Adam Rocks Air? Que nome meio bobo.
Você não está errado. E, se alguém tivesse “adiantado” a chegada dele em uns dez anos, seria fácil enxergá-lo como um carro absurdamente esquisito. Do jeito que o mercado está hoje, porém, essa mistura de crossover, conversível e carrinho urbano acaba parecendo apenas mais um exemplo da onda de quebrar nichos.
O que é o Vauxhall Adam Rocks Air - e por que esse nome?
Parece um projeto meio confuso...
E também não é barato. Os preços começam em £14,695, mas a configuração que realmente faz sentido traz o novo motor 1-litro turbo a gasolina da Vauxhall, que custa £2000 a mais. Nessa faixa, um Ford Fiesta ST (basicamente o rei dos compactos esportivos) fica a uma negociação amistosa de distância - então, se você escolhe este aqui no lugar, é porque está atrás de algo bem específico.
E ele é bom no que se propõe?
Como crossover, há pouco para comemorar. Continua com tração dianteira, fica 15mm mais alto do que um Adam “normal”, ganha suspensão recalibrada e bitolas mais largas, mas bate seco e sem finesse no asfalto urbano remendado, só ficando mais tranquilo quando a velocidade sobe.
A transformação gira em torno de para-choques plásticos com aquela pegada “bruta” (lembra quando isso era o sinal indesejado de carro básico?). Para mim, o conjunto deixa o Adam exageradamente cartunesco. A carroçaria “inchada” sobre uma base tão pequena lembra aqueles carrinhos de controlo remoto meio bambos de montar em casa.
Dirigindo: crossover, carro urbano e “conversível”
Ele pelo menos funciona bem como carro de cidade?
Pelo tamanho compacto, era para ser muito competente, mas há pontos cegos bem chatos - principalmente por causa das colunas C caprichadas no estilo - e as portas são enormes. Não é exatamente um tópico que costuma merecer muito tempo numa avaliação, mas coloque o Adam numa vaga apertada de centro urbano e você vai precisar de agilidade para passar pelo vão minúsculo que sobra com portas tão grandes e abertas.
A suspensão áspera também vira desconforto quando aparecem buracos e lombadas. O que salva o Adam no trânsito da cidade é o pequeno e esperto motor turbo de três cilindros, do qual falo melhor já já.
E como conversível, dá certo?
Ufa - dá para segurar as críticas por um instante. Ele não é um conversível tradicional: no lugar, usa um teto solar de lona em toda a extensão. E isso é uma boa solução, porque reduz a penalidade de peso, mantém a estrutura de hatch e o retrovisor interno não vira um retângulo cheio de lona ampliada (ao contrário de rivais como Fiat 500C e Citroen DS3 Cabrio). O teto abre em animados 7secs e pode ser acionado em movimento, inclusive em velocidade de autoestrada.
Acima de 50mph (cerca de 80km/h), o vento começa a incomodar dentro da cabine, mas até esse ponto é bem agradável rodar com o teto recolhido. E isso vale mesmo no frio, já que a estrutura de hatch ajuda o ar-condicionado a trabalhar melhor, enquanto volante e bancos aquecidos aparecem na lista de opcionais por bem razoáveis £215.
Motor, consumo e tecnologia
Então o motor é bom mesmo...
Sem dúvida. Ele também vai aparecer em Adams “normais” e no novo Corsa (e, ao que tudo indica, em Astra mais adiante), e é daqueles que surpreendem. No Rocks, entrega 113bhp e 125lb ft (aprox. 169Nm), o suficiente para levar os 1088kg em ordem de marcha a 62mph (cerca de 100km/h) em 9.9secs - embora, na prática, ele pareça ainda mais disposto. A resposta é forte em praticamente qualquer rotação, e ele não perde fôlego quando você estica a agulha do conta-giros.
Quem não está acostumado dificilmente vai adivinhar o tamanho e o número de cilindros. Com o acelerador todo, aparece aquele ronco áspero e gostoso típico de três-cilindros apressados; no restante do tempo, ele se mantém silencioso, refinado e “adulto” - até em cruzeiro rápido, algo que dificilmente é o habitat natural do Adam. Para o novo Corsa, a briga contra o divertido Fiesta Ecoboost fica mais interessante.
Mais algum destaque?
O consumo declarado parece muito mais pé no chão do que o do Fiesta: a marca fala em 55.4mpg, e nós registámos 40mpg depois de 400 miles (cerca de 644km) com todo tipo de uso.
Há muita tecnologia disponível. A lista de opcionais inclui estacionamento automático, monitorização de ponto cego e o Intellilink, um sistema com ecrã tátil de 7in compatível com telemóvel. Talvez compatível até demais: baixar um aplicativo no telefone é a única forma de ter navegação no Adam sem apelar para um TomTom colado ao para-brisa.
Ele consegue “quebrar o nicho”?
Não exatamente. Este Adam que tenta fazer de tudo não se destaca em nenhuma função em particular, mas o motor forte é um ponto alto. Ele deve, ao menos, dar um novo fôlego ao Adam tradicional, com para-choques convencionais.
E, a julgar pela chegada do Citroen C1 Urban Ride, talvez a Vauxhall esteja a ver algo que faz sentido, afinal...
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