A estratégia de eletrificação da Toyota passa por colocar na rua 30 novos modelos elétricos até 2030. Nesse pacote, a marca promete variedade: de crossover (onipresente) a picape, sem deixar os esportivos de lado.
Entre os modelos mostrados, o sucessor “espiritual” do Lexus LFA foi quem mais roubou a cena. Ainda assim, outro esportivo apresentado no evento também chamou atenção: um compacto biplace, com as proporções clássicas de um carro esportivo de motor central traseiro.
Um biplace targa que lembra o Toyota MR2
O conjunto de proporções e, sobretudo, a escolha por uma carroceria targa (e não um roadster) remete imediatamente ao saudoso Toyota MR2, lançado originalmente nos anos 80.
No MR2 de primeira geração, o motor ficava atrás dos dois ocupantes e a carroceria era targa - fórmula que voltou a ser aplicada nos anos 90 na segunda geração, que cresceu tanto em tamanho quanto em desempenho.
Já a terceira e última geração seguiu outro caminho. Embora tenha mantido o motor em posição central traseira, abandonou o teto targa e virou um roadster - além de se firmar como o rival mais duro do MX-5 NB. Em relação ao MR2 de segunda geração, dimensões e performance “encolheram”, e o peso também caiu, ficando abaixo de 1000 kg.
O regresso do MR2 como um elétrico?
Akio Toyoda, presidente da Toyota, já havia deixado claro o desejo de reunir novamente os “três irmãos”. Se antes esse trio era formado por Supra, Celica e MR2, hoje a dupla é o GR Supra e o GR86 (que assume o papel do Celica) - faltando, portanto, um novo esportivo compacto para ocupar o espaço do MR2.
Em 2015, essa lacuna quase foi preenchida: no Salão de Tóquio, a Toyota apresentou o S-FR, um conceito em formato cupê pensado como potencial rival do Mazda MX-5. Só que, diferente do MR2, ele seguia a cartilha do próprio MX-5: motor longitudinal dianteiro e tração traseira. Apesar do visual “pronto a produzir” do S-FR, o projeto simplesmente “evaporou-se” dos planos da Toyota.
Mais tarde, em 2018, surgiu uma nova rodada de especulações apontando, pela primeira vez, a chance de o MR2 voltar como um elétrico. Chance que agora quase vira certeza com a revelação deste novo protótipo.
Sports EV e a hipótese de arquitetura “mid-engine”
O protótipo foi apresentado de forma bem direta, com o nome Sports EV. E suas proporções mid-engine alimentam a teoria de que, sob a “pele” de linhas bem dinâmicas, pode existir uma solução semelhante à vista em propostas recentes - especialmente na Porsche e na Lotus.
Tanto o Mission R da Porsche quanto a nova arquitetura elétrica LEVA da Lotus, em vez de posicionarem as baterias no assoalho entre os eixos, colocam o conjunto no mesmo espaço onde estaria um motor a combustão em um mid-engine.
Essa alternativa traz vantagens claras: além de permitir uma posição de dirigir bem baixa, como se espera de um esportivo, também ajuda a manter uma distribuição de massas próxima à de um típico esportivo de motor central traseiro.
Será que é esse o caminho que a Toyota vai adotar no seu novo esportivo?
O outro rumor: a ligação Suzuki e Daihatsu
Quase ao mesmo tempo em que a Toyota revelou 15 protótipos elétricos - entre eles o Sports EV -, a publicação japonesa Best Car Web divulgou um rumor de que a Toyota teria se unido à Daihatsu (subsidiária da Toyota) e à Suzuki para desenvolver um esportivo compacto com motor em posição central traseira.
O ponto mais curioso desse rumor é a afirmação de que o modelo seria movido a combustão, com o motor sendo desenvolvido pela Suzuki e compartilhado com Toyota e Daihatsu. Dá para levar essa história a sério?
O fato é que, como já comentávamos há anos, a Toyota ainda não dispõe de uma base própria para um modelo com esse tipo de arquitetura. E parcerias para tirar projetos do papel não são novidade: o GR Supra foi cocriado com a BMW, enquanto o GR86 (e o GT86) teve a Subaru como aliada.
Por enquanto, resta especular. Essa suposta arquitetura poderia aceitar mais de um tipo de motorização - combustão e elétrica - e, assim, dar origem ao esportivo elétrico que a Toyota acabou de antecipar?
Ainda será preciso esperar para ter todas as respostas. Segundo a publicação japonesa, o ano de 2025 é o alvo para conhecermos esse novo esportivo.
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