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Armada da Colômbia amplia a frota com rebocadores Damen Stan Tug 1606 e o ARC “Ciénaga de Naya”

Oficial naval em uniforme branco segurando documentos ao lado de navios ancorados em porto durante o dia.

Novos rebocadores Damen Stan Tug 1606 na Armada da Colômbia

A Armada Nacional da Colômbia decidiu aumentar a sua frota com a compra de dois novos rebocadores de baía do modelo Damen Stan Tug 1606. Mesmo com essa aquisição, vale destacar que a Corporação de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento da Indústria Naval, Marítima e Fluvial (COTECMAR) já constrói um rebocador pensado para as necessidades específicas dos portos colombianos, com atributos que permitem variar equipamentos e tipos de atuação conforme a demanda. Isso levanta a pergunta: por que optar por contratar um estaleiro na China quando seria possível impulsionar um desenvolvimento equivalente dentro da Colômbia?

Batismo do ARC “Ciénaga de Naya” e destino em Bahía Málaga

Apesar desse contexto, uma das unidades já foi incorporada e receberá o nome ARC “Ciénaga de Naya”, com número de casco 76, sendo identificada pelo indicativo de chamada 5KSA. A embarcação será empregada na Base Naval ARC “Málaga”, localizada em Bahía Málaga, no departamento de Valle del Cauca. Entre as funções previstas estão o apoio às manobras de atracação e desatracação de navios de maior calado, além de reforçar ações de segurança e controle no ambiente marítimo.

Durante a cerimônia de batismo da unidade ARC, conduzida pelo almirante Juan Ricardo Rozo Obregón, comandante da Armada da Colômbia, ele afirmou: “este projeto começou em 6 de novembro de 2024 nas instalações do estaleiro Damen Shipyards Changde, na República Popular da China, com a construção de dois rebocadores no valor de vinte e oito bilhões de pesos (aproximadamente 8 milhões de dólares), onde foram realizados a montagem estrutural e a instalação de seus sistemas, equipamentos e componentes, atendendo aos mais altos padrões de qualidade, de segurança e de desempenho operacional. Essas duas unidades passam a integrar a frota como um novo meio naval destinado a fortalecer as capacidades de apoio e assistência nas manobras.”

Especificações e tripulação do ARC “Ciénaga de Naya”

O ARC “Ciénaga de Naya” ficará sob comando do tenente de corveta César Daniel Macías Martínez e contará com uma equipe composta por quatro suboficiais. O rebocador tem comprimento (eslora) de 16,76 m e largura (boca/manga) de 5,94 m; o seu calado máximo varia entre 2,25 m e 2,31 m.

Em termos de desempenho, a embarcação atinge velocidade máxima de 10,9 nós, o que corresponde a aproximadamente 20 km/h. A capacidade de armazenamento inclui 14,2 m³ de combustível e 1,1 m³ de água potável. Para navegação e comunicações, traz equipamentos atuais, como radar, ecobatímetro (ecossonda) e rádio VHF.

Nome, integração na Força Naval do Pacífico e meios associados

A denominação “Ciénaga de Naya” faz referência a um dos ecossistemas mais emblemáticos do Pacífico. A unidade passa a integrar a Força Naval do Pacífico, que reúne diversos meios navais de superfície e submarinos. Entre os navios citados nesse conjunto estão a corveta ARC “Nariño” (CM-55), a patrulheira ARC “Punta Ardita” (CP-147), além dos navios ARC “CN Medardo Monzón Coronado” (BB-41) e ARC “Bahía Málaga” (CP-41).

Essas embarcações respondem por tarefas como garantir segurança e defesa, transportar suprimentos, prestar apoio operacional e logístico, oferecer assistência em portos e executar missões de busca e salvamento, com o propósito de proteger a soberania nacional.

Parceria com a Damen, dúvidas no processo e o contraste com a COTECMAR

Embora exista uma colaboração comercial longa entre a Armada da Colômbia e a Damen - especialmente no desenvolvimento da Nueva Fragata Colombiana PES - a escolha da empresa para essa construção é apontada como feita sem uma justificativa técnica, financeira ou de transferência de tecnologia suficientemente clara. Por isso, o procedimento acabou envolto em dúvidas, diante da falta de transparência sobre o método, os estudos e o critério usado para selecionar a companhia.

Nesse mesmo sentido, e como já mencionado, a COTECMAR também dispõe na Colômbia de um rebocador com características comparáveis ao adquirido pela Armada. O Remolcador de Apoyo Logístico Multipropósito (Offshore Tug) de porto oferece capacidade de tração de 20 toneladas (20 TBP) e foi concebido para apoiar outras embarcações, realizar reboques de longa distância, combater incêndios, operar âncoras e movimentar carga. O projeto inclui tecnologia avançada em sistemas de rádio, navegação e monitoramento.

Quanto às dimensões e capacidades, esse rebocador tem 37,47 m de eslora, 13,50 m de manga e 4,93 m de calado, alcançando 12 nós de velocidade. Possui tanque de 300 m³ de diesel e reservatório de 70 m³ de água potável. Além disso, um ponto favorável do equipamento fabricado pela COTECMAR é o ajuste às necessidades específicas das bases navais colombianas, com possibilidade de alterar o desenho para incorporar equipamentos particulares.

A disponibilidade desse rebocador oferecido pelo estaleiro colombiano evidencia, portanto, uma percepção de falta de lógica e coerência nas decisões: em vez de fortalecer desenvolvimentos nacionais, os contratos acabam direcionados a empresas estrangeiras. Também fica a dúvida sobre quanto teria custado apenas o transporte da China até Buenaventura, e espera-se que as explicações necessárias sejam apresentadas, evitando que - como ocorre em muitos processos - o caso seja alvo de questionamentos por suspeitas de corrupção e tráfico de influência.

Fotografias: Armada da Colômbia.

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