Já se passaram 20 anos desde que o Honda Jazz “aterrou” no mercado português e, de lá para cá, o modelo já ultrapassou 23 mil unidades emplacadas, somando quatro gerações.
Para celebrar essas duas décadas de trajetória no país, a Honda Portugal Automóveis apresentou a série especial Jazz 20 anos, restrita a somente 20 unidades.
A data não passou batida: já dirigimos um desses exemplares exclusivos. Mas ele realmente se diferencia o bastante de um Honda Jazz “normal”? A resposta está nas próximas linhas…
O que muda?
Em relação aos demais Honda Jazz, esta edição comemorativa de 20 anos se destaca por trazer o teto em uma cor exclusiva (cinza), um emblema próprio na traseira e ainda vir acompanhada de um chaveiro único, criado para marcar essa data importante.
Honda Jazz: competente em todos os cenários
Fora esses detalhes, estamos diante de um Jazz “normal” - e, na maioria das vezes, isso é uma excelente notícia.
Na quarta geração, lançada em 2020, o compacto japonês avançou bastante em segurança (o que lhe garantiu as cobiçadas cinco estrelas nos testes EuroNCAP), passou a oferecer um interior mais espaçoso (mantendo a modularidade como referência) e ganhou reforço no pacote de tecnologia. Nesse ponto, vale destacar o novo sistema de infoentretenimento, com integração de smartphone via Android Auto (sem fio) e Apple CarPlay (com cabo).
Chama atenção o quanto a Honda conseguiu “arrancar” de espaço em um carro tão pequeno, com menos de quatro metros de comprimento.
Isso aparece com clareza no banco traseiro: há espaço de sobra para dois adultos de estatura média viajarem com conforto (especialmente para cabeça e joelhos). E também no porta-malas, que começa em 304 litros e pode chegar a 1205 litros.
Somando a isso, seguem presentes os conhecidos bancos traseiros mágicos da Honda, que podem ser erguidos para a posição vertical junto aos encostos, abrindo área para levar objetos maiores. Além disso, é possível reclinar totalmente o banco do passageiro dianteiro, formando uma superfície plana.
Como funciona o sistema híbrido?
A base mecânica deste Honda Jazz é um conjunto híbrido que reúne um motor 1,5 litro a gasolina de quatro cilindros com um motor elétrico, um motor/gerador e uma bateria de pequena capacidade.
Com todos esses “ingredientes” trabalhando juntos, a potência máxima disponível é de 109 cv e o torque chega a 253 Nm. São números pouco chamativos no papel, mas, na prática, acabam muito bem aproveitados - a ponto de este Jazz raramente dar a sensação de precisar de mais “músculo”.
Em movimento, o sistema híbrido pode operar em três modos diferentes (com gerenciamento automático entre eles): EV Drive, Hybrid Drive e Engine Drive.
- EV Drive: modo 100% elétrico, acionado por padrão ao sair com o carro e sempre que o motor a combustão não é exigido;
- Hybrid Drive: quando é solicitada mais potência, o motor a gasolina entra para apoiar o sistema elétrico;
- Engine Drive: usado em velocidades mais altas, situação em que apenas o motor a gasolina é chamado a atuar.
Na maior parte do tempo, o híbrido prioriza os modos EV Drive e Hybrid Drive, que são os mais eficientes no uso urbano. Já em autoestrada ou vias rápidas, o Engine Drive costuma ficar quase sempre ativo, com o motor a gasolina assumindo praticamente todo o trabalho. Apenas nas ultrapassagens o motor elétrico (mais forte) tende a “dar uma ajuda”.
Um híbrido com genica
O destaque desse conjunto híbrido é combinar funcionamento muito suave com uma boa dose de genica.
Ao longo deste teste, em nenhum momento senti que faltava potência ou que a resposta do sistema deixava a desejar. Não é um esportivo, claro, mas cumpre muito bem as demandas do dia a dia.
Ainda assim, por mais que o conjunto convença, fica difícil ignorar a atuação da transmissão de relação fixa (que lembra uma CVT): além de gerar certa sensação de arrasto, ela também faz com que o motor a gasolina tenha um som um tanto incômodo.
É verdade que isso aparece mais nas acelerações fortes, mas contrasta bastante com o clima sereno e tranquilo do interior.
Muito poupado…
Entre os pontos fortes deste Jazz, o consumo é o que mais merece destaque. Em uso urbano, é bem fácil manter médias sempre abaixo de 5 l/100 km, mesmo sem qualquer preocupação específica com economia. E, durante este ensaio, cheguei inclusive aos 4,1 l/100 km.
Quando fui para a autoestrada, em um bate-volta entre Lisboa e Leiria, o consumo naturalmente aumentou, mas ficou em aceitáveis 6,2 l/100 km.
E na estrada?
Se o baixo consumo e a genica do híbrido contam pontos a favor, nem tudo é perfeito ao volante deste Honda Jazz. Além do ruído mais alto do motor a combustão quando exigido, a direção, na minha opinião, tem assistência demais - o que reduz a percepção do que está acontecendo no eixo dianteiro.
Para completar, a suspensão nem sempre consegue absorver bem as irregularidades do asfalto. Em pisos mais castigados, isso fica evidente e o Jazz acaba mostrando certa sensibilidade.
É o carro certo para você?
Na prática, são poucos os elementos que separam este Jazz 20 Anos do Jazz dito “normal”. Ainda assim, o teto em cor exclusiva e a inscrição comemorativa dão um toque interessante para marcar a ocasião.
Mais relevante, porém, é o conjunto de qualidades do modelo, independentemente da versão. O sistema híbrido é bastante competente, muito econômico e não nos faz sentir falta de mais potência.
A isso se soma um interior bem montado, com amplo nível de equipamentos, boa oferta de tecnologia e segurança e, claro, segue como um dos destaques do segmento quando o assunto é versatilidade e espaço.
O preço é um tanto alto - eu já havia dito e escrito isso quando o modelo foi lançado, em 2020 -, mas vem acompanhado de garantia de cinco anos sem limite de quilometragem, algo que poucos concorrentes oferecem.
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