A urgência de substituir os antigos Leclerc e o cenário de tensão com a Rússia levaram a França a identificar um tanque de transição. Batizado de CAPINT, o projeto reúne competências alemãs e francesas em um único veículo.
Por que a França precisa de um tanque de transição
As Forças Armadas francesas precisam de uma resposta rápida. Os tanques Leclerc, em operação desde os anos 1990, devem sair de serviço até 2038. O problema é que o programa criado para assumir esse papel está atrasando - e muito.
Chamado MGCS (Main Ground Combat System), o sistema foi pensado para substituir, de forma conjunta, os Leclerc franceses e os Leopard 2 alemães, com entrada em serviço prevista inicialmente entre 2040 e 2045. Porém, em abril, a ministra das Forças Armadas, Catherine Vautrin, reconheceu no Parlamento que o projeto acumula quase 10 anos de atraso. Diante desse bloqueio, Paris decidiu iniciar um programa temporário. O movimento favorece a KNDS, um dos principais grupos europeus de defesa terrestre, formado em 2015 a partir da fusão da francesa Nexter com a alemã Krauss-Maffei Wegmann.
Resultado da colaboração franco-alemã
Foi justamente esse grupo que apresentou o CAPINT, um tanque concebido para equipar o Exército francês enquanto o MGCS não se concretiza. Com um chassi alemão, ele traz um motor a diesel de 1 500 cavalos, o que garante maior mobilidade. “Reunimos capacidades francesas e alemãs em soluções únicas e totalmente integradas, concebidas, desenvolvidas e sustentadas por uma única empresa. Isso demonstra nossa capacidade de transformar a cooperação industrial europeia em capacidades concretas para nossos clientes”, afirma Jean-Paul Alary, CEO da KNDS.
Torre ASCALON e testes de tiro
Sobre essa base, o veículo recebe uma torre francesa chamada ASCALON, não tripulada, equipada com um canhão de alma lisa de 120 mm com carregamento automático. O conjunto já passou por validações, com cerca de 300 disparos realizados em ensaios, incluindo uma campanha de tiros dinâmicos bem-sucedida em janeiro, em Portugal.
Arquitetura digital aberta e cronograma
Além disso, o sistema conta com uma arquitetura digital aberta, planejada para permitir a conexão com veículos robóticos. O grupo espera entregar as primeiras unidades nos anos 2030.
Contexto explosivo
O anúncio ocorre em um momento decisivo para a defesa europeia. A ameaça russa está levando governos do continente a reforçar suas capacidades militares, especialmente porque Donald Trump demonstra uma relutância crescente em apoiar a defesa do Velho Continente. Nesse cenário, rearmar-se deixou de ser uma alternativa e passou a ser uma necessidade para muitos países.
Por enquanto, o CAPINT segue como um projeto desenhado para atender às exigências específicas da França. Ainda assim, a KNDS também o apresenta como um passo na direção do futuro tanque europeu comum.
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