Com um anúncio que representa um novo patamar em apoio militar, o Reino Unido vai fornecer 120 mil drones às Forças Armadas da Ucrânia ao longo de 2026, no que é descrito como o maior pacote de sistemas não tripulados entregue até agora. A medida, confirmada pelo Ministério da Defesa britânico, tem como objetivo ampliar de forma significativa a capacidade operacional ucraniana diante do aumento da pressão russa na linha de frente.
Coordenação internacional em Berlim
A confirmação do envio ocorre ao mesmo tempo em que o secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, viaja a Berlim para copresidir a 34ª reunião do Grupo de Contato para a Defesa da Ucrânia, que reúne 50 países. O encontro conta com figuras centrais, como o ministro da Defesa da Alemanha, Boris Pistorius, o ministro ucraniano Mykhailo Fedorov e o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, em um fórum considerado essencial para alinhar e coordenar o suporte internacional a Kiev.
Detalhes do pacote de 120 mil drones
O pacote prevê a entrega de mais de 120 mil drones, incluindo sistemas de ataque de longo alcance, plataformas de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR), drones logísticos e capacidades marítimas não tripuladas - todos já empregados e validados em combate no teatro ucraniano. As remessas começaram em abril e devem seguir ao longo do ano, refletindo o peso crescente desses meios nas operações.
Esse contexto se evidencia, por exemplo, pelo volume recente de ataques: em março de 2026, a Rússia lançou aproximadamente 6.500 drones de ataque contra a Ucrânia, reforçando o papel central que esse tipo de tecnologia passou a desempenhar no conflito.
Tekever, Windracers e Malloy Aeronautics no programa
Apesar de o governo britânico não ter divulgado os modelos específicos, o plano inclui a participação de empresas do Reino Unido como Tekever, Windracers e Malloy Aeronautics. Isso indica uma composição que deve combinar soluções ISR, drones de ataque e sistemas logísticos de alta capacidade, com foco em atender demandas variadas - do reconhecimento ao apoio direto ao sustentamento das forças na frente.
No histórico recente de fornecimentos, a Malloy, que é uma subsidiária da BAE Systems, já havia enviado à Ucrânia drones utilitários T-150. Em paralelo, operadores ucranianos acumulam mais de 50.000 horas de voo com o AR3, da Tekever, utilizado em missões de inteligência, vigilância e reconhecimento. Com base nesse aprendizado, a empresa trabalha atualmente no AR3 Evo, uma versão aprimorada que incorpora lições extraídas diretamente do conflito.
Desde 2023, a Windracers também vem operando na Ucrânia com sua plataforma autônoma Ultra, apresentada como um sistema de uso dual para carga pesada e com capacidade de apoio aéreo de longo alcance. Esse drone bimotor é capaz de levar mais de 150 kg de carga útil e atingir um alcance superior a 1.080 milhas náuticas (2.000 km), consolidando-se como um recurso importante para missões logísticas em ambientes operacionais exigentes.
Ajuda militar britânica de 3 bilhões de libras em 2026
O envio dos drones integra um plano mais amplo de assistência militar do Reino Unido, avaliado em 3 bilhões de libras para 2026. Além dos sistemas não tripulados, o pacote inclui o fornecimento de centenas de milhares de projéteis de artilharia e milhares de mísseis de defesa aérea. Em conjunto, essas ações reforçam o compromisso britânico com a defesa e a soberania da Ucrânia, em coordenação com aliados internacionais.
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