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IPO da SpaceX: 555,6 milhões de ações a US$ 135 e avaliação de US$ 1.770 bilhões

Homem de terno analisando gráficos no laptop em escritório com lançamento de foguete ao fundo.

Os números oficiais finalmente foram confirmados: 555 milhões de ações a US$ 135 cada, para uma avaliação de US$ 1.770 bilhões. A abertura de capital (IPO) da SpaceX está prestes a mudar o patamar do mercado financeiro.

Números da IPO da SpaceX e o que foi enviado à SEC

A SpaceX protocolou um aditamento junto à SEC, o órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, fechando os últimos detalhes da oferta pública inicial que se aproxima. Ao todo, 555,6 milhões de ações Classe A serão colocadas no mercado a US$ 135, enquanto a empresa mira uma avaliação total na casa de US$ 1.770 bilhões.

Com esse porte, a companhia estrearia no pregão já como a sétima maior empresa dos EUA, à frente de Berkshire Hathaway e Tesla.

SpaceX, Nasdaq 100 e um recorde de captação

A captação prevista deve ultrapassar US$ 80 bilhões - um recorde global, bem acima do marco anterior da Saudi Aramco. Para acomodar uma listagem desse tamanho, o próprio Nasdaq ajustou suas regras: a SpaceX teria permissão para entrar no seleto Nasdaq 100 após apenas 15 dias de negociação, quando normalmente esse processo leva meses.

Poder de voto de Elon Musk e a governança após a IPO

Mesmo depois da operação, Elon Musk seguirá com 82,4% do poder de voto. Um controle praticamente absoluto, que lhe dá margem para eleger ou afastar a maioria do conselho de administração conforme sua conveniência. Caso a IPO ocorra como planejado, a fortuna de Musk poderia cruzar o símbolo dos US$ 1.000 bilhões - algo inédito na história.

Marte, a IA e o verdadeiro plano de Musk

Elon Musk não esconde a ambição. O objetivo final é criar uma colónia de 1 milhão de pessoas em Marte. O Starship entraria como o meio de transporte humano, enquanto a inteligência artificial (IA) ficaria encarregada de organizar a vida no planeta.

A fusão entre SpaceX e xAI, concluída em fevereiro, é apresentada como parte desse desenho maior. Antes disso, porém, a empresa teria de colocar em órbita milhares de data centers - uma iniciativa que, hoje, é considerada inviável do ponto de vista técnico.

O contraste entre o plano declarado e a engenharia financeira é forte. Dos US$ 80 bilhões a serem levantados, mais de três quartos já estariam comprometidos antes mesmo de a ação começar a ser negociada. O dinheiro serviria para amortizar dívidas e cumprir obrigações assumidas na fusão com a xAI. No fim, menos de US$ 18 bilhões ficariam de facto disponíveis para bancar os projectos práticos da empresa.

Nossa análise

Em 2025, a SpaceX gerou perto de US$ 16 bilhões em receita, com uma margem operacional fora da curva, impulsionada pelo Starlink e por contratos com o governo. Um negócio eficiente, que muitos investidores queriam ver finalmente na Bolsa.

O problema é que a empresa que vai a mercado já não é exactamente a mesma. Depois da fusão com a xAI, a SpaceX passa a carregar também uma startup de inteligência artificial que consome bilhões, mas ainda traz receitas muito modestas. Para alguns analistas, colocar uma empresa espacial altamente rentável lado a lado com uma operação de IA deficitária na mesma IPO embaralha a mensagem e infla a avaliação de forma artificial.

Tanto que parte dos investidores já sinalizou que não colocará dinheiro na IPO, por considerar que a companhia está cara. Para Musk, seria a aposta mais arriscada e, ao mesmo tempo, a mais ambiciosa da sua carreira.

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