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Audi S e-tron GT: teste completo

Carro esportivo Audi S Etron GT branco exibido em ambiente interno com iluminação suave.

A Audi S e-tron GT é um fenômeno elétrico de respeito. Com DNA de pista, ela entrega diversão sem pedir licença - mesmo que isso signifique abrir mão de algumas gentilezas do dia a dia. E está confirmado: ainda assim, a gente se divertiu muito ao volante.

Ela parece ter faltado às aulas de física. O que mais impressiona a bordo da Audi S e-tron GT é a estabilidade em curvas. O chassi faz a curva praticamente sem rolar, até em um grampo fechado feito em velocidade alta. A direção entende as exigências do motorista e devolve uma trajetória precisa, fiel ao comando. A sensação é de estar colado no chão, confiante em qualquer tipo de asfalto. A tração integral do sistema Quattro completa o pacote para maximizar a aderência.

A menos que você saia de curva acelerando como se não houvesse amanhã, não há espaço para sobresterço. Os 591 cv são entregues de forma muito bem controlada, evitando patinação. E para entrar no próximo contorno, tudo continua fácil, com um pedal de freio de resposta simples de dosar. Nada de truque eletrônico: a S e-tron GT abre mão do freio regenerativo para permitir modular “nas pastilhas”. E funciona.

680 cv e 0 a 100 km/h em 3,6 segundos: é “fake news”?

Com o Launch Control ativado, a potência sobe para até 680 cv. Pé esquerdo no freio, pé direito cravado no acelerador, solta - e o carro dispara. Por alguns milissegundos, a visão embaça, enquanto o cérebro tenta acompanhar o cenário passando em modo acelerado. Depois de um fact-checking relâmpago, dá para admitir: o 0 a 100 km/h prometido em 3,6 segundos não era “fake news”. Há carros ainda mais brutais como estilingue, mas já está mais do que bom.

Na prática, também não dá para usar toda essa força em vias públicas, onde os limites de velocidade cortam qualquer exagero. Aí, a troca natural é sair do Dynamic e ir para o Confort. A suspensão a ar amolece, mas sem transformar a carroceria em um sofá. Com rodas de 21 polegadas, o acerto segue firme, como era de se esperar. Os bancos, ao mesmo tempo rígidos e envolventes, não ajudam.

O desafio das lombadas: quando a cidade vira um pesadelo

A S e-tron GT ainda tropeça em outro ponto. Com 4,99 metros de comprimento e 1,97 metro de largura, ela exige atenção extra no uso urbano. Se manobrar SUVs grandes já é rotina, a esportiva acrescenta um obstáculo bem brasileiro: as lombadas. Quando são altas demais - o que acontece com frequência -, ela acaba raspando, mesmo com a suspensão pneumática na posição mais elevada.

Resultado: você passa a encarar cada redutor de velocidade com desconfiança, e a vida na cidade deixa de ser tranquila. A visibilidade também não é das melhores, com colunas largas e vidros pequenos. E não conte com as câmeras: a imagem é bem pouco nítida. A falta de um modo One Pedal pesa, ainda mais porque a regeneração é muito discreta, inclusive no modo Confort. Definitivamente, a cidade não é o habitat dela.

Habitabilidade e porta-malas: o ponto fraco previsível?

Ela também não é exatamente um carro fácil de conviver. O espaço interno é limitado e os porta-objetos são minúsculos. Atrás, falta folga, e o lugar do meio praticamente não serve, já que os assentos laterais são bem envolventes. E melhor não tomar o porta-malas como referência: a abertura é extremamente limitada por uma tampa estreita, quase “caixa de correio”, enquanto os 350 litros de volume decepcionam pelo tamanho do carro.

Tela pequena e acabamento sem brilho: o interior ficou para trás?

O compartimento dianteiro de 77 litros, por sua vez, vira basicamente o lugar dos cabos de recarga. No habitáculo, a sensação é parecida: há pouco para celebrar. A montagem é correta, embora alguns plásticos duros destoem. A central multimídia com tela de 10,1 polegadas parece pequena para os padrões atuais, e a interface já não tem cara de novidade. A boa notícia é que o conjunto de comandos de ventilação é separado, o que melhora a ergonomia.

Já o painel de instrumentos de 12,3 polegadas, altamente configurável, está totalmente em dia. É o principal destaque de um interior que prefere a esportividade à tecnologia. Em viagens longas, porém, ela convence: a condução semiautônoma não assusta e o conforto passa a ser satisfatório. No modo Efficiency, o carro baixa a altura, ajudando no consumo.

Autonomia e arquitetura 800 V: a viajante incansável

Na estrada, os 22 kWh/100 km em rodovia permitem viajar com tranquilidade. A aerodinâmica realmente faz diferença aqui - e, perto de um SUV, a comparação é cruel. A bateria de 105 kWh garante então mais de 450 km de alcance antes de recarregar. E, nesse tema, a S e-tron GT também não sofre: a base de 800 V viabiliza recargas em alta potência.

Recarga rápida: boa, mas hoje atrás das chinesas

Pico de 270 kW em corrente contínua (DC) já não assusta como antes, mas ainda fica bem acima da média. Ir de 10 a 80% leva 18 minutos. É claro que as chinesas podem provocar, carregando ainda mais rápido e por menos dinheiro. Mas elas ainda não têm, por enquanto, a aura que a S e-tron GT projeta. Também tendem a levar vantagem em equipamentos. A alemã não é fraca, mas paga o preço de um projeto mais antigo.

Head-up display? Pequeno e sem realidade aumentada. Bancos? Só com aquecimento e ventilação. Condução semiautônoma? Sem troca automática de faixa. GPS? Bom e com planejador confiável, porém com fluidez abaixo do ideal. Faróis a laser? Impactam de início, mas o alcance não impressiona tanto quanto se esperava. Detalhes difíceis de engolir diante do valor cobrado.

**Audi S e-tron GT ou Porsche Taycan: o dilema a 16400

0€**

A S e-tron GT parte de 13700 0650 0€… o que já é salgado. E não pense que os itens citados vêm de série. Com todos os opcionais, a nossa unidade de teste chega a 16400 0600 0€. O prazer ao dirigir justifica? Não exatamente - e nem o visual, por mais bem resolvido que seja. Por esse valor, a tendência seria correr para a Porsche e fechar uma Taycan na hora, que ainda pode desvalorizar menos do que a Audi. Mas, ao que parece, falar de dinheiro no luxo é falta de classe. Então, silêncio…

Nossa opinião sobre a Audi S e-tron GT

Ela acelera sem perder o fôlego, contorna sem vacilar e encara viagens sem reclamar. A Audi S e-tron GT é impressionante em vários aspectos. Só que o preço de entrada alto faz nascer a cobrança por mais. Um pacote tecnológico mais forte e um conforto mais refinado seriam bem-vindos para que ela virasse, de fato, uma unicórnio.


Audi S e-tron GT Quattro

13700 0650 0€

Nota: 7

Verdict

7.0/10

Gostamos

  • As linhas deslumbrantes
  • O prazer ao dirigir no ponto certo
  • Desempenho de bom nível
  • Consumo contido na estrada

Gostamos menos

  • Acabamento apenas razoável
  • Conteúdo tecnológico envelhecido
  • Conforto bem rígido
  • Cabine apertada

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