Apresentado em 2017 e já com mais de 330 mil unidades comercializadas, o Citroën C3 Aircross passou pelo clássico restyling de meia-vida em 2021 - e fomos conferir, na prática, o que realmente mudou.
Em um segmento em que a disputa só aumenta, o Citroën C3 Aircross investiu em um visual renovado e em mais tecnologia, resultando em um facelift mais marcante do que o normal.
E isso, claro, é uma boa notícia para quem considera este crossover. Mas ele avançou o bastante para encarar os “reis” da categoria, o Peugeot 2008 e o Renault Captur? A compra faz sentido?
No visual, o C3 Aircross atualizado passou a adotar a nova assinatura da marca francesa, introduzida em 2020 no C3 e inspirada no protótipo CXPERIENCE.
Na prática, isso aparece em uma frente redesenhada, com para-choque novo, uma grade central inferior maior e faróis reformulados (mais estreitos), que agora também ficam integrados a uma pequena grade superior.
A possibilidade de personalização segue como uma das bandeiras do modelo - a proposta é ser tudo, menos sem graça. Isso aparece tanto por fora quanto na cabine. Ainda assim, o que mais chama atenção é o reforço tecnológico e o cuidado com o conforto, que já era um dos pontos fortes antes do facelift.
Os bancos Advanced Comfort, já conhecidos do C5 Aircross (maior), são os grandes responsáveis - e, sem exagero, fazem diferença. Em relação ao anterior, eles ganharam mais 15 mm de espuma e usam uma combinação de materiais com densidade mais alta.
Atrás, há espaço para (quase) todo mundo, até porque este segue entre os mais espaçosos do segmento. Quem vai no banco traseiro pode deslizar o assento para frente ou para trás, encontrando uma posição bem confortável, com bastante área para pernas e joelhos. Outro detalhe interessante: as janelas traseiras abrem completamente.
Por outro lado, em largura o modelo não se sobressai diante dos concorrentes diretos. E, como ocorre em praticamente todas as opções do segmento B, o lugar traseiro (central) não é suficiente para levar um terceiro adulto com conforto.
Falando em espaço, vale entrar no porta-malas: o volume varia entre 410 l e 520 l, dependendo da posição dos bancos traseiros.
De todo modo, a capacidade é sempre satisfatória. Para referência, o Peugeot 2008 oferece 434 litros e o Renault Captur com motor a combustão tem 422 litros.
A motorização certa?
O C3 Aircross é vendido com motores Diesel e gasolina. A unidade que eu testei trazia o quatro cilindros em linha 1.5 BlueHD, com 120 cv e 300 Nmi, combinado a um câmbio automático de seis marchas.
Este é o Diesel mais forte da linha e, como a maioria dos rivais, trabalha apenas com tração dianteira. Ainda assim, é possível contar (como opcional) com um sistema de controle de tração com diferentes programas e com um assistente para descidas mais exigentes.
Voltando ao motor desta unidade, ele se sai bem na maior parte do tempo. É um conjunto relativamente cheio e com uma faixa de uso ampla o suficiente. Porém, em alguns momentos pareceu um pouco áspero, tanto na sensação ao acelerar quanto no nível de ruído.
A principal distância em relação às versões a gasolina aparece mesmo no consumo: a marca francesa declara média de 5,1 l/100 km. Nos dias em que fiquei com ele, rodei muitas vezes na «casa» dos 5 l/100 km, mas ao devolvê-lo na Citroën o computador de bordo indicava 6,2 l/100 km.
Ainda assim, é importante lembrar que esse número veio de um uso misto, com trechos urbanos e também um pouco de rodovia.
E, se a ideia for usar o carro em viagens mais longas e rodar muitos quilômetros por semana - muitos deles fora da «selva urbana» -, então este Diesel passa a fazer ainda mais sentido.
Na estrada, o conforto manda
Apesar da potência, o desempenho está longe de empolgar: o sprint de 0 a 100 km/h acontece em 10,1s e a máxima é de 188 km/h.
Então, se a sua prioridade for encontrar um SUV/crossover do segmento B voltado para performance, vale procurar outra alternativa. O foco do C3 Aircross está em espaço, conforto e versatilidade - e são justamente esses atributos que costumam pesar nesse mercado.
E o conforto é, de fato, a primeira coisa que se percebe ao volante. Como um bom Citroën, o C3 Aircross se destaca nesse quesito, mesmo sem mudanças na suspensão (pelo menos nenhuma anunciada pela Citroën).
Ainda assim, a chegada dos bancos novos citados acima ajudou muito. Eles são largos, fáceis de acessar e oferecem muitos ajustes. Tudo isso aumenta a sensação de comodidade, embora falte apoio lateral para segurar o corpo quando o ritmo sobe.
No fim das contas, ele segue entre os mais confortáveis da categoria. A sensação de tranquilidade só é quebrada pontualmente pelo ruído e por algumas vibrações vindas do motor.
E nas curvas?
O C3 Aircross continua como uma das opções mais altas do segmento e, somando isso ao acerto de suspensão voltado ao conforto, seria natural esperar uma inclinação de carroceria bem evidente nas curvas.
Mas, curiosamente, fiquei positivamente surpreso com o trabalho dos engenheiros da marca francesa, que conseguiram lidar relativamente bem com esse ponto. A rolagem existe, é verdade, porém é bem controlada. E, a não ser que você adote uma condução mais agressiva, dificilmente vai perceber.
Já a direção está longe de ser comunicativa a ponto de mostrar com precisão tudo o que se passa. Mas, felizmente - e ao contrário do que ocorre com muitos rivais -, ela não «abusa» da assistência.
Versatilidade é palavra de ordem
Os sistemas Grip Control e Hill Descent Control, citados antes, já entregam o recado: o C3 Aircross não foge de um trecho fora de estrada.
Não espere encarar lama pesada ou obstáculos com desníveis muito grandes, até porque a altura do solo é de apenas 17,8 cm. Ainda assim, uma estrada de terra ou pequenas subidas com pedra solta não intimidam este modelo, que aqui se diferencia claramente de um hatch comum.
E isso só reforça a proposta versátil deste crossover do segmento B, que não disfarça o lado aventureiro - basta reparar nas proteções plásticas nos para-choques e nas caixas de roda.
É o carro certo para si?
O estilo divertido e aventureiro pode não agradar a todos, mas é o grande chamariz do modelo. Ele segue entregando versatilidade e conforto em nível do que há de melhor no segmento. Soma-se a isso o bom espaço, tanto no banco traseiro quanto no porta-malas.
Com uma lista de equipamentos bem completa, o C3 Aircross evoluiu bastante com este restyling e ganhou recursos que trazem mais confiança nesta «guerra» cada vez mais intensa entre os SUVs do segmento B.
Mas a missão está longe de ser simples. Além de enfrentar modelos como Peugeot 2008 e Renault Captur, ele ainda convive com dois rivais internos bem fortes: o C3 e o C4.
E ainda existe a questão do motor. Para um uso majoritariamente em rodovia ou vias rápidas, com muitos quilômetros por dia, a diferença entre gasolina e Diesel pode se justificar - a favor dos Diesel, claro.
Mesmo assim, pode ser mais interessante considerar a versão 1.5 BlueHDi de 100 cv, que custa quase dois mil euros a menos do que a que eu testei.
Porém, se a quilometragem semanal for baixa e o uso ficar mais concentrado em ambiente urbano, faz mais sentido escolher um motor a gasolina que, apesar de ser mais «guloso», tende a ser mais barato. De um jeito ou de outro, com a motorização alinhada às necessidades de cada um, este C3 Aircross segue como uma alternativa interessante.
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