Mais um hatch esportivo pequeno?
Sim - e justamente no mesmo dia em que guiámos o Peugeot 208 GTI atualizado. O segmento de hatch esportivo está especialmente movimentado agora, o que nos agrada bastante. O Polo GTI já está entre nós há alguns anos, mas a Volkswagen aproveitou a reestilização de meia-vida do supercompacto para dar uma boa revisada na versão de desempenho.
Motor e transmissões do Volkswagen Polo GTI
Então é mais do que só faróis novos?
É bem mais. Sai o 1,4 litro de 178 cv com turbo e compressor; entra um 1,8 litro turbo de 190 cv. Além disso, o carro recebe ajustes de chassi e passa a ter câmbio manual de seis marchas como item de série. Até aqui, o Polo GTI da geração mk5 era apenas “no automático”: o DSG de sete marchas com trocas por aletas agora fica na lista de opcionais.
Mais uma marca a apostar no câmbio manual!
Depois de a Jaguar ter levado a alavanca para o F-Type, é uma notícia positiva - e sustentada por previsões de vendas: a expectativa é que só 25 por cento dos compradores escolham o DSG. Isso sugere que parte do público pode ter torcido o nariz para o Polo GTI automático como única alternativa e, com a projeção de aumento de participação - o GTI deve responder por três por cento das vendas do Polo, ante pouco mais de um por cento -, a decisão parece fazer sentido.
Quem fica com o manual ainda leva um bónus. Por razões técnicas complicadas, daquelas que só o James May explicaria com entusiasmo, o pico de torque de 236 lb ft (cerca de 320 Nm) só aparece na versão manual; nos carros com DSG, o máximo é 184 lb ft (aproximadamente 250 Nm).
Então o manual é mais rápido?
Curiosamente, não. Com qualquer um dos câmbios, o 0–100 km/h é feito em 6,7 s e a velocidade máxima chega a 237 km/h. E o carro com DSG tende a parecer mais ligeiro, porque as trocas são contínuas e mantêm a aceleração sem interrupções - ao contrário das pequenas pausas inevitáveis nas passagens feitas por uma pessoa. O DSG de sete marchas da VW é um câmbio excelente, com apenas mudanças ocasionais um pouco “desligadas”. Ainda assim, não há dúvida de que o manual é mais envolvente - e também bem mais barato.
Dinâmica, chassi e comportamento em pista
E o resto do carro?
O Polo GTI segue a mesma linha de antes: estável, bem assente e equilibrado. É um carro que transmite segurança e que facilita muito andar depressa. A suspensão é firme, mas sem a aspereza que dá para apontar no Fiesta ST. E, embora a direção seja leve e no fim das contas careça de “sensação”, ela é tão rápida e precisa quanto se pode querer.
A dianteira está mais bem resolvida do que antes: desaparece aquela patinagem um pouco errática na saída de curvas, rotatórias ou cruzamentos que o modelo antigo por vezes mostrava.
Parte do mérito vem da entrega de potência mais suave e progressiva do novo motor exclusivamente turbo. Na prática, ele é uma versão “encolhida” do 2,0 litros do Golf GTI: um conjunto forte, com um som agradavelmente mais agressivo à medida que as rotações sobem. O sistema ‘XDS+’ do Golf GTI também aparece aqui, funcionando como um diferencial eletrónico que ajuda a puxar o carro para fora da curva e a fechar a trajetória.
Levamos o Polo para a pista e, no limite, o subesterço continua a aparecer com frequência. Dá para contornar com travagens mais tardias e ousadas, ou com um alívio bem pensado no acelerador, mas faltam as teatralidades de sobresterço que surgem com tanta facilidade num Fiesta ST. Ainda assim, o conjunto dinâmico é muito competente - só não é o mais “selvagem” da categoria.
Nos carros europeus, há a suspensão de ‘Seleção Esportiva’ como opcional por cerca de £250. Ao pressionar o botão Esporte, os amortecedores ajustáveis enrijecem, melhorando o controlo de carroçaria; o acelerador fica mais responsivo (bom), a direção recebe um pouco de “sensação” artificial (menos bom) e um amplificador de som adiciona ruído falso nas acelerações entre as marchas (nada bom). No Reino Unido, a alternativa será uma opção de controlo de chassi com preço semelhante, que alterna entre modos de amortecimento Conforto e Esporte.
Design, interior, tecnologia e preços
Há mais alguma coisa que valha destacar?
Agora, mais do que nunca, ele parece mesmo um Golf GTI em miniatura. Pequenos detalhes visuais - toques vermelhos espalhados pelo carro, incluindo uma moldura da grade que “invade” os faróis - remetem diretamente ao irmão maior. E isso não é problema algum. É um compacto com aparência caprichada, embora tenha sido inevitável secar algumas lágrimas ao ver as rodas de liga do antigo Polo GTI, com o simpático estilo “disco de telefone” retrô, darem lugar a aros multirraios mais convencionais.
Felizmente, os bancos xadrez icónicos continuam lá - e seguem muito aderentes e confortáveis. No geral, o interior convence como o de um carro de categoria acima, e o desenho organizado (com ergonomia coesa) faz com que ele pareça bem mais sofisticado do que Fiesta e Clio. Só o Peugeot 208 GTI chega perto.
Também há muita tecnologia “de carro grande”: um sistema multimédia com ecrã tátil vistoso, controlo de cruzeiro adaptativo e um pequeno pacote de assistentes de segurança ativa.
E no fim, como ele se sai?
Os GTI, por tradição, não são os hatchbacks esportivos mais radicais; o foco costuma ser o de um conjunto mais ponderado, mais maduro e completo. O Polo GTI encaixa perfeitamente nessa proposta e, embora seja em grande parte semelhante ao carro que substitui, os ajustes de detalhe - um motor de entrega mais suave e um controlo de carroçaria mais apertado - acrescentam um pouco mais de satisfação a uma experiência de condução marcada pela compostura.
O preço também é bastante competitivo. A tabela deve começar em £18,800 na versão manual de três portas, com um adicional de £600 para levar as portas traseiras e um acréscimo de £1200 para ter o câmbio com aletas. Quem procura emoção acima de tudo ainda precisa ir de Fiesta ST; já o Polo é uma alternativa atraente para quem prefere viver com um pouco mais de conforto.
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