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Teste do Nissan Qashqai de segunda geração: melhor por dentro e mais eficiente

Carro SUV Nissan roxo em movimento numa estrada com paisagem de campo ao fundo e céu azul com nuvens.

O que é isto, afinal?

O que é isto, então?

A segunda geração do Nissan Qashqai - um dos carros mais procurados de todos os tempos no TopGear.com, para você ter uma ideia.

Ah, certo: aquele SUV crossover que “reinventou” os SUV crossovers.

Exatamente. Para a Nissan, ele é um modelo gigantesco. O anterior somou quase 2,000,000 de unidades vendidas no total, e só no ano passado 49,654 Qashqais foram emplacados na Grã-Bretanha.

E ele é bom?

É. E muito. O Qashqai que está saindo de linha era um sujeito meio molengão e barulhento que, apesar de oferecer espaço e “espírito de SUV” em nível Freelander, deixava claro onde o preço baixo aparecia. Soava um pouco “lata”, tinha ruídos demais e um interior com acabamento bem menos simpático. Este novo não cai nesses pecados.

Ele ficou 15mm mais baixo do que o modelo que substitui, mas ganhou espaço interno. O acabamento evoluiu, a lista de equipamentos também, o conjunto está mais eficiente (o diesel 1.5 tem consumo declarado de 74.3mpg) e o isolamento acústico melhorou: virou um crossover de verdade, com jeito de carro mais maduro. Dá para perceber o esforço da Nissan em acertar cada detalhe.

Detalhes do dia a dia que fazem diferença no Nissan Qashqai

Detalhes, é? Tipo o quê?

Coisas pequenas, mas que mudam a rotina. A caixa porta-objetos central traz um canalzinho para passar o cabo, então dá para ligar um dispositivo via USB sem precisar esmagar o fio para fechar a tampa. E o espaço do porta-copos é um pouco mais fundo, o que ajuda a garrafa a não atrapalhar na hora de engatar marchas.

Porta-copos… meu entusiasmo não está borbulhando aqui, Top Gear. Me conte algo empolgante. Existe uma versão Nismo ou algo assim?

Não. Foi mal. Na estreia, a gama inclui um 1.2 turbo a gasolina de 113bhp, com 50.4mpg e 129g/km de CO2; um 1.5 dCi turbodiesel de 108bhp, com 74.3mpg e 99 “carbonos”; e um 1.6 dCi turbodiesel de 128bhp, com 64.2mpg e 115 “carbonos”.

O mais perto de algo “quente” é o 1.6 a gasolina de 50.4mpg, que na prática é uma versão bem amansada do motor do Juke Nismo.

Motores: qual escolher (e o alerta sobre o CVT)

Entendi. Então qual é o melhor desse grupo? Esse 1.6 “Nismo Lite”?

Na verdade, não. Ele não é exatamente um foguete, mas o que vale a pena é o diesel 1.5 (0-62mph em 12.4sec, velocidade máxima de 112mph). Depois dos ajustes da turma técnica da Nissan, ele virou um motor realmente silencioso e refinado - algo que simplesmente não existia antes na linha Qashqai.

Os 192lb ft caem como uma luva para mover os 1365kg do SUV, dá para ver 55mpg no mundo real, e ele solta apenas 99g/km. O que é impressionante.

Só que, pelo amor de tudo o que é sagrado, não perca tempo com o CVT. A Nissan diz que eliminou aquele “efeito elástico” de borracha da transmissão antiga - e melhorou mesmo, dá para notar. Ainda assim, as trocas simuladas de relação continuam lentas e, de um jeito desproporcional, absurdamente irritantes.

Ao volante e no mundo real

Certo: 1.5 diesel manual, então. E para dirigir, como é?

Claro que este não vai ser a primeira escolha do Stig dentro da linha Nissan, mas há algo raro aqui (mesmo neste segmento): a suspensão foi acertada para conforto, não para esportividade.

O rodar é excelente, e ajuda bastante o fato de toda a gama usar amortecedores de duplo pistão (duas taxas de amortecimento para irregularidades de alta e baixa frequência). A direção tem peso e tato na medida para você se sentir participando. Só que… o preço disso é um pouco de balanço e inclinação da carroceria.

Então ele é bom na vida real. Devo comprar um?

Se a sua vida real inclui filhos, levar tralhas grandes e você realmente não quer um hatch do tamanho de um Golf “normal”, sim. A Nissan foi a primeira a ganhar dinheiro de verdade com o mercado de SUV crossover porque - veja só - construiu um SUV crossover razoavelmente competente.

E, quando você coloca lado a lado com Kia Sportage e Hyundai iX35, este Qashqai novo passa a sensação de que a marca ainda está puxando o pelotão. Até o VW Tiguan parece meio troncudo e desajeitado em comparação.

Estou sentindo um “mas”…

Sim, sempre existe um “mas”. A Nissan se mexeu - e muito - para elevar a sensação de qualidade do interior e o refinamento, o nível de equipamentos e o conforto do Qashqai. Aí, na sequência, recuou quando o assunto é… alma.

O que soa meio bobo, porque este não é um carro feito para mexer com as emoções. Só que o Kia Sportage, por exemplo, é bem mais corajoso, quase interessante de um jeito limítrofe. O estilo “cuidado, não ouse” do Qashqai e o interior conservador parecem uma oportunidade perdida de bagunçar o segmento do qual a própria Nissan detém as cartas. E isso surpreende um pouco, considerando o quão ousada e confiante a Nissan tem sido ultimamente.

No fim, ele é como um copo de água com rodas. Faz o que precisa. Mas é bem sem graça.

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