A sensação de que estamos dirigindo pior
Estamos dirigindo pior? De cara, dá a impressão de que sim - não só pelas conversas que venho tendo, há meses, com outras pessoas, mas também pelo que encontro no dia a dia, atrás do volante.
A discussão quase sempre volta ao mesmo ponto: “parece que andam todos… despassarados” (sem precisar apelar a outras palavras mais grosseiras).
E muita gente aponta rapidamente uma suposta «causa» para essa decadência: os confinamentos pelos quais passamos por «culpa» da pandemia.
O efeito pós-confinamento e o “modo automático” ao volante
Não é que, antes da pandemia e de todas as restrições de circulação, o padrão de direção fosse exatamente exemplar - a falta de civilidade no trânsito é assunto antigo.
Só que, mesmo agora, com a vida novamente livre e já depois de bastante tempo desde o fim dos confinamentos, a quantidade de episódios e atitudes impensadas que eu e outras pessoas vemos na rua parece maior do que era.
É como se o sintoma “cabeça na lua” tivesse virado o mais comum: muita gente parece se desligar do que acontece ao redor, o que acaba em uma condução mais errática e, potencialmente, mais perigosa.
Por outro lado, talvez sejam os níveis de impaciência - mais altos do que nunca - que empurram decisões precipitadas. Ou, pior ainda, uma postura de simplesmente “não quero saber”, que se traduz numa direção estupidamente agressiva.
Comportamentos no trânsito que viraram rotina
Não se trata apenas daquela velha história de não usar a seta para mudar de direção ou em rotatórias e cruzamentos - um tema que já discutimos antes -, ou então usar a seta e achar que isso, por si só, dá prioridade.
Há outras cenas que tenho presenciado (e não sou o único) que às vezes me fazem pensar se mudaram as regras do trânsito e esqueceram de me avisar.
Nas rotatórias, por exemplo: quem já está circulando por dentro tem prioridade, certo? Começo a duvidar, de tão à vontade que vejo alguns motoristas entrando à «papo-seco», obrigando não só a mim, mas também a outros que já estão lá dentro, a frear para não bater.
A gente passou tempo demais ouvindo sobre “distância social”, mas quando estamos “protegidos” por uma ou duas toneladas de metal, vidro e plástico, parece que esquecemos que também existe distância de segurança - por que tanta gente insiste em “cheirar” o escapamento do carro da frente?
E usar o celular dirigindo? Já era um problema antes e dá a sensação de ter piorado depois. Já perdi a conta de quantas vezes vejo veículos à minha frente ocupando uma faixa e meia, ou quase, quase, quase batendo de frente com carros no sentido contrário.
E o que dizer dos entregadores montados em “aceleras”? Não é só o zigue-zague no meio do tráfego e as raspadas na nossa frente. As linhas contínuas parecem ser tratadas como arte urbana, e cada vez mais vejo gente fazendo retorno por cima da faixa de pedestres em vias com canteiro central, só para não precisar dar a volta numa rotatória que nem fica tão longe.
Infelizmente, não são apenas os motoristas. Também parece crescer uma espécie de “alergia” às calçadas em alguns pedestres e em quem pratica corrida e decide usar o acostamento, em vez da calçada logo ao lado. É questão de tempo até acontecer o pior.
Segurança viária além da velocidade
O debate sobre segurança viária costuma ficar dominado pelo excesso de velocidade e pelo consequente “plantio” de radares em todo canto, mas no cotidiano - nos deslocamentos rotineiros que eu faço e que muitos de vocês também fazem -, ao passar por certos acidentes, é fácil perceber que a velocidade não é a causa.
Dirijam com atenção e em segurança.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário