acomodou depois da estreia e do sucesso enorme do GR Corolla. Somadas a várias evoluções incrementais, a nova caixa automática representa um ganho relevante nas qualidades do carro. Ele ficou mais acessível do que nunca, mas não é, de forma alguma, um “presente” para quem não sabe trocar marcha: é uma alternativa séria, que faz motoristas de qualquer nível pararem para pensar sobre o que priorizam.
Seria triste se privar de desempenho por uma lealdade não correspondida a um componente. No geral, o novo GR Corolla deixa andar rápido mais fácil e mais divertido - exatamente o que a gente sempre pediu.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário