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Plano "Made in Europe" da União Europeia preocupa Toyota e Jaguar Land Rover

Três homens em reunião de negócios analisam mapa da Europa sobre mesa em sala com janela panorâmica.

O plano "Made in Europe" ainda nem saiu do papel, mas a indústria já começou a reagir. Depois de manifestações de preocupação vindas de fabricantes chineses, Toyota e Jaguar Land Rover (JLR) também passaram a questionar as propostas da União Europeia para endurecer os critérios de produção automotiva dentro do bloco.

As duas montadoras avaliam que as novas exigências podem encarecer a fabricação, dificultar novos investimentos e colocar milhares de empregos em risco.

Custos, burocracia e competitividade no plano "Made in Europe"

Na visão da Jaguar Land Rover, o pacote tende a criar um peso administrativo relevante, já que as empresas teriam de demonstrar, de forma detalhada, a origem dos componentes usados nos veículos.

Controlada pelo grupo indiano Tata Motors, a JLR acrescenta que a proposta não ataca problemas estruturais que hoje reduzem a competitividade da indústria europeia diante da concorrência chinesa.

Reino Unido no centro da discussão

Pelo lado da Toyota, as críticas foram apresentadas por Yoshihiro Nakata, principal executivo das operações europeias da marca japonesa. Em declaração ao Financial Times, ele argumentou que deixar de fora parceiros estratégicos pode trazer efeitos negativos para a indústria automotiva do continente.

Elegibilidade de Japão, Reino Unido e Turquia para incentivos

Vale lembrar que a Toyota emprega cerca de 25 mil pessoas na Europa e no Reino Unido, distribuídas por oito unidades de produção. A montadora sustenta que carros montados no Japão, no Reino Unido e na Turquia também deveriam poder acessar os incentivos previstos no plano.

A Jaguar Land Rover concorda com essa linha e propõe que Bruxelas considere a contribuição geral das fabricantes para a economia europeia - incluindo exportações e investimentos -, em vez de se basear apenas no local de montagem dos veículos.

A empresa também chama atenção para a forte interdependência entre as cadeias de suprimentos britânica e europeia, argumentando que excluir o Reino Unido pode gerar desequilíbrios nos dois lados do Canal da Mancha.

O que está em causa?

A iniciativa "Made in Europe" integra a estratégia industrial da União Europeia para reforçar a produção local e diminuir a dependência de mercados externos, especialmente da China.

Como parte do futuro Industrial Accelerator Act (IAA), o texto prevê que veículos e componentes fabricados majoritariamente em território europeu tenham acesso preferencial a contratos públicos e a incentivos financeiros.

A meta é impulsionar o investimento industrial, proteger empregos e elevar o peso da manufatura na economia europeia, que Bruxelas quer levar a 20% do PIB até 2035. Mesmo com críticas, a proposta conta com o apoio de grupos como Renault, Stellantis e Volkswagen, além de vários fabricantes de componentes.

Benjamin Krieger, secretário-geral da CLEPA (Associação Europeia de Fornecedores Automóveis), considera crucial manter exigências rígidas de produção local para conter a perda de capacidade industrial no continente.

A Comissão Europeia afirma que essas medidas são decisivas para garantir que a transição energética também resulte em crescimento econômico, investimentos e geração de valor na cadeia industrial europeia.

Ao mesmo tempo, há indícios de que o texto final pode ser ajustado durante a tramitação legislativa. Diversos Estados-membros, incluindo Alemanha e França, já sinalizaram abertura para incluir a produção automotiva britânica no futuro regime "Made in Europe" - posição que também encontra respaldo entre alguns eurodeputados envolvidos nas negociações.

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