Há carros que muita gente simplesmente não leva a sério. O raciocínio costuma ser mais ou menos assim: é um subcompacto, portanto “de menina”, então não pode ser tão bom. Só que a virada representada pelo Golf GTI MkV abriu caminho para a VW redescobrir o seu lado esportivo - e, por isso, o Polo de desempenho merece, sim, ser considerado com mais atenção.
Design e presença do VW Polo GTI
A primeira coisa que qualquer pessoa procura é aquele apelo visual indispensável e, nesse ponto, o Polo acerta em cheio. A VW pegou emprestadas pistas importantes de estilo do Golf, e elas cumprem exatamente o papel que deveriam.
É na frente que a maior parte do trabalho acontece. O contorno em preto brilhante, a grade em padrão colmeia e a pequena faixa vermelha logo abaixo do emblema são praticamente “copiados” do Golf. Há também uma versão menor, de 16 polegadas, das rodas de liga leve Monza que vêm de série no irmão maior do Polo, além de uma versão compacta das saias laterais pretas que deixam o perfil mais encorpado. Na traseira, o Polo recebe ainda um discreto aerofólio no teto, um para-choque traseiro mais volumoso e duas saídas de escape.
Interior e acabamento do Polo GTI
O primeiro contato sugere que parte do DNA que tornou o novo Golf GTI tão superior pode ter chegado ao Polo - e por dentro a ideia continua. Os bancos esportivos, revestidos naquele tecido xadrez propositalmente retrô, são fundos e “abraçam” o corpo. O volante de três raios, com a sigla GTI em relevo, vem com couro e costuras vermelhas; esse mesmo detalhe aparece no freio de mão e na coifa da manopla curta do câmbio.
Ainda assim, continua sendo um Polo. Em comparação com o Golf, há uma diferença de qualidade perceptível e fica uma sensação de que este é um subcompacto básico que ganhou atitude quase como um complemento.
Ao volante: motor, câmbio e dinâmica
Essa impressão também aparece na condução. Para um 1,8 litro turbo, a potência é relativamente contida: 148bhp. O resultado é uma aceleração até 97 km/h em 8,2 segundos e uma velocidade máxima declarada de 216 km/h.
Um Fiesta ST com a mesma potência transmite bem mais disposição e agilidade; por outro lado, o Polo - mais “gordinho” e custando £2 mil a mais - compensa com o peso do emblema e um nível maior de refinamento. Mesmo assim, há uma imprecisão no engate das marchas que não combina com a proposta GTI, e a direção não tem a resposta imediata que se espera de um hot hatch pequeno. Os freios também passam uma sensação esponjosa, algo que só serve para derrubar a confiança quando se tenta andar forte em qualquer carro.
Concorrência: Fiesta ST e o novo Renaultsport Clio
O que realmente coloca o Polo GTI em xeque, porém, é a chegada iminente de um Renaultsport Clio totalmente novo e muito comentado. Ele deve custar o mesmo, aparentará uma qualidade mais convincente e ainda entregará 197bhp - exatamente o mesmo que o Golf GTI. Aí, sim, está um carro que vale a pena levar a sério.
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