A nova temporada da Peugeot Rally Cup Ibérica está prestes a começar e, por isso, fomos ver de perto o carro que dá vida a este troféu: o Peugeot 208 Rally4.
Não foi possível estar no lugar mais cobiçado - o do motorista -, mas ficamos no segundo melhor cenário: no banco ao lado do espanhol Alejandro Cachón, atual campeão da Peugeot Rally Cup Ibérica.
O trecho escolhido para esta demonstração do pequeno leão foi em Baltar, bem perto das instalações da Sports & You - parceira da Peugeot Portugal e da Peugeot Espanha na organização do campeonato - e que integra o shakedown do Rali de Portugal.
Bastaram poucos metros para entender por que Cachón dominou a edição passada, conquista que lhe garantiu a subida para o Rally2, agora ao volante de um C3 Rally2 da Citroën España.
E se a precisão do piloto espanhol chamou atenção do começo ao fim nesta especial de terra, sempre cercada por pinheiros, foi o Peugeot 208 Rally4 que mais me marcou.
Este não é um 208 qualquer…
É verdade que o 208 Rally4 nasce no mesmo ponto de partida dos 208 que vemos no dia a dia, mas a partir daí as semelhanças rapidamente deixam de existir.
Por fora, as “pinturas de guerra” já entregam a intenção; ainda assim, é o ronco mais encorpado do escapamento que encerra qualquer dúvida.
E isso tudo vem antes mesmo de abrir as portas, que “escondem” um interior quase completamente esvaziado: sobra apenas um pequeno display atrás do volante, uma caixa central com comandos básicos (buzina, acionamento dos vidros, entre outros…), o volante, o freio de mão, a alavanca do câmbio sequencial e, claro, os bancos concha.
E eu ainda nem entrei no assunto do motor e de todos os upgrades mecânicos…
O conjunto é movido por um 1.2 PureTech de três cilindros turbo, retrabalhado especificamente para competição - com turbocompressor de maior capacidade e gerenciamento eletrônico (também de corrida) da Magneti Marelli -, entregando 208 cv (às 5450 rpm) e 290 Nm de torque máximo (às 3000 rpm).
Para “domar” esse torque, ele usa um câmbio sequencial SADEV de cinco marchas e um diferencial autoblocante mecânico, combinação que ajuda o 208 Rally4 a despejar potência com facilidade no asfalto (ou na terra!).
Mas o pacote não para por aí. O 208 Rally4 vem com discos ventilados na dianteira de 300 mm (asfalto) ou 283 mm (terra), discos sólidos na traseira (290 mm) e suspensão ajustável em três níveis (com compressão/retorno em alta e baixa velocidade).
Tudo isso está reunido em um carro que pesa apenas 1080 kg, número que sobe para cerca de 1250 kg com o 208 Rally4 pronto para rodar e com a dupla (piloto/navegador) a bordo.
Vale lembrar que, assim como o 208 de rua que serve de base, este 208 Rally4 também é “apenas” tração dianteira - mas nem isso impediu Cachón de fazê-lo sair de traseira em praticamente todas as curvas, com o leão mostrando muita garra o tempo inteiro.
Parado ou “a fundo”
Costuma-se brincar que pilotos de rali são de uma “raça” diferente e que só conhecem dois modos de pilotar: a fundo ou… a fundo!
Ainda que Alejandro Cachón esteja no início da trajetória, é fácil perceber que ele carrega exatamente esse DNA.
Assim que entrei no carro e me acomodei no banco concha ao lado dele, usando um capacete que mal deixava a cabeça se mexer, ele se apresentou e fez uma única pergunta: “Estás pronto?”. Eu respondi que “sim” e Cachón não quis saber de mais nada…
Vieram, então, alguns minutos de emoção pura e adrenalina no limite - para mim, porque o espanhol parecia conduzir com a calma de quem está em casa, no sofá, assistindo a um filme.
A resposta ao acelerador deste 208 impressiona, as trocas de marcha são instantâneas e a rigidez do chassi (de todo o conjunto) é evidente; qualidades que fazem do pequeno leão um nome perfeito para este troféu, que funciona como uma espécie de escola para jovens talentos ibéricos.
Quanto custa?
E qual é o preço dessa dose de emoção? 67 000 euros, antes de impostos, com os pedidos sendo gerenciados pela Sports & You, distribuidora oficial da Stellantis Motorsport Racing Shop para Portugal e Espanha.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário