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Testamos o Citroën ë-C3 Autonomia Urbana elétrico que custa menos de 20 mil euros

Carro elétrico Citroën E-C3 Urban verde estacionado ao lado de um carregador em ambiente interno iluminado.

Citroën ë-C3 Autonomia Urbana

Nota: 7.5/10

A Citroën enxugou custos onde deu no novo ë-C3 Autonomia Urbana. A fórmula funciona?

Prós - Autonomia real - Conforto em estrada - Qualidade de construção - Preço

Contras - Ausência de tela central - Consumos - Recuperação de energia


Os veículos elétricos chegaram para ficar. O ponto é que boa parte deles ainda pesa no bolso da maioria das famílias. Para reduzir a conta, quase sempre sobram dois caminhos: conviver com uma autonomia mais curta ou partir para um modelo usado.

É exatamente nesse espaço que aparece o novo Citroën ë-C3 Autonomia Urbana. Ele é 100% elétrico, confortável, tem bom espaço interno e custa pouco. Sim, já existe elétrico barato. Mas “barato” quanto? Abaixo de 30 mil euros? Sim, bem abaixo.

Aqui, o número é 19 990 euros, o que faz deste Citroën ë-C3 o elétrico do segmento B (utilitários) mais barato do mercado.

Citroën ë-C3 Autonomia Urbana

© Miguel Nascimento / Razão Automóvel - No visual, o ë-C3 é quase idêntico à versão com motor a combustão.

Para chegar a esse valor, a Citroën precisou cortar onde era possível e retirar itens que já viraram comuns. A grande questão é se essas decisões estragam a experiência no dia a dia. Foi isso que decidi investigar.

Visual honesto

Diferente de algumas versões de entrada que fazem questão de “gritar” preço com um desenho simplificado demais, este Citroën ë-C3 preserva, praticamente sem mudanças, a aparência robusta vista nas demais configurações.

Só quem repara com mais atenção percebe que esta é a opção mais acessível. As rodas de liga leve deram lugar a rodas de aço de 16” com calotas, e os faróis de LED foram trocados por conjuntos halógenos. Não são soluções sofisticadas nem chamativas, mas entregam exatamente o que se espera delas.

Galeria (3 imagens) - Na tampa do porta-malas, o nome do modelo aparece em adesivos, em vez dos tradicionais emblemas tridimensionais. - Esqueça os faróis de LED, cada vez mais comuns: o ë-C3 de entrada vem com faróis halógenos. Sem destaque, cumprem o propósito de reduzir custos. - As rodas de ferro são cobertas por calotas plásticas.

No restante, é o mesmo ë-C3 que já conhecemos. Ele se apresenta como um pequeno crossover, com maior altura do solo, para-choques mais salientes e linhas firmes, que reforçam um ar mais aventureiro. Na minha opinião, funciona muito bem.

Quem procura um elétrico de baixo custo dificilmente vai escolher o ë-C3 apenas pela aparência. Ainda assim, a sensação é de que você não está levando para casa um carro “barato”.

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De volta ao essencial

Por dentro, ao contrário do exterior, fica bem mais difícil disfarçar que este é o Citroën ë-C3 mais barato de todos. Se antes existiam carros sem rádio, hoje isso é o tipo de coisa que todo mundo assume como garantida. Exceto neste ë-C3.

O primeiro ponto que chama atenção é a falta de uma tela central. No lugar dela, a Citroën instalou um suporte para o smartphone. Com o aplicativo da marca, o celular vira a central multimídia, liberando acesso ao rádio, músicas e outras funções.

Confesso que, antes de dirigir, eu tinha certeza de que sentiria falta da tela. E, para ser justo, senti no começo. Só que depois de alguns quilômetros isso deixou de importar. Para outras pessoas, porém, depender do smartphone para funções básicas pode ser um incômodo real.

E aí surge a pergunta: o que a Citroën economiza ao eliminar a tela compensa a perda de usabilidade frente aos concorrentes? Pelo recente lançamento do ë-C3 Tonic, baseado nesta versão YOU, mas com tela tátil de série, parece que a marca francesa conhece bem a resposta.

Na frente do motorista há um painel digital pequeno, focado no indispensável: velocidade, autonomia, consumo e pouco mais. O mesmo vale para o ar-condicionado, que mantém comandos físicos.

Nem a posição de dirigir escapa da proposta minimalista. O banco só permite ajuste longitudinal e do encosto, mantendo altura fixa - que, para meu gosto, é alta demais. Em contrapartida, os assentos seguem bem acolchoados e confortáveis, como se espera de um Citroën.

Atrás, a simplicidade continua. Até os vidros traseiros entraram na tesoura: em vez de acionamento elétrico, a abertura é manual. O mais curioso é que, mesmo com tantas concessões, em nenhum momento tive a impressão de estar em um carro “pelado”. Simples? Com certeza. Mas “pobre”, não.

Competente em estrada

Hoje, não é raro encontrar elétricos deste segmento com 200 cv - e até mais. O Citroën ë-C3 vai no sentido contrário: entrega 83 kW (113 cv) e 125 Nm de torque.

No papel, os números não impressionam. Na prática, foram poucas as vezes em que eu adotei um ritmo que me fizesse desejar mais potência. Até porque, como em todo elétrico, mesmo com torque modesto, a resposta aparece na hora.

Motor elétrico do Citroën ë-C3 Autonomia Urbana

© Miguel Nascimento / Razão Automóvel - Independentemente da capacidade da bateria, o Citroën ë-C3 é limitado a 125 km/h, deixando claro o seu habitat natural: a cidade. Não é uma proposta pensada para longas viagens.

Na cidade - onde este ë-C3 deve passar boa parte da vida - o desempenho é mais do que suficiente. Ele arranca com facilidade e passa a sensação constante de ter força sobrando para o que se pede. Só quando entramos na rodovia é que os limites desta versão ficam mais evidentes.

Spotify (vídeo) - “Daqui a 30 anos estes carros elétricos vão ser clássicos?”

A maior surpresa não veio do conjunto elétrico, e sim da forma como este utilitário lida com as imperfeições do asfalto. Mesmo na versão de entrada, o ë-C3 mantém a tradição da marca quando o assunto é conforto.

E, apesar do interior dominar em plástico, dá para contar nos dedos de uma mão as vezes em que surgiram ruídos parasitas.

Eficiência não é o seu forte

Nem tudo convenceu. Não há aletas para ajustar a regeneração e o sistema só oferece dois níveis. Para escolher o modo de menor regeneração, é preciso apertar a tecla “C”, de Comfort/Cruise. A desaceleração fica mais suave.

Ao mesmo tempo, o sistema elétrico deste ë-C3 também não se destaca em eficiência. Eu consegui ficar abaixo dos 17,2 kWh/100 km oficiais - valor que considero alto. Ainda assim, os 16,5 kWh/100 km registrados por mim continuam parecendo elevados para este tipo de proposta.

Porta de carregamento do Citroën ë-C3 Autonomia Urbana

© Miguel Nascimento / Razão Automóvel - Na versão Autonomia Urbana, com bateria de 30 kWh, o ë-C3 aceita potências de carregamento de até 11 kW e 30 kW, em corrente alternada (AC) e corrente contínua (DC), respectivamente.

Com consumo abaixo do oficial, os 205 km de autonomia anunciados em ciclo combinado WLTP se mostraram totalmente alcançáveis.

USADOS - Elétricos até 20 mil euros

Procura uma proposta com mais autonomia? No mercado de usados há várias com preços até aos 20 mil euros.

QUERO VER TODOS

Vale a pena?

É impossível analisar este Citroën ë-C3 Autonomia Urbana sem colocar o preço no centro da conversa. Afinal, esse é o seu maior argumento.

Ele é o 100% elétrico de segmento B mais acessível do mercado, e isso explica praticamente todas as escolhas feitas pela marca. O desenho é discreto e o pacote de equipamentos foi reduzido ao essencial.

Citroën ë-C3, dianteira

© Miguel Nascimento / Razão Automóvel

Mesmo assim, o conforto segue em bom nível, a qualidade de construção se mostrou bem sólida e a autonomia - sem transformar este ë-C3 em “estradeiro” - dá conta da maioria dos deslocamentos do dia a dia.

Para quem precisa de mais autonomia, a Citroën oferece a versão Autonomia Conforto, com bateria de 44 kWh, mais de 320 km de autonomia (WLTP) e um pacote de série mais completo.

Se o orçamento permitir, ela continua me parecendo a opção mais interessante da linha. Se não for o caso, e você não precisa de muita autonomia, mas faz questão de uma tela central, vale conhecer o ë-C3 Tonic, que resolve exatamente esse ponto.

Veredito

Citroën ë-C3 Autonomia Urbana

Nota: 7.5/10

O ë-C3 Autonomia Urbana não é o elétrico mais eficiente, mais tecnológico ou mais rápido do segmento, mas qualidades não faltam. Elas estão concentradas no que realmente pesa no cotidiano: conforto, espaço, boa qualidade de construção e uma autonomia que entrega o que promete. Existem concessões difíceis de ignorar, mas nenhuma delas compromete de verdade. Por isso, este ë-C3 faz muito sentido para quem quer entrar no mundo dos elétricos sem pagar além do necessário.

Prós - Autonomia real - Conforto em estrada - Qualidade de construção - Preço

Contras - Ausência de tela central - Consumos - Recuperação de energia

Especificações técnicas

Versão base: 19.990€

Classificação Euro NCAP: 0/5

Preço unidade ensaiada: 19.990€

Motor

  • Arquitetura: Motor elétrico síncrono
  • Posição: Dianteira, transversal
  • Carregamento: Bateria de 30 kWh
  • Potência: 83 kW (113 cv)
  • Torque: 125 Nm

Transmissão

  • Tração: Dianteira
  • Câmbio: Relação única

Capacidade e dimensões

  • Comprimento: 4015 mm
  • Largura: 1755 mm
  • Altura: 1567 mm
  • Distância entre-eixos: 2540 mm
  • Porta-malas: 310 litros
  • Rodas / Pneus: FR: 205/55 R16; TR: 205/55 R16
  • Peso: 1413 kg

Consumo e Performance

  • Média de consumo: 17,2 kWh
  • Velocidade máxima: 125 km/h
  • Aceleração máxima: >10,4s

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