Reação da China ao acordo Japão–Austrália
Após a Austrália oficializar a compra de três fragatas Mogami Melhoradas para sua Marinha, a China passou a acusar o Japão de que a venda a Canberra pode comprometer a segurança regional. Para Pequim, o acerto recente é interpretado como um indicativo de expansão militar e de maior autoconfiança de Tóquio, o que poderia provocar “uma corrida armamentista na região”.
Em veículos alinhados ao governo chinês, o contrato entre Japão e Austrália foi alvo de críticas, sob o argumento de que Tóquio “está avaliando mal a situação e mostrando excesso de confiança em suas capacidades e em seu entorno de segurança, assumindo que pode expandir seu papel militar à vontade sem colocar em perigo sua própria segurança…”.
O Global Times também atacou o acordo para a venda de três fragatas de propósito geral Mogami Melhoradas ao sustentar que “o motivo oculto do Japão ao exportar armas para os países vizinhos da China é complicar a realidade da segurança regional e contrabalançar indiretamente a China…”. Um especialista ouvido pelo veículo ligado ao governo chinês foi ainda além, descrevendo a operação como “um perigoso ressurgimento militarista do Japão…”.
A decisão japonesa de autorizar exportações de material militar também motivou um alerta do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, que instou Tóquio a “refletir profundamente sobre seu histórico de agressão militarista, cumprir seus compromissos e agir com prudência em matéria militar e de segurança, deixando de seguir pelo caminho errado…”.
Alianças no Indo-Pacífico e o incômodo de Pequim
A leitura de Pequim reflete um desconforto evidente com o estreitamento dos laços militares e industriais entre Japão e Austrália, dois aliados próximos dos Estados Unidos no Indo-Pacífico. Washington mantém cooperação militar intensa com Tóquio e Canberra, relação que também sustenta uma presença relevante de suas Forças Armadas nos dois países.
Venda das fragatas Mogami Melhoradas para a Marinha Real Australiana
O Japão, por sua vez, consolidou um marco diplomático e industrial ao formalizar a venda de três fragatas de propósito geral Mogami Melhoradas para a Marinha Real Australiana. Esse é apenas o lote inicial, com possibilidade de novas etapas até concretizar a aquisição de 11 ou 12 unidades.
Em nota à imprensa, o Ministério da Defesa da Austrália informou que “a assinatura do contrato foi marcada pela formalização do ‘Memorando Mogami’ pelo vice-primeiro-ministro Richard Marles e seu homólogo, o ministro da Defesa japonês, Koizumi Shinjirō, reafirmando o compromisso compartilhado dos governos australiano e japonês com a entrega bem-sucedida das Fragatas de Propósito Geral à Austrália, assim como com uma maior cooperação na indústria de defesa…”.
Produção, cronograma e participação australiana
A primeira remessa será construída no Japão, no estaleiro Mitsubishi Heavy Industries, com a entrega da unidade inicial prevista para 2029. Ao mesmo tempo, a Austrália avançará na consolidação do Complexo de Defesa de Henderson, buscando infraestrutura capaz de assegurar uma capacidade contínua de construção naval militar. Também é previsto que a Austrália participe, em coordenação com o governo e a indústria do Japão, da construção dos demais navios destinados à incorporação na sua Marinha.
Capacidades e armamentos das Mogami Melhoradas
As fragatas de propósito geral Mogami Melhoradas da Marinha Real Australiana deverão ter alcance de até 10.000 milhas náuticas. O armamento principal ficará centrado em um sistema de lançamento de mísseis com 32 células para mísseis antiaéreos, além de mísseis antinavio. A partir do convoo, também poderão operar helicópteros multipropósito MH-60R Seahawk.
Imagem de capa: Royal Australian Navy – SMNIS Genae Kelly
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