A Renault 4 está oficialmente de volta - e não é só nostalgia. Depois de mais de 30 anos fora de cena, a marca francesa decidiu trazer de volta um dos seus modelos mais emblemáticos, daqueles que marcaram gerações e continuam vivos no imaginário de muita gente.
E, embora essa nova fase seja claramente uma homenagem à Renault 4L original, o projeto também reflete o que mudou no mundo (e na indústria) desde então: em vários pontos, ela vai bem além de um simples “revival”.
Foi apresentada hoje no Salão de Paris, mas a Razão Automóvel teve oportunidade de antecipar-se. Revelamos tudo por dentro e por fora:
Revivalismo moderado
A Renault garante que não pegou apenas na “receita” da antiga Renault 4L para copiá-la. “A inspiração no modelo original é evidente, mas optámos por uma abordagem contemporânea”, explicou-nos um dos designers responsáveis pelo projeto da Renault 4.
E basta olhar para esta nova Renault 4 para entender por que a marca francesa quis recuperar esta fórmula. Ela continua tão presente no imaginário coletivo que parece familiar logo no primeiro olhar.
Um dos maiores desafios esteve na aerodinâmica. As linhas arredondadas da Renault 4 original não são particularmente eficientes nesse aspeto e, por isso, a equipa de engenharia teve de compensar noutras frentes - especialmente na traseira - para não prejudicar a autonomia.
Renault 4 em modo elétrico
Ao nome histórico Renault 4, a marca acrescentou agora uma nova sigla: E-Tech. É a designação que a Renault usa em todos os seus modelos 100% elétricos. A hipótese de uma versão com motor de combustão está completamente descartada.
A estratégia passa por disponibilizar dois níveis de potência e dois patamares de autonomia. A versão mais potente, com 110 kW (150 cv), vai usar uma bateria de 52 kWh e promete 400 km de autonomia no ciclo WLTP.
Já a opção mais acessível e menos potente, com 90 kW (122 cv), recorre a uma bateria de 40 kWh, que deverá permitir uma autonomia total em torno dos 300 km, também em ciclo WLTP.
Mesmo estilo com outro posicionamento
A Renault 4L original foi um dos primeiros modelos a democratizar o acesso ao automóvel em Portugal. Um posicionamento que lhe valeu o título de «jipe dos pobres» e a alcunha de «quatro latas». Durante muitas décadas, foi a escolha de milhares de famílias portuguesas e chegou a ser produzida na extinta fábrica da Renault em Setúbal.
Tinha uma mecânica simples, mas resistente, espaço para cinco passageiros, boa capacidade de bagageira e um preço acessível. É um modelo ainda com muita procura no mercado de usados:
Nesta nova Renault 4, reencontramos várias dessas características, mas com outro posicionamento. A sociedade está menos rural e mais urbana e a Renault 4, segundo os responsáveis da marca, “teve de acompanhar essa mudança”.
Em termos de preço, ficará acima do Renault 5 - modelo com o qual partilha praticamente todos os componentes - e abaixo do Renault Megane E-Tech. Ainda não há preços definidos para Portugal, mas recordamos que a versão de acesso do Renault 5 vai estar à venda a partir de 25 mil euros.
Portanto, a Renault Portugal terá de posicionar o preço da nova Renault 4 entre os 25 mil euros do Renault 5 e os 32 990 euros do Megane E-Tech. Todos os detalhes neste vídeo:
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