Perua ou Tourer Esportivo? O nome ainda incomoda
Perua. O que há de tão errado nessa palavra? Nós gostamos de peruas. Quase sempre elas são mais prazerosas de conduzir do que os utilitários-esportivos que muita gente acaba levando para casa no lugar delas. E, quando bem resolvidas, também passam a mensagem certa no visual: a ideia de que dá para ter tudo ao mesmo tempo - dinâmica caprichada, espaço suficiente para viver e uma silhueta elegante e alongada. Para nós, “perua” não tem nada de depreciativo. Então por que a Vauxhall insiste em chamar de “Tourer Esportivo”?
A explicação passa pelo passado. Havia o antigo Vauxhall Astra Estate - e as muitas gerações de Astra Estate antes dele - com um desenho tão quadradão que, bastava trocar o vidro da traseira e eliminar as portas de trás e pronto: surgia um Astravan. O Astra Estate era carro de frota, de trabalho. Era, sem disfarce, a roda sem graça do comércio.
Porta-malas e versatilidade para carga (de verdade)
No novo modelo, a devoção a transportar volumes grandes continua firme - como quem vive levando materiais de exposição volumosos de uma feira para outra pelo país. O compartimento de carga tem piso plano e, em certas condições, fica até maior do que o de uma perua Insignia: isso se você for ao extremo de trocar o estepe por um kit de reparo/enchimento e ainda deixar as almofadas do banco traseiro “morando” no escritório.
E não é só uma questão de litros no papel; é espaço fácil de usar. Há uma cobertura de porta-malas bem aproveitável e as travas elétricas dos encostos ajudam quando é preciso reconfigurar a cabine sem esforço.
Design: uma perua que não parece “carro de frota”
Ao mesmo tempo, para quem não vive de planilha de frota, o carro surpreende por ser realmente bonito. A tampa traseira desce com uma curvatura sofisticada; as lanternas contornam as quinas como se “escorregassem” pelas laterais; e existe uma linha de cintura passando sobre os arcos das rodas traseiras que, no ângulo certo, chega a ficar quase insinuante.
Há mais um ponto a favor: o Astra novo, na carroceria hatch, ficou grande demais para o que entrega. Ele é comprido sem ser generoso por dentro. Já o Tourer Esportivo resolve essa equação, liberando o espaço que faltava sem jogar fora os outros atributos do carro.
Dinâmica, direção e conforto ao rodar
E quais são esses atributos? O primeiro é simples: ele anda bem. Nesta versão SRi, o conjunto tem chassi bem controlado. Em curvas, segue com autoridade, avançando de forma precisa e com boa absorção pelas estradas que são complicadas o suficiente para divertir - mesmo quando não se tem muita potência à disposição.
O porém está na direção. Ela obedece ao que você aponta, mas a sensação é eletrónica demais. Ou seja: transmite muito pouco do que está a acontecer nas rodas.
O conforto também merece elogio, inclusive com o acerto SRi e rodas relativamente grandes. É um salto enorme em relação ao Astra antigo. E, além disso, é silencioso. A cabine figura entre as melhores do segmento: bem montada, sem truques desnecessários, mas longe de ser sem graça.
Motores: escolha com cuidado
Na hora de decidir a motorização, vale atenção extra. O 1.4 Turbo entrega 140 cv e faz isso com uma civilidade acima da média. Por enquanto, porém, ele é o topo entre os a gasolina. A GM ainda está a pelo menos um ano (ou mais) de lançar os novos motores a gasolina com injeção direta que possam bater de frente, em potência e economia, com o Ford EcoBoost e os 1.6 da Mini/Peugeot/Citroën.
Os outros motores a gasolina do Astra sofrem num carro com este peso. Se a prioridade for desempenho e você tolerar um pouco mais de vibração e ruído, a recomendação é partir para os diesel 1.7 ou 2.0. Só que, a partir daí, a conta começa a subir…
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