A Dacia Jogger Hybrid 140 é a melhor relação custo-benefício do mercado? Provavelmente.
Quem olha de relance para o Dacia Jogger Hybrid 140 pode achar que está só diante de mais um Jogger, igual aos que já se veem por aí. Só que, neste caso, a grande novidade está onde não se vê.
Debaixo da carroçaria conhecida, a Dacia estreou a sua primeira motorização híbrida de sempre. E, como seria de esperar no “modo Dacia”, não inventou do zero: foi buscar uma solução já testada e aprovada dentro do Grupo Renault.
Assim, a dar vida ao novo Jogger Hybrid 140 está a mesma cadeia cinemática do Renault Clio E-Tech Full Hybrid, um modelo que já passou pela garagem da Razão Automóvel.
A Dacia apresenta o Jogger Hybrid 140 como “o automóvel familiar híbrido mais acessível do mercado”, mas o argumento não se resume ao preço, fixado nos 28 800 euros.
Foi isso que confirmámos na apresentação internacional do Dacia Jogger Hybrid 140, realizada em Portugal, o que nos permitiu fazer um primeiro contacto “em casa”, na região de Lisboa.
Espaço para (quase) tudo
Ao contrário do que acontece em vários modelos que ganham uma versão híbrida, no Jogger Hybrid 140 a eletrificação não penalizou as cotas de habitabilidade. A razão é simples: o modelo foi pensado desde o início para poder receber esta solução.
Ao instalar a pequena bateria de 1,2 kWh no lugar do pneu sobresselente, a Dacia conseguiu não só manter os sete lugares - a única configuração do Jogger Hybrid 140 que será vendida em Portugal - como também preservou a capacidade da bagageira.
Atrás, há espaço suficiente para levar duas cadeiras de criança sem complicações e até os lugares da terceira fila permitem viajar com conforto - certamente mais do que em muitos SUV de sete lugares.
A altura do piso do habitáculo também não mudou, o que é uma ótima notícia, sobretudo quando é preciso aceder à terceira fila de bancos.
O som… do silêncio
Apesar de ser um híbrido convencional (não é plug-in), ainda assim dá para circular em modo 100% elétrico, mesmo que apenas por períodos curtos.
É nesses momentos, em que o silêncio domina, que a robustez do modelo romeno mais se destaca. A montagem não dá motivos para críticas, mesmo que os materiais não sejam os mais agradáveis - na maioria, duros e pouco agradáveis ao toque -, apontando para uma durabilidade bem-vinda. Já os ruídos aerodinâmicos surgem um pouco mais cedo, mas nunca chegam a incomodar.
Em relação aos outros Jogger, o interior do Hybrid 140 diferencia-se sobretudo pelo comando da caixa automática e pelo novo painel de instrumentos digital de 7”. Este último revelou-se completo e fácil de ler, algo que nem sempre acontece com este tipo de solução.
Quanto gasta?
Sendo híbrido, a pergunta é inevitável: quão económico é o Dacia Jogger Hybrid 140? E a resposta foi positiva, com consumos bastante contidos.
Num trajeto com longos troços de autoestrada e também passagens pelas duas principais serras da região de Lisboa - Sintra e Arrábida -, as médias ficaram sempre abaixo dos cinco litros, chegando aos 4,3 l/100 km.
Neste primeiro contacto, mais curto, não foi possível perceber como se comportam os consumos quando o Jogger é usado ao máximo na sua vertente familiar. Para isso, será preciso esperar por uma oportunidade de teste mais prolongado.
Tecnologia comprovada
Como referimos no início, o Dacia Jogger Hybrid 140 recorre à mecânica do Clio E-Tech Full Hybrid. Ou seja, à frente temos um quatro cilindros atmosférico de 1,6 l e 90 cv, associado a dois motores elétricos: um com 50 cv e outro que funciona como motor-gerador de alta tensão. A alimentar o sistema está uma bateria de 1,2 kWh.
O resultado é uma potência máxima combinada de 140 cv e 205 Nm, tornando o Jogger Hybrid 140 o mais potente da gama. A transmissão é assegurada por uma caixa de velocidades elétrica automática - e é também a primeira caixa automática na família Jogger.
Esta solução junta uma caixa manual de quatro velocidades sem embraiagem - com relações engrenadas por atuadores elétricos, sem intervenção do condutor - a duas relações ligadas ao motor elétrico.
Ao volante do Jogger Hybrid 140
No geral, o conjunto agrada pela suavidade em baixa velocidade, mas quando se pede mais dos 140 cv, a experiência acaba por lembrar, em parte, os híbridos com transmissões CVT, devido ao aumento do ruído do motor.
A performance também soube a pouco, tendo em conta que existem mais 30 cv do que nos Jogger apenas a gasolina. Parte desse ganho acaba por se “perder” por causa da resposta algo lenta da caixa.
O foco desta motorização híbrida está claramente nos consumos e na suavidade do funcionamento, algo que se percebe ao volante.
Dito isto, há potência para manter bons ritmos em autoestrada e fazer ultrapassagens sem grandes contas, mas a diferença face à versão só a gasolina acaba por ser menor do que esperava.
A vocação familiar do Jogger também se nota no comportamento dinâmico: mais confortável do que aguerrido, sempre previsível e seguro.
Uma nota menos positiva vai para o tato do pedal do travão, que nem sempre é fácil de “ler”. É uma característica comum a muitos híbridos e elétricos, que ainda não dominam totalmente a transição entre travagem regenerativa e travagem mecânica.
Por outro lado, a recuperação de energia em desaceleração merece elogios, sobretudo quando se usa o “modo B”, que aumenta a sua intensidade.
Cada vez mais concorrencial
Com o lançamento do Jogger Hybrid 140, a Dacia volta a tentar “democratizar” mais uma tecnologia, depois de já o ter feito com os elétricos através do Spring.
À venda em Portugal apenas na versão mais equipada - a SL Extreme de 7 lugares -, os 28 800 euros pedidos pelo Jogger Hybrid 140 fazem dele, de longe, o familiar híbrido mais acessível do mercado.
Para quem circula maioritariamente em meio urbano ou para quem considera a caixa automática um requisito, o Jogger Hybrid 140 é “o Jogger a comprar”.
No entanto, para quem não tiver estas prioridades, o potencial de poupança da versão ECO-G, bifuel (GPL + gasolina), aliado ao preço mais baixo, faz dela uma alternativa que merece ser considerada.
Seja como for, com a chegada da versão híbrida, o Jogger ganha novos argumentos para “convencer” mais uma fatia do mercado.
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