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Arqueólogos revelam construção de calcário do templo do rei Apries em Mênfis

Homem escavando e limpando inscrições em pedra antiga em sítio arqueológico no deserto.

Arqueólogos revelaram uma construção de calcário que pertence ao templo há muito desaparecido do rei Apries.

O achado fixa um dos monumentos reais “perdidos” do Egito em um setor bem definido da antiga capital e devolve a presença de um faraó ao seu histórico centro religioso.

Vestígios do templo identificados

Em um sítio na região de Mit Rahina, ao sul do Cairo moderno, as escavações trouxeram à luz paredes de calcário assentadas de forma compacta, alinhadas com trechos do templo de Apries já expostos em temporadas anteriores.

Ao acompanhar essas paredes através da área, o Dr. Hisham El-Leithy, do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, registrou como a nova estrutura se liga diretamente ao complexo que já era conhecido.

A localização no setor sul indica que essa zona fazia parte da antiga Mênfis, no Egito, onde a autoridade real e a religiosa se cruzaram por gerações.

Até que os arqueólogos revelem todo o perímetro da construção, o desenho exato e a sequência cerimonial seguem indefinidos, e a escala mais ampla do complexo do templo do rei ainda precisa ser estabelecida.

Um templo começa a ganhar forma

Blocos de calcário surgiram dispostos em fileiras bem próximas, sugerindo que os construtores prepararam uma base firme antes de erguer paredes mais pesadas e apoios para a cobertura.

Em vez de um santuário pequeno, o espaçamento entre os elementos apontou para um plano maior, com ambientes destinados a armazenamento, ritos e atividades de sacerdotes.

Quebras na pedra e peças reaproveitadas também indicaram reformas posteriores - algo comum quando um templo permanece valorizado por muitas gerações.

Enquanto os escavadores não seguirem o contorno completo da planta, a função específica do edifício continuará incerta dentro do conjunto maior do templo real.

Templo associado a Apries

Alguns blocos de calcário preservaram o nome do rei esculpido dentro de uma moldura real, vinculando o monumento diretamente a um governante específico, e não apenas a uma tradição posterior.

Escribas egípcios registravam nomes reais dentro de um cartucho, um anel oval que identificava o faraó reinante e comunicava autoridade oficial.

O rei Apries governou o Egito de 589 a 570 a.C., nos anos finais da 26ª Dinastia.

Como essa moldura real é formal e característica, sua presença permite aos arqueólogos separar fragmentos próximos com mais segurança, distinguindo o que pertence à construção original do que resulta de reparos e acréscimos posteriores.

A principal divindade de Mênfis

Outras pedras talhadas mencionaram Ptá, o principal deus de Mênfis, confirmando que o complexo atendia ao culto central da cidade.

Na crença egípcia, Ptá era um deus criador e patrono dos artesãos, conectando o poder real ao trabalho especializado e ao ritual do templo.

Textos de dedicação também indicam a atuação de sacerdotes que organizavam oferendas, protegiam as riquezas do templo e mantinham cerimônias diárias.

À medida que mais blocos forem encontrados, inscrições correspondentes poderão situar este templo com maior precisão dentro do denso panorama sagrado de Mênfis.

Esfinges sem cabeça

Cinco esfinges sem cabeça apareceram ao lado das novas paredes, sugerindo uma entrada monumental ladeada por guardiãs de pedra esculpida.

Era comum instalar esfinges ao longo dos caminhos de templos, e o reaproveitamento de pedras em épocas posteriores pode ter removido suas cabeças para novos projetos.

Sem rostos ou coroas, as estátuas ainda não permitem identificar qual governante as encomendou, nem se foram retrabalhadas mais tarde.

A descoberta de uma inscrição na base ou de fragmentos compatíveis ajudaria a restringir a datação e a mostrar como o templo se apresentava ao nível do solo.

Objetos do cotidiano

Cacos de cerâmica, recipientes de vidro e moedas de cobre vieram da mesma área, acrescentando detalhes da vida diária ao lado da pedra ligada ao poder real.

Como os estilos mudam com o tempo, a borda de um jarro ou um tipo de moeda pode datar a camada em que foi encontrado.

As moedas também indicam circulação de pessoas pelo recinto em períodos posteriores, quando o Egito passou a usar dinheiro para impostos e comércio.

Como a água pode transportar objetos pequenos, os arqueólogos precisam interpretar cada achado no seu contexto, e não como um item isolado.

De Apries a Roma

Estudos preliminares sugerem que o templo permaneceu em atividade desde a 26ª Dinastia de Apries até o período romano.

Governantes posteriores frequentemente construíam sobre santuários mais antigos, pois um endereço sagrado pode manter seu prestígio mesmo quando a política muda.

Esse uso prolongado indicaria que os habitantes de Mênfis continuaram retornando ao mesmo ponto sagrado, ainda que línguas e governantes tenham se transformado.

Mênfis no cruzamento de rotas

Na borda do delta do Nilo, Mênfis e sua necrópole reúnem pirâmides, templos e túmulos reconhecidos como Patrimônio Mundial.

Essa posição permitia que autoridades controlassem o tráfego fluvial e as rotas terrestres, e também sustentava um sacerdócio influente dedicado a Ptá.

A vila moderna que hoje cobre grande parte da antiga Mênfis fica sobre muitas ruínas enterradas; por isso, cada nova trincheira precisa se adaptar a lavouras, casas e ao aumento do lençol freático.

Mapas mais precisos dessa cidade soterrada podem orientar escavações futuras e ajudar a impedir que construções e saques apaguem o que ainda resta.

Escavações novamente em abril

Em abril, a equipe pretende voltar e ampliar a escavação, seguindo as linhas das paredes além da área já liberada.

Novos blocos podem ligar cômodos separados, mostrando como os sacerdotes se deslocavam entre depósitos e pátios rituais durante as cerimônias.

A queda do nível do lençol freático na primavera também pode permitir escavar mais fundo sem bombeamento constante, preservando pisos frágeis e moedas.

Mesmo com maior exposição, o registro cuidadoso precisa vir antes, porque remover uma parede depressa demais pode destruir a história que ela guarda.

Próximos passos em Mênfis

Ao combinar arquitetura, inscrições e pequenos achados, os arqueólogos podem reconstruir uma imagem funcional do templo de Apries e de sua vizinhança.

Nas próximas temporadas, deve ficar mais claro o que pertence a Apries e o que foi acrescentado depois, enquanto equipes de conservação estabilizam o calcário mais vulnerável.

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