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Classe Ford: situação atual dos porta-aviões da Marinha dos EUA

Porta-aviões com jato militar e tripulação no convés, com outro navio e guindastes ao fundo no mar.

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Ao longo deste mês, o porta-aviões USS Gerald R. Ford chegou ao Estaleiro Naval de Norfolk para iniciar uma extensa Disponibilidade Incremental Planejada (PIA, na sigla em inglês). Nesse processo, serão executados diversos serviços para assegurar a preservação de suas capacidades operacionais após um desdobramento que durou quase um ano. Paralelamente, a Marinha dos EUA segue com a construção do segundo, terceiro e quarto navios da classe Ford, enfrentando obstáculos que resultaram em atrasos e comprometeram os cronogramas inicialmente estabelecidos. A seguir, apresentamos uma breve análise da situação da nova geração de porta-aviões norte-americanos.

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O USS Gerald R. Ford e sua primeira PIA

Conforme já mencionado, o primeiro porta-aviões da classe Ford está atualmente no Estaleiro Naval de Norfolk, onde chegou em 7 de julho, após um longo período de desdobramento em diferentes regiões do planeta, entre elas o mar Mediterrâneo, o mar do Caribe e o mar Vermelho.

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Inicialmente, o desdobramento chamou a atenção pública pelo grande impacto geopolítico produzido na América do Sul, sob o comando do Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), uma vez que o porta-aviões foi um dos símbolos da operação Southern Spear. A missão tinha como objetivo original combater redes de narcotráfico que usavam as águas caribenhas como rotas para enviar seus produtos aos Estados Unidos. Com o passar dos meses, contudo, seu ponto culminante foi a captura do ditador venezuelano Nicolás Maduro em Caracas.

Nos últimos meses, diante da deterioração do cenário geopolítico no Oriente Médio, o porta-aviões foi transferido para a área do Comando Central dos EUA (CENTCOM). Ali, passou a integrar as operações militares conduzidas contra o Irã e os diferentes grupos terroristas da região usados para projetar sua influência. No contexto da Epic Fury e atuando em conjunto com Israel, o navio tornou-se um dos meios que possibilitaram o emprego contínuo de aeronaves de combate contra alvos dentro do território iraniano, sob o argumento oficial de impedir que Teerã obtivesse armas nucleares. Para isso, sua ala aérea embarcada foi um fator fundamental.

Nessa fase, também foram observados diversos problemas relacionados ao desgaste provocado pelo prolongado desdobramento do USS Gerald R. Ford, sendo o exemplo mais representativo o incêndio registrado em março de 2026. Como noticiamos à época, o incidente teve origem em uma das áreas da lavanderia do navio, quando este não realizava ações de combate. Além de dois marinheiros terem ficado feridos, o fato provocou danos em áreas internas da embarcação, o que exigiu sua transferência para a base naval de Souda Bay, na Grécia, para a realização de reparos.

Esse aspecto é relevante, pois boa parte das atividades que serão realizadas agora durante a PIA buscará verificar o estado desses reparos e, se necessário, adequá-los aos requisitos definidos pela Marinha dos EUA. A elas serão somados os trabalhos já programados de manutenção, inspeção e modernização de outros setores do porta-aviões. A oportunidade ainda permitirá testar os novos procedimentos desenvolvidos pela instituição para esse tipo de tarefa, diante da necessidade imperativa de encontrar meios de reduzir seus prazos.

O USS John F. Kennedy mira entrega em 2027

Entre os navios da classe Ford que ainda não foram entregues à Marinha dos EUA, o futuro USS John F. Kennedy é o que está mais próximo de entrar em serviço, algo previsto para o próximo ano. Lançado originalmente em 2019, o porta-aviões passa atualmente pelos diferentes testes de mar necessários antes desse marco, conduzidos por funcionários do estaleiro Newport News Shipbuilding, na Virgínia, em conjunto com integrantes da força naval.

Na prática, esse período de testes e avaliações teve início em janeiro passado, com uma primeira etapa voltada a verificar o funcionamento de sistemas críticos, como a planta de propulsão nuclear, os sistemas de geração de energia elétrica, navegação, governo do navio e controle de plataformas. Tratam-se de etapas indispensáveis antes do avanço para fases de maior exigência. Em fevereiro deste ano, o navio também ganhou destaque por receber pela primeira vez um helicóptero Seahawk em seu convoo, sinalizando progresso no processo.

Ainda assim, como já antecipado, sua construção também foi marcada por diversos problemas que atrasaram os cronogramas definidos pela Marinha dos EUA. Em detalhe, uma apresentação orçamentária da força indicaria: “A data de entrega do CVN 79 foi alterada de julho de 2025 para março de 2027 (aceitação preliminar a ser determinada), para apoiar a conclusão da certificação do Equipamento de Detenção Avançado (AAG) e a continuidade dos trabalhos do Elevador de Armas Avançado (AWE).” Esses problemas também afetaram o próprio USS Gerald R. Ford durante sua fase de construção.

USS Enterprise e USS Doris Miller também acumulam atrasos

Assim como no caso anterior, não se pode ignorar que a construção do terceiro porta-aviões da classe Ford, o futuro USS Enterprise, também foi afetada por atrasos, evidenciando um problema estrutural que a Marinha dos EUA ainda não conseguiu solucionar plenamente. Em particular, o navio sofreu os efeitos da escassez de componentes essenciais que deveriam ser fornecidos pela rede de atores industriais envolvidos no programa, bem como da falta de mão de obra qualificada nos estaleiros norte-americanos para operar em capacidade máxima desde a pandemia de COVID-19; um fator que também esteve presente em outros projetos da mesma força.

O futuro USS Doris Miller, quarto navio da série, também foi alvo de críticas pelos atrasos em sua fabricação. Enquanto a entrega do USS Enterprise foi transferida de setembro de 2029 para julho de 2030, a do Doris Miller mudou “de fevereiro de 2032 para fevereiro de 2034 devido a restrições na capacidade de construção do estaleiro, que limitaram sua capacidade de fabricar os módulos do navio”, segundo afirmou a US Navy em abril deste ano. Em termos concretos, isso representa uma diferença de quinze anos entre o início formal dos trabalhos de construção e sua entrega, caso ela efetivamente ocorra como previsto.

Além da questão estritamente industrial, a situação deve ser considerada à luz do elevado nível de exigência imposto à frota de porta-aviões dos EUA, cuja espinha dorsal ainda é a envelhecida classe Nimitz, que será eventualmente substituída pela classe Ford.

A classe Ford poderá receber mudanças de projeto?

Diante desse cenário pouco favorável, é importante destacar que a Marinha dos EUA já sinalizou que pretende implementar mudanças no projeto de sua nova geração de porta-aviões, buscando aproveitar a experiência acumulada com a construção dessas primeiras unidades. Como apontamos em abril, a instituição avalia alternativas que permitam otimizar os custos, os tempos de construção e o desempenho operacional dos novos navios.

Sobre o tema, vale recordar que essas alterações de projeto podem abranger ajustes na configuração da ilha que reúne a ponte de comando, os radares e as chaminés, além da possibilidade de melhorias na disposição interna do navio. Somado a isso, o porta-aviões poderá incorporar novidades em seu Sistema Eletromagnético de Lançamento de Aeronaves (EMALS) e no sistema de recuperação AAG. Ainda resta determinar a partir de qual unidade da classe as melhorias pretendidas poderão ser implementadas.

Por fim, nesta breve análise, também deve ser mencionado que a Marinha dos EUA já divulgou os nomes do quinto e do sexto porta-aviões da classe Ford: USS William J. Clinton (CVN-82) e USS George W. Bush (CVN-83). Retoma-se, assim, a tendência de utilizar nomes de ex-presidentes norte-americanos, considerando as exceções do Enterprise e do Doris Miller, que homenageiam, respectivamente, um dos navios mais lembrados da Segunda Guerra Mundial e o primeiro militar afro-americano a receber a Cruz da Marinha.

Imagens utilizadas apenas para fins ilustrativos

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