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Bel encerra o Babybel Maxi após 70 anos e investe 60 milhões de euros no Mini Babybel

Mulher em jaleco e touca segurando bandeja com queijos Mini Babel em fábrica de laticínios.

Setenta anos nas prateleiras e, então, sai de cena. Sem alarde, o grupo Bel decidiu encerrar a fabricação do seu Babybel histórico e direcionar 60 milhões de euros para o caçula da marca.

A decisão é definitiva: o Babybel mais antigo some do varejo. O Babybel Maxi, um bloco de queijo de 200 gramas, foi descontinuado pelo grupo Bel. Os formatos grandes de Cousteron e Port-Salut também deixam de ser produzidos na unidade da Sarthe. A linha de queijos de massa prensada da fábrica passa por uma reorganização completa. Setenta anos de trajetória no setor de queijos encerrados discretamente, sem comunicado oficial.

Por que o Mini Babybel tomou o lugar do Babybel Maxi

O responsável? O Mini Babybel, que literalmente canibalizou o irmão mais velho. Embora tenha chegado às prateleiras bem depois do formato original, foi ocupando espaço aos poucos - até dominar. Hoje, o Mini Babybel aparece nos corredores dos supermercados, em lancheiras e em piqueniques em mais de 50 países, espalhados por cinco continentes. Um sucesso enorme.

E o que explica tamanho apelo? O grupo destaca a ideia de “snack saudável por excelência”: um queijo feito com 98% de leite e protegido por uma pequena casca de cera, prática e divertida, o que faz o produto ir muito além do consumo infantil. Em outras palavras, o Mini Babybel também virou uma opção de lanche para adultos, muito escolhida tanto para a pausa no escritório quanto para trilhas. Esse posicionamento como snack simplesmente não existia no formato Maxi.

60 milhões de euros e uma fábrica em plena transformação

Com a demanda disparando, a Bel reformulou totalmente o portfólio - e não só isso. O grupo também redesenhou sua estratégia de investimento e de produção. Assim, a fábrica de Sablé-sur-Sarthe, que já produzia 4 000 toneladas de Mini Babybel, recebeu desde novembro 2025 uma segunda linha de produção (antes planejada para os Estados Unidos), capaz de acrescentar mais de 10 000 toneladas, com investimento de 60 milhões de euros e início de operação previsto para o fim de 2026.

Empregos e estratégia de produção “multilocal”

O complexo, com 600 funcionários, ocupa 12 hectares e comemorou 60 anos em 2024. Havia área suficiente para instalar essa nova linha em um prazo tão curto - um trunfo logístico importante para o grupo. A fábrica de Évron, no departamento de Mayenne, permanece como a maior produtora mundial de Mini Babybel.

Para dar conta do aumento de volume, a unidade terá de renovar metade do quadro até 2030, o que implica perto de 300 contratações. Trata-se de um desafio social relevante para a região.

A escolha de produzir na França, e não nos Estados Unidos, foi cuidadosamente ponderada. Afinal, o Mini Babybel também é fabricado na Eslováquia, no Canadá e em Brookings, no estado de Dakota do Sul. Essa estratégia “multilocal” ajuda o grupo a se proteger das tarifas alfandegárias implementadas pelo governo Trump: produzir na Europa para atender a Europa e produzir na América do Norte para abastecer o mercado americano.

E a embalagem no meio disso tudo?

Fica a pergunta incômoda: e o plástico? A embalagem individual do Mini Babybel é alvo de críticas de defensores do meio ambiente. Por isso, a Bel definiu como meta chegar a 100% de embalagens recicláveis ou compostáveis em casa até 2030. Testes já estão em andamento, inclusive para substituir o alumínio usado em outros carros-chefe, como o Kiri, por um papel impermeável à água, ao ar e à gordura - capaz de cumprir as rigorosas normas sanitárias da indústria de alimentos.

O Babybel Maxi, portanto, viveu 70 anos. Nada mau para um queijo. Mas, na indústria de alimentos - como em outros setores - chega um momento em que os antigos precisam abrir espaço para os mais novos.

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