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Com o cancelamento do FCAS, concebido para entregar à Europa um caça de sexta geração, a Espanha passa a ter de procurar alternativas para assegurar o futuro da aviação de combate da sua Força Aérea e Força Espacial. O encerramento da iniciativa com França e Alemanha não significa apenas a queda do projeto aeronáutico europeu mais ambicioso das últimas décadas: ele também força Madri a revisar um plano de modernização que se apoiava fortemente no FCAS.
O que mudou com o cancelamento do FCAS
Anunciado em 2017, o FCAS uniu França, Alemanha e Espanha com a meta de criar um ecossistema de combate de nova geração: um caça tripulado, drones de escolta, sensores avançados e uma arquitetura digital conhecida como Nuvem de Combate. Porém, disputas entre a Dassault Aviation e a Airbus sobre liderança industrial, repartição de responsabilidades e domínio tecnológico acabaram minando um programa estimado em cerca de € 100 bilhões. Com notícias recentes de que os governos francês e alemão decidiram abandonar o projeto, a Espanha ficou sem a plataforma que sustentava boa parte do seu planejamento aeronáutico para as próximas décadas.
GCAP: a alternativa mais imediata para a Espanha
Nesse contexto, um dos caminhos mais relevantes para o governo espanhol seria avaliar a entrada no Programa Global de Aviação de Combate (GCAP), conduzido por Reino Unido, Itália e Japão para desenvolver um caça de sexta geração com previsão de entrada em serviço em 2035. O GCAP nasceu da convergência do projeto britânico Tempest com o programa japonês FX e vem sendo desenvolvido em parceria por BAE Systems, Leonardo e Mitsubishi Heavy Industries.
A proposta é entregar um sistema de combate aéreo de próxima geração centrado em uma aeronave furtiva, desenhada para operar de forma integrada com sistemas não tripulados e com outros ativos conectados em múltiplos domínios operacionais.
A hipótese de participação espanhola ganha peso diante do que a Itália tem sinalizado nos últimos meses. O governo italiano declarou publicamente interesse em ampliar o grupo de parceiros do GCAP para elevar o volume de investimentos, reforçar o desenvolvimento tecnológico e reduzir os custos envolvidos. Chegou-se a mencionar a possível adesão da Alemanha - um cenário que pode se tornar mais plausível após o colapso do FCAS. Para a Espanha, entrar em um programa já estruturado ajudaria a manter presença ativa no desenvolvimento de tecnologias aeronáuticas avançadas e a preservar parte das capacidades industriais que o país esperava construir com a iniciativa europeia.
Outras rotas: Suécia, Turquia e a via norte-americana
Uma alternativa diferente, embora com mais incertezas, poderia vir da Suécia. O governo sueco e a Saab trabalham hoje no programa Framtida Stridsflygsystem, criado para estudar e desenvolver o futuro substituto do Gripen. O plano prevê que um demonstrador tecnológico faça seu primeiro voo em 2027 e inclui o desenvolvimento de tecnologias para uma futura plataforma de combate capaz de atuar em conjunto com sistemas não tripulados. Ainda que o projeto esteja em estágio inicial e não configure formalmente um programa comparável ao GCAP, ele pode servir de base para uma cooperação internacional no futuro, caso outros países europeus passem a buscar alternativas após o fim do FCAS.
Também vale destacar que a Espanha tem histórico consistente na indústria aeroespacial europeia e, nas últimas décadas, mostrou compromisso com programas multinacionais de defesa como meio de acessar novas tecnologias e dividir custos de desenvolvimento. Dentro dessa lógica, cabe mencionar o fortalecimento recente da cooperação aeroespacial com a Turquia. A escolha do treinador avançado HÜRJET para substituir o Northrop F-5 e a adoção do sistema de planejamento de missão FSGP, da Havelsan, indicam uma política voltada à diversificação de parceiros e à busca de novas oportunidades de colaboração industrial - ainda que sem ligação direta com os atuais programas de sexta geração.
Por último, a alternativa norte-americana também entra no radar. A Força Aérea dos EUA avança no desenvolvimento do futuro caça Boeing F-47, pensado para ser o núcleo das suas capacidades de combate aéreo de sexta geração. Embora uma eventual aquisição de tecnologia dos Estados Unidos ofereça à Espanha acesso a recursos de ponta, isso também implicaria abrir mão, em grande medida, da participação industrial e tecnológica que se pretendia assegurar via FCAS. Nesse cenário, e com o programa europeu encerrado, o GCAP aparece hoje como a opção mais realista para a Espanha continuar no grupo restrito de países envolvidos no desenvolvimento da próxima geração de sistemas de combate aéreo.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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