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Ferrari registra patente de caixa manual eletrônica e reacende rumores

Carro esportivo vermelho Ferrari com faróis acesos em exposição, com desenhos técnicos de automóveis ao fundo.

Há mais de dez anos, a Ferrari deixou de lado as transmissões manuais. O último modelo da marca a oferecer três pedais foi o California; desde então, a fabricante nunca mais voltou a colocar em linha aquela base metálica com o clássico desenho em duplo “H” em nenhum carro de produção.

Ainda assim, esse retorno pode não estar tão distante. Depois de rumores circularem há algum tempo, eles ganharam novo fôlego com o registro de uma patente da Ferrari no United States Patent and Trademark Office (o órgão de patentes dos Estados Unidos).

De acordo com documentos divulgados pela CarBuzz, a Ferrari trabalha em um sistema eletrônico de seleção de marchas que busca recriar a experiência de um câmbio manual tradicional sem usar uma ligação mecânica direta com a transmissão e, conforme a própria patente descreve, também sem pedal de embreagem.

O que a patente sugere sobre o câmbio manual da Ferrari

A proposta, portanto, não aponta para um simples “voltar ao passado” com um câmbio manual convencional, e sim para uma solução que tenta preservar parte do ritual e da sensação tátil dos Ferrari antigos - mas apoiada em eletrônica e automação.

Como funciona esta caixa manual

Chamado internamente de “control tower”, o sistema parte de uma alavanca que se movimenta em uma grade visível de seis relações, acompanhada de uma esfera metálica e das ranhuras de metal tradicionais que marcaram a identidade de vários Ferrari das décadas de 70, 80 e 90.

Sem embreagem e sem ligação mecânica

A diferença é que, aqui, a alavanca não tem conexão física com a transmissão. Em vez disso, um pino instalado na base do seletor se comunica com uma unidade eletrônica de controle, que “lê” o movimento feito pelo motorista e envia os comandos correspondentes para uma caixa automatizada.

Para aproximar a sensação do “encaixe” típico das caixas manuais clássicas, a Ferrari usa roletes com molas sob a grade metálica. A resistência desses componentes pode ser regulada eletronicamente, o que permite simular o engate das marchas e até bloquear seleções inadequadas em determinadas velocidades - uma forma de proteger a transmissão.

Além disso, o conjunto traz quatro botões dedicados às funções marcha a ré (R), ponto morto (N), condução automática (D) e modo manual (M), oferecendo a possibilidade de alternar entre diferentes formas de uso.

Uma surpresa da Ferrari

A divulgação dessa patente aparece justamente quando aumenta a expectativa pelo anúncio que a Ferrari promete fazer em 4 de julho.

Em uma conferência com revendedores em Las Vegas, o CEO da marca, Benedetto Vigna, disse que viria um modelo capaz de combinar “algo do passado com uma visão para o futuro”, o que ajudou a alimentar especulações sobre uma edição especial e de produção limitada do 12Cilindri, conhecida como 12Cilindri MM.

A hipótese ganha ainda mais peso porque, em 2025, Gianmaria Fulgenzi, responsável pelo desenvolvimento de produto na Ferrari, reconheceu que a empresa avaliava a volta do câmbio manual em modelos muito exclusivos, próximos do universo Icona, atendendo a pedidos de alguns de seus clientes mais importantes.

Se as especulações se confirmarem, a Ferrari não estaria exatamente ressuscitando o câmbio manual clássico, mas apresentando um caminho híbrido entre tradição e tecnologia. Ainda assim, chama atenção o esforço da marca de Maranello para reforçar a ligação entre Homem e máquina.

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