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Avaliação do Mitsubishi Eclipse Cross PHEV, SUV híbrido plug-in renovado

SUV vermelho Mitsubishi Eclipse PHEV estacionado em salão com estação de recarga elétrica.

Conhecer o Eclipse Cross PHEV renovado é, ao mesmo tempo, olhar para um carro e para um momento de virada da Mitsubishi. O SUV, lançado originalmente em 2017, passa agora por uma atualização profunda - e o principal destaque é a chegada, pela primeira vez, da versão híbrida plug-in.

Isso acontece numa fase em que a marca japonesa chegou a sinalizar, não faz muito tempo, que deixaria o mercado europeu (depois de anos de resultados globais fracos e com a reorganização da Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi). A decisão, porém, acabou revertida pela própria administração.

Agora, a recuperação da Mitsubishi passa novamente pela Europa, muito por “culpa” de Luca de Meo, diretor executivo do Grupo Renault desde o meio do ano passado, que acordou produzir nas suas fábricas europeias dois modelos para a Mitsubishi com base Renault, não só baixando os custos de I&D, como aproveitando mais a capacidade produtiva instalada da aliança franco-japonesa na Europa.

Mas isso não garante o futuro deste Eclipse Cross, porque existe a possibilidade de que os modelos com base técnica japonesa saiam, efetivamente, de cena a partir de 2023, que é quando chegam os primeiros Mitsubishi com “sotaque” francês. Um cenário provável se vender menos de 15 000 unidades/ano na Europa como aconteceu no atribulado ano passado.

Traseira foi o que mais mudou

O Eclipse Cross chegou em 2017, derivado da plataforma do Outlander (e recuperando o nome de um coupé compacto que a Mitsubishi fabricou entre 1989 e 2012), mas nunca causou grande impacto na Europa, com vendas anuais que não foram além de 27 000 unidades (em 2019), tendo caído para menos de metade na Europa em 2020 - os Outlander e Space Star vendem bem mais.

Nesta reestilização, o Mitsubishi Eclipse Cross PHEV traz novos para-choques, conjuntos óticos redesenhados (mais afilados, com formas de boomerang reforçadas e posicionados mais abaixo, ficando as luzes diurnas e os “piscas” numa posição superior) e abandona o polêmico óculo traseiro bipartido que não agradou logo no lançamento do modelo original.

No restante do visual externo, mantém as cavas das rodas alargadas e a linha de cintura ascendente, além de não ter havido alterações nem na largura nem na altura. Já o comprimento cresceu expressivos 14 cm, embora a distância entre eixos siga nos 2,67 m, o que mostra que o ganho veio basicamente nos balanços.

Em especial na traseira: nada menos do que 10 cm, algo importante para que o volume da bagageira do Eclipse Cross PHEV não fosse demasiado penalizado pelos componentes do sistema híbrido plug-in (como o inversor e o motor elétrico traseiro).

De fita métrica na mão

A capacidade de 359 litros da bagageira do Eclipse Cross PHEV não pode ser comparada com a do antecessor porque esse tinha uma segunda fila de bancos que avançava e recuava longitudinalmente em 20 cm (pelo que o volume da mala oscilava entre 341 l e 448 l) e agora os bancos são fixos - mais uma vez, por culpa da colocação dos componentes do sistema híbrido.

Mas dá para comparar com a dos SUV rivais híbridos plug-in - que também acabam com a bagageira comprometida pela parte elétrica do conjunto motriz - como o Opel Grandland X, Citroen C5 Aircross, Ford Kuga ou até o CUPRA Formentor, e perceber que o Eclipse Cross PHEV tem a segunda mala mais pequena do grupo, superando apenas a do modelo espanhol.

Claro que é possível rebater os encostos dos bancos traseiros para ampliar o volume de carga (em partes assimétricas) até aos 1108 litros, mas permanece uma pequena elevação na área onde ficam os encostos, quando rebatidos. A chapeleira é flexível com enrolador, menos robusta e estanque (à vista e ao toque) do que as rígidas.

O espaço para as pernas na segunda fila é razoável, mas não chega a ser generoso. Agrada a quase ausência de uma elevação central no piso da segunda fila (algo que nem muitos rivais, mesmo com mais pedigree, conseguem oferecer), e os assentos traseiros são bem mais altos do que os dianteiros, permitindo aos passageiros uma visão mais aberta durante a viagem.

Em contrapartida, a visibilidade traseira para o condutor fica aquém do desejável, não só por esse fator, como também porque o portão traseiro tem menos área envidraçada.

Quanto às dimensões do Eclipse Cross renovado e do Outlander, pode causar alguma estranheza, num primeiro momento, ambos terem a mesma distância entre eixos, altura, largura e até peso, mas é preciso lembrar que, por baixo da carroçaria, partilham praticamente tudo.

Só que, agora que já foi revelado o sucessor do Outlander (que só chega ao mercado no ano que vem), percebe-se que a nova geração do SUV cresce de forma acentuada, sobretudo em largura (mais 6 cm) e entre eixos (mais 3,5 cm).

Mudanças também por dentro

No interior, há várias novidades fáceis de notar, como o ecrã tátil central maior (8”) que integra dois botões físicos rotativos (e elimina a pouco intuitiva base tátil usada para controlar o infoentretenimento no antecessor).

A instrumentação é mista (analógica nas extremidades e digital ao centro) e exibe grafismos mais atuais, com o conta-rotações a dar lugar a um medidor de energia que posiciona o ponteiro conforme o modo de condução; quando o motor a combustão está ativo, indica a potência gerada (kW). Mantém-se um head-up display por lâmina acima da instrumentação.

A qualidade geral continua em bom patamar, com muitas superfícies macias ao toque e uma combinação visualmente agradável de fundos escuros com inserções metalizadas.

3 motores, 4 rodas motrizes

O conjunto de propulsão é bem conhecido do Outlander PHEV: usa um motor atmosférico de quatro cilindros e 2.4 l (ciclo Atkinson), aqui com apenas 98 cv, auxiliado por um motor elétrico no eixo dianteiro de 60 kW (82 cv) e um segundo motor elétrico no eixo traseiro de 70 kW (95 cv). Na prática, é um 4×4, embora não exista um veio de transmissão a ligar os eixos dianteiro e traseiro.

Os dois motores elétricos recebem energia de uma bateria de iões de lítio de 13,8 kWh (montada sob o piso, entre os dois eixos), que pode ser carregada totalmente em seis horas numa tomada doméstica, em quatro horas numa Wallbox (o carregador de bordo do Eclipse é de 3,7 kW) ou em apenas 25 minutos em corrente direta (DC, a 22 kW) para ir de 0 a 80%.

Ganhou uns “quilinhos”

Com um rendimento máximo de sistema de 188 cv, o Eclipse Cross PHEV acaba por ser, curiosamente, mais lento do que o 1.5 turbo de 163 cv que veio substituir.

Grande parte da explicação está no facto de o carro ter “engordado” quase meia tonelada (!) face ao antecessor de duas rodas motrizes e 350 kg (!) em relação ao de quatro rodas motrizes - 1500 kg e 1635 kg, respetivamente, contra os 1985 kg do novo Eclipse Cross PHEV. É o que acontece quando se adiciona (sobretudo) uma bateria de alta tensão, dois motores elétricos, inversor, e um motor bem maior (2,4 l contra 1,5 l).

A relação peso/potência, desfavorável (cerca de 10 kg/cv), não permite milagres. Toda a calibração (máximo de 4000 rpm) e o conceito (ciclo Atkinson) do motor a gasolina priorizam a eficiência energética, e não acelerações e retomadas (ainda que, neste último ponto, a resposta imediata dos motores elétricos ajude a melhorar o resultado).

Vamos a números

Se compararmos com anterior Eclipse Cross 1.5 Turbo (2WD), a aceleração de 0 a 100 km/h piora de 9,7s para 10,9s, da mesma forma que a velocidade de ponta cai de 205 km/h para 162 km/h. Face ao novo 1.5 Turbo (que não se venderá em Portugal), a desvantagem é menor (meio segundo de 0 a 100 km/h) porque o aumento de tamanho do SUV agravou a sua massa em 100 kg.

Mais relevante é o facto de o novo Mitsubishi Eclipse Cross PHEV ser mais lento do que os citados SUV híbridos plug-in do segmento e de a sua velocidade máxima ficar mais próxima da de um SUV 100% elétrico (a propósito, a velocidade máxima em modo elétrico é de 135 km/h). Por outro lado, é uma das raras opções neste nível de preço e posicionamento a oferecer tração às quatro rodas - a outra é o Jeep Compass 4xe.

O outro lado da moeda é o consumo médio anunciado de 2,0 l/100 km, mas apenas se houver carga na bateria para a locomoção e assistência elétrica e, ainda assim, com um pé direito “leve”. Como falta rendimento, tende-se a acelerar mais fundo e com maior frequência, o que inevitavelmente aumenta o gasto de gasolina (e de eletricidade, na verdade) e também torna a viagem menos relaxada (o motor fica ruidoso em cargas elevadas).

Eclipse Cross PHEV, um plug-in “diferente”

Muitos talvez não se lembrem de que este foi o primeiro sistema híbrido plug-in a aparecer no mercado, porque o princípio é semelhante ao do Outlander PHEV, lançado em 2014, e que se tornou o n.º 1 neste subsegmento na Europa.

Um dos pontos mais singulares deste híbrido plug-in é a sua estratégia de funcionamento, bastante diferente da dos concorrentes: aqui não há caixa de velocidades e o motor a gasolina conta apenas com uma engrenagem de redução e uma embraiagem multidisco para se ligar e desligar da propulsão.

Além de atuar como gerador, o quatro cilindros de 2,4 l só passa a mover as rodas em apoio aos dois motores elétricos e apenas acima de 65 km/h. Ou seja, abaixo dessa velocidade o Eclipse Cross PHEV é 100% elétrico (o que significa que, em cidade, raramente deixará de o ser).

A possibilidade de alguns utilizadores mais urbanos passarem semanas a fio a andar só “a pilhas” (desde que carreguem) é tão concreta que o sistema liga automaticamente o motor a gasolina ao fim de 89 dias consecutivos de condução 100% elétrica para limpar o sistema de injeção. Por outro lado, por ter apenas “uma velocidade”, funciona como uma marcha longa - uma “6ª”, por assim dizer.

São três os programas de condução geridos automaticamente pelo sistema operativo: o Elétrico (EV) em que os dois motores elétricos atuam sozinhos (potência máxima de 177 cv, velocidade máxima de 135 km/h) com energia que chega da bateria; o Híbrido em série em que também os dois motores elétricos fazem mover as rodas, mas em que o motor de combustão, como gerador, carrega a bateria (velocidade máxima de 135 km/h); e o Híbrido paralelo, só acima de 135 km/h, em que o motor de combustão se une ao motor elétrico dianteiro para fazer mover as rodas dianteiras, enquanto o motor elétrico traseiro faz o mesmo com as traseiras.

O condutor pode intervir na propulsão e na gestão de energia ao selecionar o modo EV (desde que as baterias tenham carga suficiente), ativar o modo Save (para guardar carga para uma parte específica do trajeto) ou Charge (para usar o motor a gasolina a carregar a bateria). Também pode usar as patilhas atrás do volante para ajustar (em seis níveis) a intensidade da recuperação de energia na desaceleração.

Como é habitual, o nível mais baixo de recuperação não provoca redução de velocidade (como se o carro estivesse em roda-livre), e o mais forte permite condução com um só pedal (sem sequer recorrer ao travão).

Convém o condutor ter em conta que, quando a bateria chega a um nível de carga muito baixo, a resposta do motor fica bastante anémica. Existe até um gráfico de barras azuis que diminui de quatro até zero à medida que a carga baixa de 25% para 20%, para que essa quebra significativa de rendimento não o apanhe desprevenido - o que poderia ser perigoso durante uma ultrapassagem.

Para viagens tranquilas

Sobre a qualidade do rolamento, em estradas secundárias e sinuosas a estabilidade do Eclipse Cross PHEV é boa, até porque a ligeiramente maior altura ao solo (passou de 18,3 cm para 19,1 cm essencialmente porque as rodas são maiores) é compensada pela massa extra, colocada mais perto do chão, o que faz o carro parecer mais “assentado” no asfalto (o centro de gravidade é 3 cm mais baixo do que na versão a gasolina e 1 cm mais baixo do que o do Outlander). O amortecimento é firme, mas sem prejudicar o conforto.

A direção muito leve e um tanto “vaga” combina com uma afinação geral que não faz o condutor sentir-se particularmente envolvido, enquanto a travagem dá conta do recado, também ajudada pelos ritmos tranquilos a que tende a acontecer qualquer viagem ao volante do Eclipse Cross PHEV.

A tração às quatro rodas varia de forma constante e automática entre os eixos, sendo 45%-55% em andamento estável a velocidades de cruzeiro e podendo aproximar-se de 100%-0 e 0-100% dependendo do estilo de condução, condições do piso, modo selecionado, etc. A este propósito, convém lembrar que há cinco modos: Eco, Normal, Asfalto, Gravilha e Neve.

Especificações técnicas

Mitsubishi Eclipse Cross PHEV
Motor Combustão
Arquitetura 4 cilindros em linha
Posicionamento Dianteiro transversal
Capacidade 2360 cm3
Distribuição DOHC, 4 válv./cil., 16 válvulas
Alimentação Inj. indireta
Potência 98 cv às 4000 rpm
Binário 193 Nm às 2500 rpm
Motor Elétrico (dianteiro)
Potência 60 kW (82 cv)
Binário 137 Nm
Motor Elétrico (traseiro)
Potência 70 kW (95 cv)
Binário 195 Nm
Rendimento Máximo Combinado
Potência Máxima Combinada 188 cv
Binário Máximo Combinado N.D.
Bateria
Química Iões de lítio
Capacidade 13,8 kWh
Potência de carga Corrente alterna (AC): 3,7 kW; Corrente contínua (DC): 22 kW.
Carregamento 230 V: 6h; 3,7 kW: 4h; 0-80% (DC): 25 min.
Transmissão
Tração Às 4 rodas
Caixa de Velocidades Caixa redutora (1 vel.)
Chassis
Suspensão FR: Independente MacPherson; TR: Independente multibraços
Travões FR: Discos ventilados; TR: Discos sólidos
Direção / Voltas ao volante Assistência elétrica/2,9
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4,545 m x 1,805 m x 1,685 m
Entre eixos 2,670 m
Bagageira 359-1108 l
Depósito 43 l
Peso 1985 kg
Pneus 225/55 R18
Prestações, Consumos, Emissões
Velocidade máxima 162 km/h (135 km/h em modo elétrico)
0-100 km/h 10,9s
Autonomia elétrica Combinada: 45 km; Urbana: 55 km
Consumo misto 2,0 l/100 km; 19,3 kWh/100 km
Emissões CO2 46 g/km

Autores: Joaquim Oliveira/Press-Inform.

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