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FAB não planeja desativar esquadrões de caça F-5 apesar dos atrasos do Gripen

Militar em uniforme verde caminhando à frente de dois jatos de combate camuflados estacionados no hangar.

O que circulou e por que é desinformação

A Força Aérea Brasileira (FAB) não vem adotando medidas para desativar esquadrões de caça F-5, mesmo com os atrasos provocados por limitações orçamentárias no programa Gripen.

O boato apareceu primeiro em sites que se apresentam como “revista especializada” em defesa, mas que acumulam um longo histórico de informações equivocadas e deturpadas. Essas páginas também recorrem intensamente ao uso de IA para produzir imagens e matérias e, em alguns momentos, passam a abordar OVNIs - um perfil típico de portal conspiracionista, motivo pelo qual acabam sendo alvo de ironias entre profissionais do setor.

Unidades citadas: Esquadrão Jambock e Esquadrão Pampa

Na narrativa desinformativa, dizia-se que a FAB estaria analisando o encerramento do Esquadrão Jambock, o 1º Grupo de Aviação de Caça, sediado em Santa Cruz. A unidade atuou na Itália em 1944 e 1945 e é, de longe, uma das mais reconhecidas de toda a Força, provavelmente entre as mais renomadas também no conjunto das Forças Armadas, pelo seu extenso histórico.

Como alternativa, a mesma versão apontava a possível desativação do Esquadrão Pampa, o 1º Esquadrão do 14º Grupo de Aviação, ainda mais antigo do que o Jambock e baseado na Base Aérea de Canoas.

Efeitos operacionais e o que dizem as fontes sobre F-5 e Gripen

Se essa hipótese avançasse, a FAB passaria a manter somente dois esquadrões de caça “puros”: o Jaguar, equipado com o Gripen em Anápolis, e mais um entre os que não fossem “sacrificados”. Isso porque as demais unidades remanescentes - Centauro e Poker - operam as aeronaves de ataque AMX em Santa Maria e, de fato, devem ser desativadas bem antes do F-5.

Após consultar oficiais, a Revista Força Aérea apurou que não há qualquer plano de desativar unidades aéreas da FAB nessas duas bases consideradas estratégicas: Canoas e Santa Cruz. AEROIN recebeu a mesma confirmação de ex-oficiais ligados a esses esquadrões, além de militares da ativa, e a informação também foi corroborada por outras mídias reconhecidas no meio.

É verdade que a situação da FAB exige atenção em função das restrições de orçamento, algo que se manifesta inclusive no atraso do próprio programa Gripen. Ainda assim, encerrar um esquadrão não é equivalente a estacionar um jato comercial no deserto e aguardar a crise passar para depois retomar as operações, como ocorreu com companhias aéreas durante a pandemia. A redução de agora tende a gerar um custo maior adiante e, além disso, abre uma lacuna perigosa na defesa aérea.

Também contraria essa desinformação o posicionamento público de interesse em adquirir mais 20 caças Gripen, além da possibilidade de virem algumas unidades usadas do modelo JAS-39C/D. Um cenário de desativação de esquadrões não comportaria esse tipo de perspectiva.

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