Para voltar a ser relevante na Europa, a Nissan decidiu acelerar e mexer onde mais dói: na gama. Após anos a perder espaço num dos mercados mais disputados do mundo, a marca japonesa aposta numa renovação ampla dos seus modelos como caminho para recuperar fôlego.
Hoje, a Nissan tem 2,3% de quota de mercado na Europa (incluindo o Reino Unido e países da EFTA), número que acompanha uma queda de cerca de 10% nas vendas até abril, face ao mesmo período do ano passado. A meta é clara: chegar aos 3% no mercado europeu e atingir 5% no Reino Unido, que segue como o principal bastião da marca na região.
Vale lembrar que, não faz assim tanto tempo, a Nissan chegou a passar a barreira dos 4% de quota na Europa. Desde então, porém, o cenário tem sido de desgaste contínuo. Em declarações à Automotive News Europe, Massimiliano Messina - responsável da marca para uma região alargada que inclui Europa, África, Índia, Médio Oriente e Oceânia - admitiu que a Nissan “perdeu algum brilho” nos últimos anos.
Mesmo assim, o executivo mantém a confiança numa virada. Para alcançar os 3% na Europa, a receita proposta é direta: lançar mais depressa e ampliar o leque de modelos. “Estamos focados no crescimento”, resumiu.
A ofensiva elétrica
O regresso ao crescimento na Europa passa, de forma decisiva, pela eletrificação. A nova geração do Nissan Leaf já entrou em produção e já está, inclusive, disponível para encomenda em alguns mercados europeus, incluindo Portugal, dando o pontapé inicial nesta nova etapa da estratégia da marca.
A este modelo soma-se aquele que deverá ser um dos pilares da ofensiva elétrica da Nissan: o novo Nissan Juke elétrico, cuja produção deverá arrancar até ao fim deste ano na fábrica de Sunderland, no Reino Unido.
Numa fase posterior, em 2027, está previsto o lançamento de um pequeno modelo elétrico desenvolvido em parceria com a Renault - e baseado no Twingo elétrico - que vai reforçar a presença da Nissan nos segmentos de entrada
De acordo com a marca, esta renovação deverá bastar não só para cumprir as metas de emissões na Europa, como também para reconquistar clientes perdidos nos últimos anos. Ainda assim, Messina reconhece os desafios: “ainda temos algum trabalho pela frente”.
Pressão chinesa
A pressa da Nissan explica-se, em parte, pela pressão crescente dos fabricantes chineses. As marcas chinesas já representam quase 10% das vendas de automóveis na Europa e seguem a avançar, sobretudo entre os elétricos. Diante desse novo cenário, a Nissan quer fortalecer a sua posição antes que a concorrência fique ainda mais dura.
O mais curioso é que os próprios chineses podem entrar na equação como parte da solução: a marca não descarta a hipótese de alguns modelos desenvolvidos em parceria com a Dongfeng poderem vir a ser vendidos na Europa.
Nos últimos 12 meses, a joint-venture entre as duas empresas deu origem a vários modelos eletrificados para o mercado chinês, incluindo SUV disponíveis em versões 100% elétricas e com extensor de autonomia. Por enquanto, no entanto, não existe confirmação oficial de que esses modelos venham a chegar ao mercado europeu.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário