Para estrear sua primeira proposta com propulsão eletrificada, o Maserati Ghibli Hybrid, a marca italiana juntou um motor 2,0 litros a gasolina de quatro cilindros (o mesmo usado nos Alfa Romeo Giulia e Stelvio) a um sistema elétrico que atua como alternador/motor de partida - embora o arranque convencional continue presente para partidas a frio - e também a um compressor elétrico. O resultado foi uma revisão profunda do conjunto.
Além disso, ele recebeu um novo turbocompressor e uma gestão eletrônica totalmente recalibrada. Esse retrabalho exigiu atenção especial em pontos como a sincronização entre o compressor elétrico e o motor de partida/gerador.
No fim, o quatro-cilindros entrega 330 cv e um torque máximo de 450 Nm, disponíveis às 4000 rpm. Ainda assim, o engenheiro-chefe Corrado Nizzola prefere enfatizar a forma como esse torque aparece: “quase mais importante do que o valor máximo é o facto de logo às 1500 rpm estarem 350 Nm às ordens do pé direito do condutor”.
O sistema de hibridização leve (mild-hybrid) dá suporte ao motor a gasolina por meio de uma rede adicional de 48 V (com uma bateria dedicada na traseira) que alimenta um compressor elétrico (eBooster). A função é criar pressão de sobrealimentação até o turbocompressor ganhar rotação suficiente, reduzindo ao máximo o atraso típico de resposta do turbo (o chamado “turbolag”).
Atualizações no visual
Antes de partir para o teste, vale contextualizar que, nesta fase revisada e aprimorada, o Ghibli passa a contar com uma nova grade dianteira - com acabamento cromado na GranLusso ou preto brilhante (piano) na GranSport. Atrás, a mudança mais perceptível está no novo conjunto de lanternas, descrito como tendo um desenho em formato de bumerangue.
Há ainda detalhes decorativos em azul-escuro tanto na parte externa (as três entradas de ar tradicionais na lateral dianteira, as pinças de freio Brembo e o raio no logotipo do pilar) quanto no interior (as costuras dos bancos).
Os bancos dianteiros em couro trazem reforço no apoio lateral. O volante de proposta esportiva inclui aletas de troca de marcha em alumínio, e os pedais são de aço inoxidável. Já as colunas e o teto recebem revestimento em veludo preto, para criar um clima mais exclusivo e com toque esportivo.
Conectividade em outro nível
No console central, há uma alavanca de câmbio atualizada e os comandos dos modos de condução, além de um botão giratório duplo em alumínio forjado para controlar o volume do áudio e outras funções.
A central multimídia é inédita, baseada no Android Auto, e exibe os dados em uma tela 16:10 de 10,1” (antes era 4:3 de 8,4”). Ela é de alta resolução, sensível ao toque, com visual mais contemporâneo (quase sem moldura ao redor) e com gráficos e software “deste século” - mesmo que o navegador ainda não ofereça informações de trânsito em tempo real atualizadas.
Também existe conectividade via aplicativo para smartphones e smartwatches (relógios), além de integração com assistentes domésticos (Alexa e Google). Outra adição é o carregamento sem fio para celulares.
O sistema de som pode ser o padrão (Harman Kardon com oito alto-falantes e 280 W) ou dois opcionais: Harman Kardon Premium (10 alto-falantes, com um amplificador de 900 W) ou um Bowers & Wilkins Premium Surround (15 alto-falantes e amplificador de 1280 W).
Outro avanço relevante aparece no aumento de recursos de assistência ao motorista - uma área em que a Maserati esteve cerca de uma década atrás de seus rivais diretos, sobretudo os alemães.
Em materiais, revestimentos e nível de acabamento, o Ghibli segue fiel ao que se espera da Maserati, com os tradicionais detalhes sofisticados. Exemplo disso é o couro nos bancos e os painéis com a assinatura Ermenegildo Zegna (combinando couro de grão fino com inserções de fibra de seda 100% natural). Assim, fica mais fácil viver la bella vita.
Na segunda fileira, o espaço é bom em comprimento e altura, apesar da silhueta de cupê da carroceria, mas o carro é, na prática, indicado para apenas dois ocupantes atrás. Quem for no meio viaja muito desconfortável, tanto por o assento central ser mais estreito e rígido quanto pela presença de um grande túnel de transmissão no assoalho (algo típico em carros com tração traseira).
O porta-malas tem 500 litros (menos que os rivais diretos Audi A6, BMW Série 5 e Mercedes-Benz Classe E) e um formato bem regular, embora não seja muito profundo.
Motorização competente do Maserati Ghibli Hybrid
Rodando, o Ghibli Hybrid agrada já nos primeiros metros, com trocas iniciais muito suaves. Fica claro que a integração com o câmbio automático ZF de oito marchas é um dos pontos-chave da agilidade deste sedã de quase duas toneladas - algo que, à primeira vista, parece mais compatível com motores maiores e com mais cilindros.
E, se a ideia é elevar o nível de exigência, basta selecionar o modo Sport para acelerar de 0 a 100 km/h em 5,7s e seguir até a velocidade máxima de 255 km/h.
Clientes mais exigentes poderiam temer que a perda de dois cilindros deixasse o Ghibli Hybrid com um “timbre de voz” agudo demais. No modo Sport, isso não acontece nem um pouco (no Normal ele fica mais discreto, com comportamento sonoro mais típico de quatro cilindros) e sem recorrer a amplificadores. O efeito vem do ajuste da dinâmica dos fluidos do escapamento e da adoção de ressonadores.
Equilíbrio dinâmico
Para que um sedã esportivo realmente brilhe aos olhos do motorista exigente - justamente o público-alvo - o comportamento em estrada é decisivo. Uma escolha acertada foi separar os modos de condução das calibrações dos amortecedores eletrônicos de variação independente (Skyhook). Assim, dá para manter o chassi em Comfort (reduzindo movimentos laterais e longitudinais da carroceria) e, ao mesmo tempo, deixar o motor “com os músculos tensos”.
Em trechos mais sinuosos, a dianteira fica mais leve com o motor menor, o que ajuda ao diminuir a tendência à subesterçagem. A direção também contribui para a evolução do comportamento, transmitindo melhor como as rodas dianteiras estão se relacionando com o asfalto e eliminando parte das reações mais “nervosas” que eram conhecidas na região central do volante.
Por outro lado, é positivo notar que, no modo Sport, a precisão realmente melhora, indo bem além de apenas aumentar o peso do volante por meio da assistência elétrica. Mesmo não sendo exatamente um Porsche em eficiência quando a exigência sobe, o resultado final ainda é bastante satisfatório.
Os modos de condução - ICE (Controle e Eficiência Aumentados), Normal e Sport - são, de fato, bem distintos. Isso permite que o Ghibli se ajuste a diferentes tipos de estrada e ao humor do motorista, destacando personalidades diferentes.
Novo patamar de entrada
Mesmo que isso não seja o tipo de prioridade que tire o sono de quem compra um carro de 96 000 euros, o consumo médio não é absurdamente alto, ficando perto de 12 l/100 km (embora, claro, bem acima da média homologada de 9,6 l/100 km).
Por sua vez, a Maserati anuncia emissões de CO2 25% menores do que as do V6 a gasolina e equivalentes às do V6 Diesel - que passa a fazer menos sentido ao custar 25 000 euros a mais do que este Hybrid. Com isso, ele se torna o novo degrau de acesso à linha Ghibli e o único a custar menos de 100 000 euros.
Especificações técnicas
| Maserati Ghibli Hybrid |
|---|
| MOTOR |
| Arquitetura |
| Capacidade |
| Distribuição |
| Alimentação |
| Potência |
| Binário |
| TRANSMISSÃO |
| Tração |
| Caixa de Velocidades |
| Chassis |
| Suspensão |
| Travões |
| Direção / N.º de voltas |
| Dimensões e Capacidades |
| Comp. x Larg. x Alt. |
| Entre eixos |
| Bagageira |
| Depósito |
| Peso |
| Pneus |
| Prestações, Consumos, Emissões |
| Velocidade máxima |
| 0-100 km/h |
| Travagem 100km/h-0 |
| Consumo misto |
| Emissões CO2 |
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário