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Como a viagem Paris–Roma encolheu 193 km ao longo dos anos

Mapa da Europa com dois aviões de brinquedo, um trem sobre caixa e um celular sobre mesa de madeira.

As duas capitais só ganharam um acesso muito mais rápido no pós-guerra. Uma combinação de geografia, política e automóvel. A seguir, a história.

Na história do jornalismo automotivo, existe um título com mais de 130 anos que já testemunhou de tudo. Desde os primeiros carros no Reino Unido, no fim do século XIX, os repórteres da Autocar acompanharam acontecimentos que moldaram a História - inclusive a evolução das estradas e de como elas passaram a ligar cidades e países. Em um artigo recente, o que é considerado o mais antigo magazine automotivo do mundo ainda em atividade recuperou, em seus arquivos, a trajetória de uma viagem emblemática: Paris–Roma, que foi encurtando e perdeu 193 km com o passar das décadas.

Túneis alpinos e a rota Paris–Roma: Mont-Blanc, Grand-Saint-Bernard e Fréjus

Em 1937, quando ainda era necessário vencer os Alpes por estradas de montanha e colos para conectar França e Itália, surgiu a ideia de perfurar um túnel. Esse impulso abriu caminho para um projeto de longa duração, atravessado por guerras e por anos de negociação. Para que um acordo fosse formalmente assinado pelos parlamentos dos dois países vizinhos, foi preciso esperar até 1957 - oito anos depois do início das conversas.

Foi assim que nasceu o célebre túnel do Mont-Blanc, com 11,9 km de extensão e 7 metros de largura, além do túnel complementar do Grand-Saint-Bernard, com 5,5 km (entre Itália e Suíça).

Segundo a Autocar, ao revisitar seus registros, o período prolongado de obras alimentou entre moradores a crença de que o maciço do Mont Blanc escondia lagos subterrâneos, depósitos de urânio e metais preciosos. A presença de água, de fato, acabou confirmada: os trabalhos no túnel do Mont-Blanc ficaram atrás do cronograma do Grand-Saint-Bernard por causa de inundações.

No fim, o túnel entre França e Itália foi inaugurado em 1965, depois do Grand-Saint-Bernard, justamente quando um terceiro plano ganhava forma: o túnel do Fréjus, projetado para ligar a Itália ao sul da França, atravessando a região do Mercantour.

Paris–Roma: o início de uma malha europeia mais densa, entre túneis e corredores aéreos

Com esses três túneis, não foi apenas Paris e Roma que ficaram mais próximas: Norte e Sul da Europa também encurtaram distâncias. Diante do obstáculo dos Alpes, os países da UE rapidamente perceberam que túneis eram essenciais para acelerar trocas - e, por consequência, a economia.

Em 2026, o mais longo túnel do mundo continua em escavação, ainda no coração dos Alpes. Ponto estratégico do transporte europeu, o Corridor Scandinavie-Méditerranée esbarra em um trecho estreito nos Alpes, que deve ser solucionado com 64 km de rocha perfurada para conectar Fortezza, na Itália, a Innsbruck, na Áustria. A obra será o tunnel de base du Brenner, destinado à circulação de trens. A promessa é reduzir um segmento que antes levava até 1h40 para apenas 35 minutos.

Do Douglas DC-4 ao low-cost: Paris–Roma também encurtou pelos ares

Naturalmente, entre 1957 e hoje, Paris e Roma também se aproximaram pela via aérea. Depois de voos iniciais em Douglas DC-4 (aeronave a hélice), que nos anos 40 exigiam mais de 4 horas, a chegada do jato, a abertura à concorrência na Europa e, por fim, a explosão das companhias low-cost mudaram completamente os fluxos.

Atualmente, com diferentes empresas operando, há mais de 25 voos diretos por dia, considerando os três aeroportos parisienses (CDG, Orly e Beauvais). Somadas, as companhias nacionais Air France e ITA Airways respondem por cerca de 10 a 12 voos diários. O trajeto dura por volta de 2 horas, para cobrir uma distância em torno de 1 100 km - em vez de 1 425 km por estrada (mais de 15 horas ao volante).

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