Do conceito DC100 ao “novo” Defender
Foi tudo muito rápido. Há apenas dois meses a Land Rover apresentou o DC100, um conceito que, segundo a marca, antecipava a próxima geração de um Defender moderno e com maior consciência ambiental.
E agora ele “apareceu”: um Defender brilhando de novo, acompanhado de um comunicado à imprensa recheado de palavras estranhas, quase estrangeiras, como “mais refinado”, “eficiente” e “filtro de partículas do diesel”. Uma virada relâmpago, sem dúvida.
O Land Rover Defender e as mudanças discretas
Na prática, não é bem assim. Como seus olhos já devem ter denunciado, este não é um Defender totalmente novo. Trata-se de uma atualização bem suave do Defender original, com quase setenta anos de história, levemente retrabalhado e equipado com um DPF para atravessar as novas normas de emissões Euro V.
O antigo diesel de 2,4 litros foi reduzido para 2,2 litros, mas potência e torque permanecem exatamente os mesmos: 122PS e um torque “bovino” de 360NM. As emissões de CO2 caíram (para ainda pouco “santas” 295g/km nas versões de entre-eixos mais longo) e o consumo melhorou.
Motor 2,2 litros, DPF e o que mudou na condução
Não entre em pânico. Apesar desse papo perigoso sobre eficiência, o Defender calejado não virou um SUV moderno, certinho e “hidratado”. Tudo bem, há uma nova capa acústica no motor para reduzir ruído, mas, fora isso, é o Defender tradicional: suspensão reforçada, chassi em escada e uma posição de dirigir que parece saída diretamente dos anos 1950.
Embora o novo motor seja uma grande evolução em relação ao anterior - trabalhando de forma muito mais suave e “resmungando” baixo em vez de berrar pela cabine inteira -, ele ainda é bruto quando comparado aos turbodiesel modernos. É um conjunto mecânico mais talhado para puxar um bisão para fora de um pântano do que para devorar a M6; um carro que trata “Ruído, Vibração e Aspereza” como metas, não como defeitos.
Capacidade fora de estrada: ainda extraordinária
Pode até cumprir a Euro V, mas muita gente continuará vendo o Defender como uma irrelevância num mundo de monocascos, turboalimentação e da possibilidade de conversar com o passageiro da frente viajando a 97 km/h. Que pensem assim. O Defender continua sendo uma máquina fora do comum, com uma capacidade off-road realmente assustadora: mesmo depois de afundarmos o nosso Defender num rio de lama até a altura da linha dos vidros, ele seguiu em frente, alegremente, como se nada tivesse acontecido. O que mais - talvez só um Hilux - faria algo assim?
Para a imensa, imensa maioria do planeta, a aptidão de um carro para conquistar um Himalaia provavelmente fica bem abaixo, em prioridade, de algo como um raio de giro curto o bastante para encarar mini-rotatórias. E, sem qualquer zona de deformação à vista, é melhor nem imaginar o que aconteceria com um Defender num acidente rápido contra algo grande e inflexível: um muro, por exemplo, ou um escocês.
Ainda assim, para quem precisa de uma besta de carga mecânica, há pouco que se compare ao velho Defender. Esses ajustes não o transformam num SUV da moda do século XXI, mas bastam para mantê-lo vivo até 2017 quando, como admitem até as fontes mais entusiastas da Land Rover, ele vai morrer - provavelmente substituído por algo bem mais próximo do DC100 do que desta obra-prima de ferro-gusa. É o fim da linha.
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