Possível compra de até 20 Gripen E para a FAB
O governo brasileiro informou nesta quinta-feira (4) que pretende aumentar a frota de caças Saab Gripen da Força Aérea Brasileira (FAB), com a chance de adquirir até 20 aeronaves extras do Gripen E.
Se a negociação avançar, o total encomendado pelo Brasil deve subir das atuais 36 para 56 unidades, conforme noticiou a Folha de São Paulo, parceira do AEROIN. A sinalização ocorreu em uma cerimónia que contou com a presença do Ministro da Defesa da Suécia, Pål Jonson, e do ministro brasileiro da pasta, José Múcio.
A declaração foi feita durante agendas oficiais na Suécia e pegou de surpresa até pessoas ligadas ao programa, sobretudo por causa das limitações orçamentárias que atingem a área de Defesa. Nos últimos movimentos de contenção de despesas do governo federal, o Ministério da Defesa foi o mais impactado, com um bloqueio de R$ 4,36 bilhões no orçamento deste ano.
Apesar do impacto do orçamento, ampliar a frota não é um tema novo dentro da FAB. Em 2022, o então comandante da força, tenente-brigadeiro do ar Carlos Almeida Baptista Junior, já defendia a compra de pelo menos mais 30 aeronaves para reforçar a capacidade operacional do país.
Também ganhou espaço, nos últimos anos, uma conversa envolvendo interesses cruzados entre Brasil e Suécia. O desenho tratado incluía o Brasil adquirindo mais 14 Gripen e, em paralelo, os suecos avançando na compra de quatro aeronaves de transporte Embraer KC-390 Millennium. A Suécia já confirmou a aquisição dos cargueiros, mas o Brasil ainda não divulgou oficialmente qual será o modelo financeiro para viabilizar a compra dos novos caças.
Pelas informações tornadas públicas por autoridades suecas, as eventuais aeronaves adicionais seriam da variante Gripen E, na configuração monoposto, ou seja, voltada a um único piloto.
Orçamento, contrato e aditivos do programa Gripen
O programa Gripen no Brasil continua em execução desde a assinatura do contrato original, em 2014. Hoje, o acordo é estimado em cerca de R$ 29,5 bilhões e já consumiu aproximadamente 57% dos recursos previstos até março deste ano. Ainda assim, até agora apenas 11 das 36 aeronaves contratadas foram entregues para operação.
Durante a implementação, foram formalizados 12 aditivos contratuais. Segundo a FAB, esses ajustes aumentaram os custos num montante equivalente ao valor de aquisição de mais seis aeronaves.
No início, uma das opções estudadas para ampliar a frota era firmar um novo aditivo ao contrato original. Pela legislação em vigor, alterações contratuais podem chegar a 25% do valor do acordo, o que corresponderia a cerca de R$ 7,3 bilhões adicionais - cifra que poderia ser financiada ao longo de vários anos. Até o momento, não há confirmação de que esse caminho será, de facto, o escolhido.
Produção no Brasil e cooperação Saab–Embraer
O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que os “talvez 20 Gripen” adicionais deverão ser fabricados em território brasileiro. Caso essa produção local se concretize, será preciso elevar a capacidade industrial instalada em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, onde parte da fabricação da aeronave já ocorre.
A Saab já vinha sinalizando a possibilidade de expandir a produção no Brasil, em função do crescimento da procura internacional pelo caça. Mais recentemente, a empresa recebeu uma encomenda de 20 aeronaves para a Ucrânia, ao mesmo tempo em que a unidade brasileira segue vista como um polo estratégico para atender eventuais clientes na América Latina.
Na mesma visita oficial, Brasil e Suécia confirmaram ainda a instalação de um novo centro de pesquisa e desenvolvimento da Saab em São José dos Campos (SP). O município abriga a sede histórica da Embraer, principal parceira da fabricante sueca no programa Gripen no Brasil.
A confirmação do novo centro reforça a cooperação industrial entre Saab e Embraer, que já levou à conclusão do primeiro Gripen E produzido no país, apresentado oficialmente em março deste ano.
Outro avanço relevante dessa parceria foi a apresentação do Gripen F, versão biposto desenvolvida com participação de engenheiros brasileiros. O desenvolvimento levou cerca de cinco anos em Linköping, na Suécia, e o modelo foi revelado oficialmente na última terça-feira (2). A FAB deverá receber oito exemplares dessa variante.
O ministro sueco Pål Jonson destacou os resultados gerados pela cooperação entre os dois países, afirmando que os programas conjuntos trazem benefícios concretos para ambas as nações. Ele também confirmou que a Força Aérea Sueca deve receber o seu primeiro Embraer C-390 em 2028, marcando mais um capítulo da parceria estratégica entre Brasília e Estocolmo.
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