A própria Mazda deve ter-se feito uma pergunta muitas vezes: por que motivo alguém se daria ao trabalho de escolher um 6 quando há um Ford e um VW suficientemente bons, com tamanho parecido, formato semelhante e preço na mesma faixa? A resposta vem em forma de números bem convincentes. Com 1,405kg, o totalmente novo 6 é leve (cerca de 100kg a menos do que um Mondeo equivalente), promete 67.3mpg com o câmbio manual de 6 marchas (9.6mpg a mais do que o Ford), emite 108g/km de CO2 (11g/km a menos do que o Passat) e, precisamente por pesar pouco, faz o motor de 148bhp levar o carro a 62mph em bons 9.0secs - 0.8secs mais rápido do que o VW.
Números do Mazda 6: peso, consumo e emissões
Boa parte destas marcas vem de um pacote de soluções que a Mazda agrupou sob o guarda-chuva SkyActiv. Na prática, a eficiência não aparece só num indicador; ela está espalhada por todo o projecto. Para referência em métrica, estes 67.3mpg equivalem a aproximadamente 23,8 km/l.
SkyActiv e i-ELOOP: as soluções por trás da eficiência
O motor 2.2-litre turbodiesel de dois estágios usa uma taxa de compressão incrivelmente baixa, de 14:1 (o que significa menos esforço para o motor e, por isso, a possibilidade de usar componentes internos mais leves). Há ainda, como opcional, um sistema de regeneração de travagem com capacitor chamado i-ELOOP, que alimenta os sistemas eléctricos para que o motor não precise fazê-lo.
Além disso, a carroçaria ficou mais rígida e mais leve, o que dá ao sedã uma chance real de se comportar bem em curvas.
Comportamento dinâmico do Mazda 6: firmeza sem desconforto
A suspensão é relativamente firme, mas não chega a sacudir; e, para um sedã grande, há pouquíssima inclinação da carroçaria. Ao mesmo tempo, quando o asfalto piora, o conjunto continua permissivo. A direcção tem um peso bem acertado, e as relações de marcha são curtas - sem exageros desportivos que atrapalhem a vida em rodovia. Quando se aumenta o ritmo, dá para tirar prazer genuíno ao volante.
Deixando o Mondeo de lado, era o tipo de sensação que imaginávamos ter desaparecido sem volta dos sedãs médios, sobretudo dos mais eficientes.
Design e proporções: o “quatro portas cupê” e rodas de 19-inch
Se você tiver olhos, vai tirar a sua própria conclusão sobre o visual novo do 6; nós achamos que ele ficou bem elegante. Ao estacioná-lo ao lado de um Passat ou de um Mondeo, o perfil de “quatro portas com jeito de cupê” destaca-se, nem que seja pela diferença. A partir das versões intermediárias, entram também as rodas de 19-inch, que acrescentam uma dose extra de esportividade ao olhar.
Então é um concorrente de verdade? Sim, mas… continua a ser um Mazda. E isso, por si só, parece impor um desenho interno profundamente inerte. Não é que o habitáculo passe sensação de barato ou desagradável (a maioria dos pontos de toque é macia e agradável), e o conjunto multimédia é competente (principalmente com o opcional sistema Bose de 11-speaker), mas tudo é terrivelmente sem graça - ainda mais quando se pensa na ousadia do exterior.
Deixando o interior sonolento à parte, trata-se de um carro muito bom. Ele contorna curvas muito melhor do que um Passat, gasta menos combustível do que um Mondeo (o mais limpo faz 65.7mpg, cerca de 23,3 km/l) e envolve mais o condutor do que ambos. É divertido o suficiente até para incomodar BMWs e Mercedes de entrada, e ainda entrega bem mais pelo dinheiro.
O ponto é que ele ainda é um Mazda grande, então só vai comprá-lo quem for excessivamente bem servido de bom senso.
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