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TikTok e vapes ilícitos: estudo na Addiction revela mensagens opostas para jovens

Pessoa sentada no chão segurando caneta marca-texto neon e fotografando com celular várias canetas coloridas.

Uma adolescente dá uma tragada rápida num objeto que parece um tubo de gloss e, em seguida, devolve aquilo à bolsa. Para um adulto por perto, pode passar como nada. Para outra adolescente, pode ser imediatamente reconhecível.

Mais tarde, essa mesma adolescente abre o TikTok e dá de cara com um vídeo em que alguém compra um vape sem mostrar documento. A música gruda. Os comentários estão cheios de piadas. No conjunto, soa mais como moda do que como sinal de alerta.

É aí que está o ponto central de um novo estudo publicado na revista Addiction. Dependendo do lugar em que pesquisam, jovens acabam expostos a mensagens muito diferentes sobre vapes ilícitos.

Em páginas oficiais, eles podem encontrar textos longos sobre normas e riscos para a saúde. Já no TikTok, podem aparecer vídeos que apresentam o vape ilegal como algo engraçado, estiloso ou empolgante.

“Nosso estudo mostra que jovens se deparam com mensagens muito diferentes sobre vapes ilícitos dependendo de onde procuram online”, afirmou a Dra. Emma Ward, da Norwich Medical School da UEA e uma das principais investigadoras do estudo.

O uso de vape entre jovens está a aumentar

O uso de vape entre adolescentes cresceu rapidamente. Segundo a ASH (Ação contra o Tabagismo e pela Saúde), 20% dos jovens de 11 a 17 anos já experimentaram vaping, enquanto 7% são usuários. Em 2019, apenas 0.8% usavam cigarros eletrônicos.

Os vapes ilícitos ampliam os riscos. Alguns trazem nicotina em excesso, têm tanques superdimensionados, exibem rotulagem de saúde inadequada ou não possuem aprovação.

Em alguns casos, foram encontrados THC ou canabinoides sintéticos. Desde junho de 2025, vapes descartáveis foram proibidos no Reino Unido.

TikTok versus orientação de saúde

Pesquisadores da University of East Anglia compararam materiais oficiais encontrados via Google com vídeos do TikTok associados a hashtags ligadas a vaping ilícito.

No levantamento, reuniram 200 vídeos do TikTok e mantiveram 58 que tratavam de vaping ilegal. Em paralelo, analisaram 18 materiais educativos e então compararam o tom, o uso de evidências e o apelo ao público.

“Ao analisar tanto os resultados de busca no Google quanto o conteúdo do TikTok, conseguimos comparar a comunicação formal de saúde com o conteúdo informal que jovens têm mais probabilidade de consumir no dia a dia”, disse Eleanor Bray, Research Associate na School of Psychology da UEA e autora principal do estudo.

TikTok normaliza vapes ilícitos

Os vídeos exibiram um padrão nítido. Muitos retratavam o vaping ilegal como algo normal, engraçado ou “esperto”. O tema mais frequente era a ausência de preocupação com a lei.

Em alguns, apareciam formas de comprar vapes sem apresentar documento. Em outros, dicas para esconder os dispositivos de pais ou professores. Houve também vendedores a promover “combos” de vape com doces ou cosméticos.

“O que chamou atenção foi a forma inconsistente como o vaping ilícito é tratado entre plataformas. No TikTok, produtos ilegais às vezes eram ativamente glamurizados, com vendedores a comercializar dispositivos por meio de ofertas em ‘combo’ desenhadas para driblar a verificação de idade”, observou Bray.

O perigo parece menos concreto

Os vídeos mais envolventes pareciam parte da cultura jovem. Usavam música, piadas, tendências de beleza, edições rápidas e gírias partilhadas.

Vídeos associados à satisfação de quebrar regras ultrapassaram 24.5 milhões de curtidas.

Isso é relevante porque a repetição altera a perceção. Quando o vaping aparece continuamente como algo comum ou estiloso, o risco pode parecer menos real.

A orientação oficial não chega lá

Os materiais educativos, em geral, eram responsáveis e corretos. Ainda assim, com frequência não deixavam claros os riscos específicos de vapes ilícitos.

Nenhum recurso recebeu pontuação excelente ao falar de riscos de saúde ligados a vapes ilegais. Alguns apenas citavam, de passagem, nicotina elevada, químicos proibidos ou venda a menores. Outros traziam pouca explicação sobre o que diferencia um produto ilícito.

Além disso, muitos recorriam a blocos longos de texto e linguagem jurídica. Um conselho dizia: “Se você é uma criança, não vape.” Jovens tendem a precisar de informação honesta e apresentada de um jeito que pareça relevante.

Conteúdo envolvente, mas enganoso

O tema não é só precisão: é disputa por atenção. Conteúdos do TikTok são rápidos, pessoais e fáceis de partilhar.

Uma página de saúde pode estar correta, mas concorre com vídeos curtos que soam sociais.

“Esse ambiente online fragmentado é preocupante”, disse a Dra. Ward.

“Quando informação precisa é difícil de encontrar ou parece pouco atraente, jovens podem recorrer, em vez disso, a conteúdo mais envolvente, mas também mais enganoso, sobretudo em plataformas de vídeo de crescimento rápido como o TikTok.”

Uma subcultura de vape está a crescer

Os pesquisadores identificaram sinais de uma subcultura de vapes ilícitos: hashtags, piadas, truques para esconder e linguagem de “grupo”. Para adolescentes, esse sentido de pertencimento pode ter muita força.

“Esses vídeos no TikTok atraem atenção significativa e podem alimentar uma subcultura emergente de vapes ilícitos, em que jovens trocam dicas, experiências e maneiras de contornar restrições de idade”, disse a Dra. Ward.

Os criadores podem trocar hashtags, usar termos codificados ou esconder a venda de vapes dentro de conteúdos de estilo de vida, o que torna mais difícil remover material nocivo.

Jovens precisam participar

Regras são importantes, mas, sozinhas, não resolvem o problema online. Equipes de saúde pública precisam trabalhar com jovens e produzir conteúdo para as plataformas que eles já usam.

Isso envolve linguagem direta, vídeos curtos, orientação prática e mensagens que não soem como sermão.

“A comunicação em saúde pública tem mais chance de funcionar quando trabalha com jovens e com as plataformas que eles já usam”, afirmou Bray.

“Para proteger públicos jovens, precisamos de informação online que não seja apenas correta, mas também acessível, envolvente e relevante para a vida cotidiana deles.”


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