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Dacia Sandero chega ao Reino Unido como o carro novo mais barato

Carro azul compacto em movimento em estrada asfaltada com vegetação ao lado durante o dia.

Preço e posicionamento do Dacia Sandero no Reino Unido

£6.000 compram muita coisa. Não exatamente luxo, é verdade, mas compram boa vontade e uma dose generosa de tolerância. Quando as entregas no Reino Unido começarem no fim de janeiro, o Dacia Sandero será o carro 0 km mais barato do país - e com folga. Ele custa mais de £1.000 a menos do que um Suzuki Alto ou um Nissan Pixo. E ainda é maior: quase do tamanho de um Golf.

Versões, equipamentos e onde a Dacia economizou

Com todas as críticas que dá para apontar - e existem algumas -, o fato de o modelo básico Access 1.2, 75bhp, sair por £5,995 é motivo de comemoração. Pena que eu não possa dizer como ele é ao dirigir, porque a Dacia só nos deixa testar a versão topo de linha, a 0.9 turbo na configuração Laureate. Essa, por sua vez, custa £8,795 e vem com navegação por satélite, rodas de liga leve, Bluetooth e vidros elétricos. Já o modelo de entrada fica com a pré-instalação para um rádio comprado por fora e com vidros de acionamento manual.

Tirando esses extras do nosso carro de teste, no essencial eles são iguais. Dá para notar, claro, onde o corte de custos aconteceu: plásticos ásperos, metais com aparência frágil, algumas bordas mais vivas nas portas, vincos simples no desenho e uma suspensão com componentes mais esguios. Ainda assim, o Sandero não passa a sensação de “caixa sem graça”. Ele parece honesto, com um certo charme, e nenhum desses defeitos é tão grande a ponto de afastar alguém do carro. Bem, com exceção de um ponto - que aparece já já.

Ao volante: comportamento, câmbio e ruído

A posição do banco fica bem alinhada com o volante, o que ajuda o carro a seguir em linha com segurança. Em curvas, ele não assusta, e em velocidade também não se torna barulhento demais. A maior falha dinâmica é o engate do câmbio: mesmo sendo ruim, não chega a ser um motivo para desistir da compra.

Segurança: a nota de 3 estrelas no Euro NCAP

Não: o problema principal é a nota esperada de três estrelas no Euro NCAP. A Dacia trata isso com uma tranquilidade quase despreocupada, como se não fosse relevante. Só que há uma coisa em que ninguém deveria ter de ceder: segurança. E quatro airbags, mais controle de estabilidade de série, não bastam para disfarçar o que parece ser uma estrutura de carroceria longe de estar entre as mais resistentes do mundo.

Motor 0.9 turbo (898cc), alternativa 1.5 diesel e a experiência “carro barato”

Seguindo em frente. O três-cilindros turbo de 898cc sofre um pouco, mesmo tendo apenas 962kg para movimentar, e a resposta do acelerador nem sempre é consistente. Por outro lado, isso faz parte da graça: a todo momento você lembra que está em um carro de baixo custo.

Ainda assim, seria injusto rotular o Sandero como se fosse um carro de locadora - embora, por sinal, ele seria um excelente carro de locação -, porque a maior parte dos compradores tende a ficar muito melhor atendida com o 1.5 diesel. Ele é mais refinado, não exige que você fique “esticando” o tempo todo e encara estrada e autoestrada com tranquilidade. O preço, porém, sobe mais £1.000.

Por que a Dacia vem ao Reino Unido e o que o mercado está dizendo

Curiosamente, é à Índia - onde o Sandero é fabricado - que devemos agradecer a chegada da Dacia ao Reino Unido. A lógica de escala fez com que vender carros com volante à direita só passasse a fazer sentido quando a Índia entrou na conta, mesmo com a Dacia esperando vender pouco menos de 20,000 carros por ano por aqui (o que a colocaria em nível parecido ao da Suzuki).

E o público britânico nem parece precisar de muita insistência. A Dacia já soma 1,700 pedidos antecipados, e as 149 concessionárias da Renault também vão vender Dacia - ainda que a marca não negue que isso possa funcionar como um plano de contingência caso as vendas da Renault caiam. De um jeito ou de outro, a Dacia chegou, e é bom ver isso acontecer.

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