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Porsche Macan: atualização até 2025 e elétrico em desenvolvimento

Carro azul Porsche Macan 2022 exibido em salão moderno com piso cinza e paredes de vidro.

Na rotina de qualquer empresa, há decisões que pesam - especialmente quando envolvem transformar completamente um produto que dá muito dinheiro. Esse é o caso do Porsche Macan, com 600 000 unidades vendidas desde a estreia da primeira geração, em 2014, e mantendo margens de lucro sempre saudáveis.

Há dois anos, quando o diretor-executivo da Porsche, Oliver Blume, afirmou que a marca não teria mais motores Diesel, parte da rede de concessionárias reagiu com desconforto. O motivo era claro: muitos clientes europeus preferiam os SUV Diesel da Porsche, apesar de a China ser o maior mercado do Macan.

Mais recentemente, voltou a surgir o risco de insatisfação interna e também entre muitos clientes caso se confirmasse que o sucessor do Macan teria apenas uma configuração 100% elétrica - cenário que levou a um ajuste de estratégia. Assim, o Macan atual permanecerá no portfólio da Porsche até meados desta década (2025), recebendo pequenas atualizações no visual externo e uma nova geração de sistema operacional na cabine, para seguir competitivo no mercado.

Muda mais por dentro do que por fora

Do lado de fora, as mudanças são discretas: o SUV médio ganha leves revisões na dianteira (em preto), um novo difusor traseiro e passa a oferecer, de série nas três versões, faróis de LED com funcionamento dinâmico.

Já no interior, a evolução é bem mais marcante, com a chegada de uma nova geração do sistema de infoentretenimento. Quase todos os botões foram substituídos por comandos táteis na nova tela central de 10,9”, agora com um sistema operacional atualizado. Essa nova configuração de console central também incorpora um seletor de transmissão redesenhado (sempre a automática PDK, de sete marchas, com dupla embreagem).

O volante multifuncional, com proposta mais esportiva, também é novidade ("emprestado" do novo 911). Ainda assim, a Porsche não foi até o fim na renovação ao optar por manter o quadro de instrumentos analógico diretamente à frente do motorista.

Motores ganham rendimento

Na parte mecânica, aparecem mudanças relevantes. O quatro-cilindros 2.0 l (o preferido no mercado chinês) recebe mais 20 cv e 30 Nm, chegando a 265 cv e 400 Nm. Esse ganho ajuda a baixar a aceleração de 0 a 100 km/h para 6,2s e eleva a velocidade máxima a 232 km/h (contra 6,7s e 225 km/h do modelo anterior).

Um nível acima, o Macan S cresce ainda mais em potência: soma 26 cv e passa a entregar 380 cv, mantendo os mesmos 480 Nm de antes. Com isso, reduz 0,7s na aceleração de 0 a 100 km/h (de 5,3s para 4,6s) e aumenta a máxima de 254 km/h para 259 km/h.

No topo, o Macan GTS adiciona 60 cv, subindo de 380 cv para 440 cv - ganho que ajuda a cobrir o espaço deixado pela versão Macan Turbo, que saiu de linha. O GTS agora faz 0 a 100 km/h em 4,3s (antes, 4,9s) e alcança 272 km/h (261 km/h anteriormente).

Mesmo assim, como já ocorria com o Macan Turbo, o novo Macan GTS ainda terá dificuldade para encarar rivais como BMW X3 M/X4 M, Mercedes-AMG GLC 63 e até o Alfa Romeo Stelvio Quadrifoglio, que permanecem acima dos 500 cv de potência máxima.

A versão mais cara traz suspensão pneumática de série, reduzindo a altura do solo em 10 mm e deixando o conjunto mais firme (10% no eixo dianteiro e 15% no traseiro). Todos os Macan têm tração integral e, com exceção do modelo de entrada, contam com controle variável do amortecimento em cada roda (PASM). No Macan GTS, ainda é possível aumentar o apelo esportivo e a eficácia com o Pacote Sport, que inclui rodas de 21” com pneus mais esportivos, sistema de vetorização de torque Porsche Plus e o pacote Sport Chrono.

Elétrico em desenvolvimento

Em outubro, a geração atualizada do Macan começa a aparecer nas ruas, enquanto seguem, em paralelo, os testes dinâmicos do futuro modelo totalmente elétrico.

Depois das primeiras etapas de desenvolvimento em ambiente controlado, no circuito de testes de Weissach, em junho começaram as primeiras rodadas em vias públicas, com os SUV bem camuflados: “o momento de início dos testes em ambiente real é um dos mais importantes em todo o desenvolvimento”, garante Steiner. Além dos incontáveis quilômetros percorridos em simulações de computador, o Macan 100% elétrico acumulará cerca de três milhões de quilômetros reais até chegar ao mercado, em 2023.

O trabalho utiliza a nova plataforma elétrica PPE e já vem sendo conduzido há bastante tempo. “Começamos há cerca de quatro anos com os estudos aerodinâmicos em computador”, revela Thomas Wiegand, chefe de desenvolvimento de aerodinâmica. Como em qualquer veículo elétrico, a aerodinâmica é decisiva, já que até melhorias pequenas no fluxo de ar podem trazer bons resultados.

E não foi apenas a aerodinâmica - ou os primeiros milhares de quilômetros - que passaram pelo mundo virtual. O novo painel de instrumentos e a tela central também foram concebidos inteiramente em ambiente digital e, só depois, instalados nos primeiros painéis físicos. “A simulação permite-nos avaliar as telas, os processos operacionais e a resposta geral do sistema mesmo antes de o posto de condução estar pronto e de o colocarmos nas mãos de um engenheiro de testes no veículo”, explica Fabian Klausmann, do departamento de Experiência de Condução da Porsche.

Steiner destaca ainda que “tal como o Taycan, o Macan elétrico terá prestações tipicamente Porsche graças à sua arquitetura de 800 V, o que quer dizer uma autonomia adequada para viagens longas, carregamentos rápidos de alto desempenho e performances dinâmicas de nível muito alto”. E reforça a promessa de que este será o modelo mais esportivo do seu segmento - algo que, hoje, não acontece na linha atual a gasolina diante de uma concorrência alemã muito bem equipada.

O trem de força elétrico (da bateria ao motor) exige um conceito sofisticado de refrigeração e controle térmico, bem diferente do que se aplica em carros com motor a combustão. Enquanto estes trabalham de forma ideal entre 90 ºC e 120 ºC, na propulsão elétrica os principais componentes (eletrônica, bateria etc.) “gostam” de temperaturas mais baixas, entre 20 ºC e 70 ºC (dependendo do componente).

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

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