Um mercado lotado - e onde o novo Kia Rio se encaixa
Existem por volta de 50 modelos diferentes entre os carros pequenos. Nesse cenário, como a maioria deles consegue, de facto, aparecer no topo da lista de alguém? Para um Polo ou um Fiesta, isso é simples: são de marcas muito conhecidas, com redes enormes de concessionárias, muitos clientes fiéis e, principalmente, são carros excelentes. Já o Rio antigo não era nada disso - ainda assim, em todos os anos, emplacava alguns milhares.
O Rio novo tende a herdar esse público, formado por gente que procura a garantia líder do segmento (comprando agora, ela só vai acabar quando já estiver quase em 2019) e pela fama de confiabilidade. Com isso, ele fica bem posicionado frente a superminis japoneses igualmente confiáveis - como Yaris e Jazz - e conversa diretamente com uma base de clientes típica: pessoas que se aposentaram e foram morar em cidades inglesas cujo nome termina em “-mouth”: Bourne, Teign, Tyne, Great Yar.
Essa história seria realmente irresistível se, a esta altura, eu pudesse dizer que o novo Rio foi muito além desse nicho e que é tão bom de conduzir quanto os líderes da categoria. Não é. Por outro lado, ele é suficientemente competente a ponto de, se alguém tirasse o seu Fiesta e colocasse este no lugar, você não sentiria que o mundo acabou.
Visual e cabine do Kia Rio: bem resolvidos, com detalhes curiosos
A aparência ajuda, claro. O carro tem linhas bem talhadas e, como o perfil lateral combina uma boa área de metal com uma faixa de vidro mais baixa, passa sensação de robustez. Além disso, a secção transversal em forma de pirâmide dá um ar mais actual e até levemente esportivo.
Por dentro, o conjunto também é organizado, com um toque diferente: uma fileira de “teclas” que lembram um cravo (harpsichord) para comandar parte das funções do ar-condicionado. É o tipo de recurso estilístico que merecia aparecer em mais pontos do habitáculo. Ainda assim, o Rio entrega bastante espaço e equipamentos pelo que custa.
E há uma infinidade de porta-objetos úteis - só que todos acabam perdendo parte do sentido por não terem revestimento antiderrapante. Na primeira rotatória, o seu telemóvel, o iPod e a barra de cereais vão atravessar o interior e parar no assoalho do passageiro.
Ao volante: ruído, direção e comportamento dinâmico
Curiosamente, para um carro desse tamanho, o Rio é mais irritante a cerca de 65 km/h (40 mph). Nessa velocidade, entra muito ruído de rodagem e a direção elétrica fica “pegajosa” na posição de centro, bem em torno do alinhamento recto.
Quando você sai desse ponto central, porém, a direção reage depressa e o Rio passa a parecer ágil. A suspensão, pelo menos com apenas eu a bordo, é um pouco agitada e seca, mas lida bem com ondulações maiores. Em auto-estrada, ele não gosta muito de ventos laterais. No geral, diverte, só que a dinâmica não tem a autoridade refinada de um Fiesta ou de um Polo.
Motores, consumo e versões: o destaque está no diesel de três cilindros
Eu conduzi a opção mais rápida de motor, um 1.4 a gasolina. A sensação foi de conjunto ainda “preso”, embora isso possa ser simplesmente porque o carro mal tinha passado do amaciamento.
A variante realmente interessante é o diesel de três cilindros, que no ciclo oficial chega perto de 90 mpg (aproximadamente 32 km/l). O preço também chama atenção: 12 mil libras, o que é considerável para um Kia pequeno sem ar-condicionado - mas, por outro lado, é uma pechincha para um eco-carro muito utilizável com 85 g/km.
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