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Rússia inclui UAV Navigation do Grupo Oesía em lista ligada a drones na guerra da Ucrânia

Homem verifica drone tecnológico em mesa de escritório moderno com colegas trabalhando ao fundo.

A guerra da Ucrânia acrescentou, na última semana, um novo fator de tensão para a Espanha e para outros países europeus. O Ministério da Defesa da Rússia, sob liderança de Andrey Belousov, colocou a UAV Navigation - subsidiária do grupo espanhol Grupo Oesía, sediada em San Sebastián de los Reyes - numa lista de empresas associadas à produção de drones e de componentes considerados essenciais para o esforço de guerra da Ucrânia.

Lista russa e recado à opinião pública europeia

Na visão de Moscou, esse tipo de sinalização segue uma lógica de dissuasão, num contexto em que a indústria europeia de defesa tem ampliado o apoio a Kiev. Essa tendência é reforçada por múltiplos acordos estratégicos de cooperação entre empresas europeias e a Ucrânia na área de tecnologia militar.

O comunicado do Ministério da Defesa russo também teve como alvo a opinião pública em países europeus, ao afirmar que os cidadãos “devem compreender claramente as verdadeiras causas das ameaças à sua segurança”, além de conhecerem os endereços das empresas que favorecem a Ucrânia.

A ameaça foi direcionada a doze países (10 da União Europeia, Reino Unido, Israel e Turquia) e a um total de 21 alvos militares.

Dmitri Medvedev, atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, declarou que a lista de empresas europeias deveria ser entendida “literalmente” como uma relação de “alvos potenciais” para as Forças Armadas russas. E ampliou o tom de intimidação ao escrever “que os ataques se materializem dependerá do que acontecer a seguir. Durmam bem, parceiros europeus!

UAV Navigation (Grupo Oesía) no foco de Moscou

No caso espanhol, a atenção recai sobre a UAV Navigation, empresa do Grupo Oesía especializada em soluções de guiagem, navegação e controle para sistemas não tripulados. Segundo Moscou, a subsidiária localizada na Comunidade de Madri estaria ligada à produção de componentes para drones usados pela Ucrânia - em especial receptores de radionavegação por satélite – GSS signal receivers. A agência estatal TASS afirma que os componentes fabricados pela UAV Navigation são “usados por Kiev para atacar a Rússia”.

Risco de conflito híbrido e resposta do Grupo Oesía

Embora um ataque militar direto a instalações em países da União Europeia e/ou da OTAN seja considerado altamente improvável, dada a escalada que isso implicaria, a ameaça russa pode ser enquadrada em outros cenários de conflito híbrido. Nesse quadro, o risco para empresas do setor envolveria operações encobertas voltadas a perturbar o funcionamento normal, enfraquecer a percepção de segurança e desestimular que outras companhias iniciem, mantenham ou ampliem a cooperação com Kiev. Essas iniciativas poderiam combinar ciberataques, sabotagens, infiltração junto a pessoal-chave, interrupções em cadeias de suprimentos ou campanhas massivas de desinformação.

Com a aplicação de métodos híbridos de guerra contra as empresas citadas, a Rússia reduziria a capacidade militar ucraniana e, ao mesmo tempo, se beneficiaria da negação plausível típica de ações encobertas, evitando envolver diretamente outros países ocidentais no conflito.

Diante da ameaça russa, o Grupo Oesía divulgou, na quinta-feira passada, um comunicado no qual ressaltou o “trabalho conjunto” realizado com o governo espanhol, além do compromisso com o cumprimento regulatório:

A UAV Navigation, companhia do Grupo Oesía, desenvolve e comercializa suas soluções tecnológicas de uso dual em estrito cumprimento da regulamentação vigente e dentro do trabalho conjunto com o governo espanhol, no marco do compromisso com a União Europeia”, afirmou a empresa dirigida por Luis Furnells.

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