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Teste do Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid de 218 cv

Carro azul Volkswagen Arteon eHybrid em exposição interna com carregador elétrico ao fundo.

Cerca de um ano após termos testado o Volkswagen Arteon na configuração sedã com o 2.0 TDI de 150 cv, voltamos a cruzar caminho com o modelo - agora na versão perua «Shooting Brake» eHybrid, com 218 cv de potência máxima combinada.

Em uma fase totalmente voltada à eletrificação, esta Arteon perua segue chamando atenção pelo desenho elegante e imponente, que a diferencia com clareza da «irmã» Passat Variant e a coloca lado a lado com algumas opções premium do segmento.

Ainda assim, o que realmente pode torná-la uma escolha interessante é a promessa - ao menos na teoria - de rodar mais de 50 km em modo 100% elétrico e manter consumos baixos. Ficamos cinco dias com esta perua híbrida plug-in e contamos como foi a experiência.

Sistema híbrido

O conjunto híbrido da Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid é um dos grandes pontos fortes desta perua, combinando um motor 1.4 turbo a gasolina de 156 cv com um motor elétrico de 85 kW (116 cv).

Somados, os dois entregam uma potência máxima combinada de 218 cv e 400 Nm de torque máximo, enviados exclusivamente para as rodas dianteiras por meio de um câmbio automático de seis marchas.

Em termos de desempenho, a marca indica 0 a 100 km/h em 7,8s e velocidade máxima de 222 km/h. Ao mesmo tempo, declara consumo médio de 1,3 l/100 km, consumo de energia elétrica de 15 kWh/100 km e emissões de CO2 de 30 g/km.

Para alimentar o motor elétrico, há uma bateria de íons de lítio com 13 kWh (10,4 kWh úteis), que garante autonomia em modo 100% elétrico de até 60 km (ciclo WLTP).

Consumos, autonomia e carregamento

Nos primeiros 64 km ao volante da Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid, em trajeto misto e no modo híbrido (quando o sistema tenta otimizar a interação entre o motor a combustão e o elétrico), rodei 28 km totalmente sem emissões e «gastei» 55% da capacidade da bateria.

Fazendo as contas e projetando para 100% da carga, fica claro que, nesse ritmo, só dá para «arrancar» 51 km em modo totalmente elétrico - um resultado abaixo dos 60 km divulgados pela marca alemã.

Mesmo assim, ainda que eu acredite que, com uma condução exemplar (do ponto de vista da eficiência), seja possível recuperar mais 3-4 km de autonomia, considero que ficar na faixa dos 50 km não decepciona e atende a maioria de quem vê os híbridos plug-in como uma boa solução para o deslocamento diário.

No consumo de combustível, a média ao fim do teste ficou em 6 l/100 km (mas houve picos de 8,5l/100 km com a bateria descarregada). E aqui eu fiz exatamente o que nenhum usuário de híbridos plug-in deveria fazer: passar uma semana inteira com apenas uma carga. Ainda assim, a média final acabou sendo interessante.

Sobre os tempos de recarga, a Volkswagen indica cinco horas com potência de 2,3 kW e 3,55 horas com potência de 3,7 kW.

E ao volante?

Ao dirigir este Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid, a primeira impressão vem da suavidade do conjunto e do bom isolamento acústico da cabine. Em todos os cenários que coloquei à prova, este modelo se mostrou muito confortável.

Vale destacar também a suspensão, claramente calibrada com foco no conforto. Em muitos híbridos plug-in, é comum haver um acerto mais firme para compensar o peso extra da bateria e do restante conjunto elétrico - e isso costuma prejudicar a maciez na estrada.

Mas o Arteon não seguiu por aí (ainda bem) e se apresenta como um dos híbridos plug-in mais confortáveis e mais suaves que já tive a oportunidade de conduzir.

A direção é tão agradável quanto se espera, com o peso e a sensação corretos. O mesmo vale para o pedal do freio que, mesmo contando com o sistema de recuperação de energia nas desacelerações, entrega um tato bastante natural.

Em modo 100% elétrico, a resposta do motor é suficiente para o uso urbano e permite rodar até 130 km/h. Acima disso, o motor a combustão «acorda» e passa a ser percebido com mais clareza, principalmente quando precisa movimentar as quase duas toneladas do conjunto.

Quanto ao câmbio automático DSG de seis marchas, não mostrou lentidão nem grandes indecisões. Ainda assim, confesso que, na rodovia, senti falta de uma marcha a mais - algo que, em teoria, poderia ajudar a reduzir ainda mais o consumo.

Em praticamente todas as situações enfrentadas, a Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid não convida a uma condução mais esportiva; ela leva, quase sempre, a um ritmo mais tranquilo e a aproveitar suas qualidades de boa estrada. E isso está longe de ser uma crítica.

É o carro certo para você?

Espaçosa, bem montada e, acima de tudo, muito confortável, a perua Volkswagen Arteon Shooting Brake eHybrid já começa marcando pontos pelo visual, que, na minha opinião, a coloca entre as peruas mais elegantes da atualidade.

A isso se soma uma boa capacidade de acumular quilômetros e a possibilidade de rodar no modo 100% elétrico na cidade - uma exigência da qual muitos clientes já não abrem mão na hora de trocar de carro.

Se esse for o seu caso e se os seus trajetos diários não passarem dos 50 km, esta versão eletrificada pode fazer sentido, principalmente se você tiver onde recarregar a bateria com regularidade (pelo menos duas ou três vezes por semana). Só assim o sistema híbrido vai ser bem aproveitado.

Para quem continua fazendo dos deslocamentos mais longos o «prato do dia» durante a semana, especialmente em rodovias, a Arteon Shooting Brake oferece como alternativa as motorizações a diesel (TDI de 150 cv e 200 cv), menos competitivas por causa da tributação em vigor; e também opções a gasolina, mais acessíveis do que a eHybrid, mas com apenas 150 cv e câmbio manual.


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