A cada dia, os carros se tornam mais um prolongamento da nossa rotina digital e, durante o evento Software Day da Stellantis, o grupo que reúne 14 marcas automotivas apresentou o caminho que pretende seguir para desenvolver e monetizar soluções de software.
As metas são altas: a Stellantis projeta alcançar cerca de 4 bilhões de euros em receitas até 2026 com produtos e assinaturas baseados em soluções de software - e elevar esse número para 20 bilhões de euros até 2030.
Para chegar lá, a empresa vai lançar três novas plataformas tecnológicas (com estreia em 2024) e ampliar parcerias. Esse plano vem acompanhado de um salto na frota de veículos conectados, o que deve viabilizar até 400 milhões de atualizações remotas em 2030, ante mais de seis milhões realizadas em 2021.
Três novas plataformas tecnológicas em 2024
O alicerce dessa virada digital é uma nova arquitetura elétrica/eletrônica (E/E) e de software chamada SLTA Brain ("cérebro", em inglês), a primeira das três plataformas tecnológicas anunciadas. Preparada para atualizações remotas (OTA, ou over-the-air), a proposta é oferecer um sistema extremamente flexível.
Ao desacoplar a relação atualmente existente entre hardware e software, a STLA Brain deve acelerar a criação e a atualização de funções e serviços, sem depender do ciclo de evolução do hardware. De acordo com a Stellantis, há vários ganhos com isso: “Estas atualizações OTA reduzem drasticamente os custos, tanto para os clientes como para a Stellantis, simplificam a manutenção para o utilizador e sustentam os valores residuais dos veículos.”
A partir da base da STLA Brain, será construída a segunda plataforma: a arquitetura STLA SmartCockpit, desenhada para se encaixar na vida digital de quem está no veículo e personalizar esse ambiente de forma digital. Ela deve disponibilizar aplicativos com IA (Inteligência Artificial), incluindo navegação, assistência por voz, e-commerce e serviços de pagamento.
Por último, a STLA AutoDrive - como o nome sugere - é voltada à direção autônoma. Desenvolvida a partir de uma parceria entre Stellantis e BMW, a plataforma permitirá evoluir recursos de condução autônoma nos níveis 2, 2+ e 3, com melhorias contínuas asseguradas por atualizações remotas.
Para veículos com capacidade de condução totalmente autônoma de, no mínimo, nível 4, a Stellantis estreitou ainda mais a relação com a Waymo. Hoje, a empresa já utiliza várias Chrysler Pacifica Hybrid com a função Waymo Driver como carros de teste, com o objetivo de desenvolver as tecnologias necessárias. A expectativa é que veículos comerciais leves e serviços de entregas locais sejam os primeiros a estrear esses recursos.
Negócios assentes em software
A adoção dessas novas arquiteturas E/E e de software vai compor as quatro plataformas veiculares (STLA Small, STLA Medium, STLA Large e STLA Frame), que servirão de base para todos os futuros modelos das 14 marcas do universo Stellantis. A promessa é dar ao cliente mais condições de ajustar o carro às próprias necessidades.
E é justamente dessa personalização que deve surgir parte da monetização associada ao desenvolvimento das plataformas de software e aos serviços conectados, estruturada em cinco pilares:
- Serviços e Assinaturas
- Equipamentos sob Demanda
- DaaS (Dados como Serviços) e Frotas
- Precificação de Veículos e Valor de Revenda
- Estratégia de Conquista, Retenção de Serviços e Vendas Cruzadas
Esse negócio tende a ganhar escala com a expansão dos veículos conectados e monetizáveis (classificação considerada para os primeiros cinco anos de vida do veículo). Se hoje a Stellantis afirma ter 12 milhões de veículos conectados, em 2026 - daqui a cinco anos - esse total deve chegar a 26 milhões, avançando para 34 milhões de veículos conectados em 2030.
Com mais veículos conectados, a Stellantis estima que as receitas cresçam de cerca de 4 bilhões de euros em 2026 para 20 bilhões de euros em 2030.
Até 2024, adicionar 4500 engenheiros de software
A mudança digital que já está em curso na Stellantis exigirá uma base muito maior de engenheiros de software. Por isso, o grupo pretende criar uma academia de software e dados, envolvendo mais de mil engenheiros internos na formação e no desenvolvimento dessa comunidade tecnológica.
Além disso, a Stellantis quer aumentar significativamente a contratação de profissionais em desenvolvimento de software e inteligência artificial (IA). A meta é atrair, até 2024, cerca de 4500 engenheiros para a área, apoiada na criação de polos globais de talentos.
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