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Teste do Renault Clio RS 200: um novo RS à altura?

Carro hatch vermelho Renault trafegando em estrada com céu nublado e colinas ao fundo.

Um Clio RS novo? É bom que seja mesmo...

Você já está a pensar: será que este novo RS, agora com motor 1,6 litro turbo, trocas por borboletas e cinco portas obrigatórias, consegue entregar a mesma dose de emoção do último? O anterior parecia um carrinho de turismo em miniatura, com bancos concha, carroçaria própria, para-lamas alargados e apenas as portas indispensáveis. E tinha um fôlego quase épico, esticando cada marcha e cada nota alta do motor 2,0 litros aspirado. Era a definição do hatch esportivo clássico.

O que a Renault tentou fazer com o novo Clio RS

Então eles tentaram deixar este ainda mais atraente?

Depende do seu ponto de vista. O pessoal de negócios da Renault reparou no crescimento constante das vendas de hatches esportivos e, em vez de focar no “miolo” do nicho, resolveu atacar as bordas. Traduzindo: concluíram que o modelo antigo era especializado demais. Faltava versatilidade. E que o novo precisava agradar a mais gente.

Isso não parece um bom sinal...

Não espanta que, no fim, ele passe a sensação de ser um carro bem diferente do que substitui. Visualmente, está mais “cheio”, mantendo praticamente a mesma silhueta do Clio comum da nova geração - com exceção sobretudo do spoiler dianteiro e da asa traseira. Ficou um pouco mais comprido e, o tempo todo, você sente o peso (e a presença) do par extra de portas, sem qualquer hipótese de “se livrar” delas.

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Câmbio de dupla embreagem, borboletas e modos de condução

E nada de câmbio manual mesmo?

Não, infelizmente. Sai o manual do RS antigo - de engates curtos e bem gostosos - e entra uma caixa de dupla embreagem. A Renault diz que as engrenagens “revezam” fisicamente em 150 milissegundos, mas o que interessa é o tempo entre você mandar e o carro obedecer. E, sim: fica ligeiramente lento demais... mesmo com o modo Corrida selecionado e as trocas ajustadas para o menor tempo possível. E, ao contrário de alguns DSG realmente afiados, você precisa conduzir sempre um passo à frente do câmbio. Numa parte do nosso percurso, travando forte em quarta para um grampo, o ecrã mostrava que ele tinha pré-selecionado quinta quando a terceira era claramente inevitável.

Dá para perceber que você não gostou.

Mais frustração do que raiva. Para piorar, há um bip irritante quando chega a hora de subir a marcha. Dá para aumentar o ponto em que o carro passa a “dar lição” ao motorista fuçando nos menus, mas... isto é um RS! Não precisamos de submenus sem fim nem de um milhão de modos de condução. O modo Esporte já resolve, embora a direcção ainda não entregue uma sensação tão natural quanto poderia. Era só acertar do jeito que a Renault sabe fazer - e pronto...

Desempenho: motor 1,6 turbo e força em baixa

Não pode ser tudo ruim. Pelo menos anda bem, certo?

Certo. E aqui aparece um ponto forte: um verdadeiro “fosso” de torque - 177lb ft já a 1,750rpm. Pode não soar como uma brutalidade, mas o turbo enche cedo, permitindo acelerar com mais vontade na saída de curva, ou fazer 0 a 100 km/h (0–62mph) em 6.7 segundos. O som também agrada: um ruído branco que corre pelo carro - entra no habitáculo por um duto de som - e sai lá atrás com uma tossida bem rasgada.

E o resto, dessas coisas de teste de estrada?

Vamos pelo chassi Esporte. Ele está mais macio do que o anterior: tanto as molas dianteiras quanto a viga traseira ganharam alguns milímetros extra de curso para cada 100kg de carga. O resultado é mais conforto do que antes, mas talvez com menos vontade de apontar o nariz para o ápice. Ainda assim, não é nenhum “moleirão”: continua brincalhão, e um novo conjunto de batentes hidráulicos inteligentes ajuda a controlar a extensão total de cada amortecedor.

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Chassi Esporte e versão Cup: o que muda no Clio RS 200

Ainda existe uma versão Cup?

Sim. Ela é mais firme que a Esporte, e as barras estabilizadoras são 15 por cento mais rígidas do que as do carro antigo. Pelo que deu para sentir em algumas voltas numa pista muito lisa, ela é mesmo mais agressiva - mas uma boa condução numa estrada do Reino Unido vai dizer mais (até as zebras eram bem suaves na pista, então não deu para avaliar o comportamento em quinas mais secas).

Interior, uso diário e veredito

Então devemos “lamentar” o fim do antigo?

Olhando só para ele, isoladamente, não é um carro ruim. É rápido e, pelo menos, agora parece um produto mais caprichado por dentro, com entretenimento por tela sensível ao toque, painel bem desenhado e mostradores de bom formato. Também é claramente mais fácil de conviver do que o anterior, mesmo que não deixe aquele gostinho de “quero mais”. Ainda assim, fica a sensação de que a Renault poderia ter separado melhor Esporte e Cup, atacando de verdade os dois extremos do mercado. Quem sabe manter os bancos Recaro bem fundos, ou oferecer um câmbio manual no Cup. Qualquer coisa que criasse uma diferença mais evidente entre as duas versões... e mantivesse os fiéis viciados em RS satisfeitos.

Veredito
Borboletas apenas medianas, suspensão mais suave e portas extra fazem com que o novo RS não seja o carro que já foi. Continua divertido, mas esperávamos mais. É pedir demais?

7/10

Especificações
1618cc, 4cyl, FWD, 197bhp, 177lb ft, 45mpg, 144g/km CO2, 0-62mph in 6.7secs, 143mph, 1204kg

Preço
£18,995

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