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China incorpora o porta-aviões Fujian (CV-18), seu terceiro navio da PLAN

Militares chineses em uniforme branco saudando no convés de um porta-aviões com bandeira da China.
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A Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN) da China incorporou oficialmente seu terceiro porta-aviões, o Fujian (CV-18), em uma cerimônia realizada na quarta-feira na Base Naval de Sanya, na ilha de Hainan. O evento foi presidido pelo presidente Xi Jinping, que também é secretário-geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e presidente da Comissão Militar Central, informou a agência de notícias Xinhua.

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Com essa incorporação, a China avança para uma nova fase de desenvolvimento naval e passa a operar três porta-aviões: o Liaoning (CV-16), o Shandong (CV-17) e o recém-incorporado Fujian (CV-18). Este é o primeiro totalmente projetado e construído no país e conta com um sistema de lançamento por catapultas eletromagnéticas.

Um novo marco na modernização naval chinesa

Lançado em junho de 2022 pelo Estaleiro Jiangnan, em Xangai, o Fujian recebeu o nome da província situada em frente a Taiwan. Com deslocamento superior a 80.000 toneladas, o navio é o primeiro porta-aviões chinês a deixar de usar o sistema de lançamento por ski-jump empregado por seus antecessores, adotando catapultas eletromagnéticas (EMALS) e equipamentos avançados de parada.

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O especialista militar Zhang Junshe definiu a incorporação do Fujian como “um símbolo da transformação da Marinha chinesa da defesa costeira para operações em mares distantes.” Em declarações ao Global Times, Zhang afirmou que o porta-aviões representa “o início da era dos porta-aviões com catapulta eletromagnética”, ao trazer três avanços centrais: a capacidade de lançar aeronaves mais pesadas, com mais combustível e armamentos; uma maior taxa de surtidas; e um sistema integrado de combate oceânico que reúne capacidades ofensivas e defensivas.

Desde maio de 2024, o Fujian passou por diversos testes de mar. Em setembro, a PLAN confirmou decolagens assistidas por catapulta e pousos com cabos de retenção bem-sucedidos dos caças J-15T e J-35, além da aeronave de alerta aéreo antecipado KJ-600. Esses meios, juntamente com a variante de guerra eletrônica J-15DT, formarão a ala aérea embarcada do navio.

Uma cerimônia de grande visibilidade

A cerimônia de incorporação reuniu autoridades civis e militares de alto escalão. Segundo a mídia estatal, o Shandong (CV-17) e um navio de assalto anfíbio Type 075 também estavam na Base Naval de Sanya, evidenciando a expansão do poder naval chinês.

Anteriormente, imagens de inteligência de fontes abertas (OSINT) já haviam mostrado o Fujian atracado ao lado do Shandong no porto de Yulin, em Hainan. Os registros indicavam que a cerimônia era iminente e coincidiram com relatos sobre a chegada de Xi Jinping à ilha.

O Fujian passa agora a integrar a Frota do Comando do Teatro Sul (STC) da PLAN, uma região estratégica para as operações no Mar do Sul da China. Zhang Junshe observou que, assim como o Shandong, o Fujian provavelmente terá Sanya como base permanente, o que permitirá manter um grupo de dois porta-aviões na área. “Isso reforçará as operações de defesa oceânica, o controle aéreo e marítimo, bem como as missões de ataque terrestre e de apoio a ilhas”, explicou.

Zhang acrescentou que a presença simultânea de ambos os porta-aviões no teatro sul “exercerá um efeito de dissuasão estratégica sobre as forças da ‘independência de Taiwan’ e sobre determinados países com intenções hostis contra a China.”

Inovação tecnológica e capacidades ampliadas do Fujian

O analista militar Song Zhongping classificou o Fujian como “o porta-aviões de nova geração da China”, destacando o salto da tecnologia de ski-jump para as catapultas eletromagnéticas, sem recorrer a catapultas a vapor. Para Song, essa inovação “melhora consideravelmente o desempenho e as capacidades do navio, exibindo algumas das mais avançadas conquistas tecnológicas da China.”

Song também ressaltou que, apesar de sua incorporação oficial, o Fujian ainda precisa passar por “testes de combate real e de confronto” antes de atingir plena capacidade operacional.

Em comparação com os porta-aviões STOBAR (Decolagem Curta, mas Recuperação com Cabos de Retenção) anteriores, o Fujian representa um salto qualitativo. Espera-se que o navio dedique os próximos anos à obtenção de plena prontidão, enquanto seus sistemas de lançamento e recuperação, cadeias de suprimento, armamentos e procedimentos operacionais são integralmente validados.

Além de seus novos caças embarcados, a ala aérea do Fujian incluirá helicópteros Z-20 nas versões utilitária e antissubmarino, ampliando as capacidades de guerra antissubmarino e transporte.

Projeção de poder e o futuro da frota

Com três porta-aviões em serviço, a China reforça sua posição como a segunda Marinha mais poderosa do mundo em quantidade e capacidade, atrás apenas dos Estados Unidos. Especialistas chineses apontam que esse total apenas atende às exigências operacionais mínimas da PLAN, pois normalmente um porta-aviões está em manutenção, outro em treinamento e um terceiro em destacamento ativo.

“No futuro, a China precisará construir mais porta-aviões para proteger sua soberania, segurança e interesses de desenvolvimento”, declarou Zhang Junshe.

Relatos internacionais indicam que um quarto porta-aviões já está sendo construído no Estaleiro de Dalian. Veículos de imprensa estrangeiros sugerem que ele poderá ser o primeiro porta-aviões chinês de propulsão nuclear, embora o porta-voz do Ministério da Defesa, Zhang Xiaogang, tenha dito em setembro que “não tinha conhecimento da situação específica.”

A nova embarcação, designada provisoriamente Type 004, ainda se encontra nos estágios iniciais de desenvolvimento. Analistas navais estimam que mais detalhes sobre seu projeto e suas características possam surgir por volta de 2026.

Embora já possua a segunda Marinha mais poderosa do planeta, a PLAN chinesa reconhece que somente agora está atendendo às suas necessidades operacionais básicas. Sua estratégia vai além da dissuasão: trata-se de projetar poder geopolítico para além de suas águas costeiras.

Durante o desfile militar que marcou o 80º aniversário do Dia da Vitória, a libertação da ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial, a China exibiu uma ampla variedade de armamentos e veículos, especialmente mísseis balísticos. Esses sistemas, assim como suas forças aéreas e terrestres, são adequados à defesa costeira. Já seus porta-aviões projetam a influência chinesa além da “primeira” e da “segunda cadeia de ilhas”, sob forte influência dos Estados Unidos, alcançando áreas mais profundas do Oceano Pacífico.

Um salto histórico na modernização da PLAN

A incorporação do Fujian ocorre duas décadas após o Liaoning - originalmente o inacabado porta-aviões soviético Varyag - ser rebocado até o Estaleiro de Dalian para modernização. Desde então, a Marinha chinesa passou de uma única plataforma de treinamento para uma frota moderna de porta-aviões capaz de projetar poder globalmente.

O especialista Wang Yunfei enfatizou que as forças-tarefa navais chinesas agora contam com “fortes capacidades antinavio, de defesa aérea e antissubmarino”, apoiadas por mísseis hipersônicos lançados de navios e submarinos. Segundo ele, isso “dá aos grupos de ataque de porta-aviões da China uma vantagem letal sobre potenciais adversários, ao mesmo tempo que fortalece a defesa marítima nacional.”

Com o Fujian agora em serviço, a PLAN alcança um novo patamar tecnológico e operacional. Embora ainda haja anos de treinamento e testes pela frente, a cerimônia em Sanya consolida o status da China como potência naval global e representa mais uma etapa de sua estratégia de modernização militar de longo prazo rumo à metade do século XXI.

Traduzido por Constanza Matteo

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