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Toyota C-HR GR Sport: teste completo do híbrido com visual esportivo

Carro SUV branco Toyota C-HR GR Sport em exposição dentro de showroom com piso brilhante.

Num segmento em que as opções com pegada realmente esportiva ainda são poucas, o Toyota C-HR GR Sport tenta entregar "o melhor de dois mundos".

De um lado, o pacote visual mais agressivo e os 184 cv o colocam mais perto de propostas de apelo esportivo como o Ford Puma ST - ainda que ele não seja um concorrente direto.

Do outro, o uso de um conjunto híbrido mantém o C-HR GR Sport interessante para quem prioriza eficiência e baixo consumo. A pergunta é: será que o japonês consegue agradar a "gregos e a troianos"? Para tirar a dúvida, já colocamos o modelo à prova.

Como (não) passar despercebido

Mesmo tendo chegado ao mercado em 2016 e já sendo uma presença relativamente comum nas ruas, o Toyota C-HR continua chamando atenção pelo design em meio aos rivais - e, na configuração GR Sport, isso fica ainda mais evidente.

Por dentro, os detalhes específicos também aparecem, com destaque para os bancos esportivos. Eles oferecem ótimo apoio lateral e têm um desenho bem resolvido, mas é difícil não notar que o assento poderia ser um pouco mais longo.

No restante da cabine, o painel ainda passa uma sensação atual e mantém algo que faz falta em muitos carros: comandos físicos, sempre práticos. A montagem e a qualidade dos materiais seguem o padrão elevado típico da Toyota, embora alguns componentes deixem claro que o C-HR já não é novidade no mercado.

Para começar, há poucos porta-objetos - e os que existem são pequenos. Além disso, o sistema de infotainment tem gráficos que parecem datados e ficam atrás do que se vê, por exemplo, no Toyota Yaris Cross.

Em espaço interno, o C-HR também não é referência no segmento. No banco traseiro, o espaço para as pernas é apenas razoável, e a combinação de portas altas com vidros menores não ajuda a melhorar a sensação de amplitude a bordo (como acontece no DS 3 Crossback).

A capacidade do porta-malas é outro lembrete de que o C-HR não foi pensado especialmente para famílias. Afinal, são 358 litros - menos que os 397 litros do Yaris Cross e bem distante dos 445 litros do Volkswagen T-Roc.

Não é só "fogo de vista"

Ao contrário do que acontece em algumas versões "temperadas" por aí, o C-HR GR Sport entrega um comportamento dinâmico que conversa com o visual mais esportivo.

Citamos o Ford Puma ST antes, mas a proposta japonesa não alcança o mesmo patamar de desempenho ou de esportividade. Ainda assim, o C-HR GR Sport não fica apenas no "fogo de vista", especialmente ao selecionar o modo "Sport" (também há "Normal" e "Eco", este mais indicado para uma condução tranquila).

O sistema híbrido reage rápido aos comandos e, embora o som não seja seu ponto forte (com a transmissão e-CVT não há como fazer milagres), o desempenho convence rapidamente quem está ao volante.

As acelerações vêm com uma agilidade agradável, e as retomadas permitem encarar ultrapassagens com segurança.

Mas é nas curvas que ele mais agrada. A direção se mostra precisa e direta (não é uma referência absoluta, porém chega perto disso), a suspensão controla bem os movimentos da carroceria sem sacrificar o conforto, e as qualidades da plataforma TNGA voltam a ficar claras.

E em ritmos mais calmos?

Se em um ritmo mais forte o Toyota C-HR GR Sport surpreende de forma positiva, quando a tocada fica mais leve ele continua indo bem: o 2.0 Hybrid Dynamic Force de 184 cv consegue ser elogiavelmente econômico.

Por coincidência da agenda, a maior parte dos quilômetros que rodei com o C-HR aconteceu longe do ambiente urbano - onde os híbridos costumam brilhar, e em que o modelo japonês consegue rodar em modo 100% elétrico por até 80% do tempo na cidade - e em velocidades relativamente altas. Ainda assim, devo dizer que o crossover da Toyota impressiona fora da própria "zona de conforto".

Quando devolvi o carro à Toyota, a média mostrada no computador de bordo era de 4,9 l/100 km - abaixo dos 5,3 l oficiais -, marca obtida mesmo com uma condução em que não deixei de explorar a "veia mais desportiva" do C-HR.

Em estradas e rodovias, o conjunto chama atenção pela suavidade na alternância entre o motor a combustão e o elétrico; já no uso urbano, a promessa de rodar até 80% do tempo em modo elétrico não fica longe do que acontece na prática.

O melhor é que nada disso exige preocupação com recargas, e o C-HR reforça como os híbridos convencionais ainda fazem sentido - não apenas para baixar o consumo, mas, consequentemente, reduzir emissões.

É o carro certo para mim?

Desde que foi lançado, o Toyota C-HR se destacou pelo estilo, e na versão GR Sport esse atributo aparece com ainda mais força.

Assim como em 2016, o C-HR segue longe de ser a escolha ideal para quem, como eu, precisa de mais espaço. Ele é mais indicado para quem quer se diferenciar no trânsito urbano e não faz questão de grandes argumentos de praticidade ou versatilidade.

Sem a pretensão de ser um rival direto do Ford Puma ST, a verdade é que o Toyota C-HR GR Sport surge como uma alternativa bem interessante, abrindo mão (em parte) de desempenho em troca de consumos com os quais a proposta da Ford só pode sonhar.


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