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A Marinha Russa ainda não tomou uma decisão sobre o destino de seu único porta-aviões, o Almirante Kuznetsov, enquanto o programa de modernização segue sem avanços divulgados publicamente e aumentam as incertezas a respeito de seu futuro operacional. Depois de vários anos de reparos, acidentes e alterações no cronograma, o navio permanece atracado em Murmansk, sem uma confirmação oficial sobre a retomada das obras, o retorno ao serviço ou sua desativação definitiva.
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Um porta-aviões com trajetória marcada por restrições
O Almirante Kuznetsov é o último legado da estratégia naval soviética voltada a rivalizar com os grupos de batalha de porta-aviões dos Estados Unidos. Diferentemente dos projetos ocidentais, o Projeto 1143.5 foi desenvolvido como uma plataforma que reunia aviação embarcada e um expressivo armamento de mísseis, preservando capacidade ofensiva mesmo sem utilizar integralmente sua ala aérea.
Durante a Guerra Fria, a União Soviética deu prioridade a navios capazes de levar grandes volumes de mísseis de cruzeiro, em vez de construir porta-aviões convencionais. Essa concepção começou a mudar gradualmente, abrindo caminho para uma nova geração de navios fundamentada na experiência acumulada com a classe Kiev.
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O Almirante Kuznetsov foi construído nos estaleiros de Nikolayev, na então República Socialista Soviética da Ucrânia. O porta-aviões entrou em serviço em 1991, enquanto seu navio-irmão, o Varyag, nunca foi incorporado pela Marinha soviética e, anos mais tarde, foi adquirido pela China, onde, após uma ampla modernização, entrou em operação como o porta-aviões Liaoning.
Desde o início de sua carreira operacional, o Almirante Kuznetsov teve diversos problemas técnicos que comprometeram sua disponibilidade. Entre os principais estavam as falhas repetidas no sistema de propulsão, uma característica herdada dos cruzadores porta-aviões soviéticos da classe Kiev e de suas variantes.
O conjunto propulsor reúne oito caldeiras turbo pressurizadas e quatro turbinas a vapor, que movimentam quatro eixos. Vários episódios ocorridos ao longo da vida útil do navio expuseram as limitações dessa configuração, que também gerou dificuldades semelhantes em outros navios soviéticos da mesma família.
Uma modernização prejudicada por atrasos e acidentes
Em 2017, a Marinha Russa retirou o Almirante Kuznetsov de operação para dar início a um amplo programa de recuperação e modernização. Contudo, a iniciativa passou a acumular atrasos já em suas fases iniciais, em razão de uma sucessão de acidentes que modificou o calendário planejado.
Um dos episódios mais importantes aconteceu em outubro de 2018, quando o dique flutuante PD-50, do 82º Estaleiro de Reparos, colapsou e afundou. Posteriormente, em dezembro de 2019, um incêndio de grandes proporções durante as atividades de manutenção causou vítimas e novos danos, enquanto, em dezembro de 2022, outro foco de incêndio foi registrado e controlado pelas equipes de emergência.
Apesar desses problemas, em 2023, dirigentes da Corporação Unificada de Construção Naval (United Shipbuilding Corporation – USC) afirmaram que o porta-aviões retornaria ao serviço em 2024. Naquele momento, também informaram que cerca de 2.000 trabalhadores participavam das atividades de reparo e modernização conduzidas em Murmansk.
No mesmo ano, o navio deixou o cais do 82º Estaleiro de Reparos para ser transferido à Planta 35 de Murmansk, onde deveria concluir a etapa final de sua preparação. À época, as autoridades russas mantinham a previsão de reincorporá-lo à Frota do Norte após o término dos testes necessários.
Incerteza sobre o futuro do Almirante Kuznetsov
Com o passar do tempo, a expectativa de um retorno rápido começou a perder força. Em 2025, as atualizações oficiais sobre o programa de modernização praticamente desapareceram, e diversos veículos russos informaram que a Marinha avaliava opções que incluíam a retirada definitiva de serviço e o desmantelamento do porta-aviões.
O cenário se tornou ainda mais incerto em 2026, quando surgiram informações de que os trabalhos de modernização haviam sido interrompidos. Fotografias compartilhadas nas redes sociais mostraram o Almirante Kuznetsov atracado em Murmansk, com sinais do longo período de inatividade e do desgaste acumulado após anos de obras não concluídas.
Até agora, o Ministério da Defesa da Rússia não comunicou uma decisão final sobre o destino do navio. Assim, o futuro do único porta-aviões da Marinha Russa continua em aberto entre a possibilidade de reativar sua modernização, mantê-lo fora de operação ou avançar para sua baixa definitiva, encerrando a trajetória do último porta-aviões herdado da União Soviética.
Mudança de orientação da Marinha Russa?
Embora ainda se considere que a Marinha Russa possui um porta-aviões, buscando a projeção estratégica mencionada anteriormente, a realidade é que ele não está operacional há anos, e as informações disponíveis indicam que esse quadro não deverá mudar. Diante disso, ao observar o que a força naval do gigante eurasiático vem efetivamente promovendo, surge a questão de saber se há uma mudança de orientação na forma de estruturar a Marinha.
Com a desativação do porta-aviões Almirante Kuznetsov, a Rússia deixaria de priorizar a estratégia de projeção de poder por meio da Ala Aérea Embarcada, mas poderia avançar para outro modelo de projeção: uma frota mais numerosa de navios menores e com maior tecnologia. Como exemplos, Moscou anunciou neste ano o início da construção da nona fragata da classe Projeto 22350 Almirante Gromov e também a construção do nono submarino de propulsão nuclear da classe Yasen-M.
Por outro lado, quase ao mesmo tempo em que a Marinha celebrava, em maio, a incorporação à Frota do Báltico da corveta de mísseis da classe Karakurt “Burya”, também comemorava, no início deste mês, o lançamento de outra corveta dessa classe, chamada “Shtorm”.
Por fim, vale mencionar que, embora a Rússia esteja avançando rapidamente na construção desses navios, também está concluindo os testes necessários para incorporar o cruzador nuclear Almirante Nakhimov à Frota do Norte. Caso o porta-aviões Kuznetsov seja desativado no futuro, esse cruzador passará a ser o maior navio de toda a Marinha Russa.
Imagens meramente ilustrativas.
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